Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O ABECÊ NORDESTINO E AS LETRAS NA ALFABETIZAÇÃO


Introdução

Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

Luiz Gonzaga/Zé Dantas

Há muito tempo me interesso por alfabetização...e há muito tempo me interesso pelo alfabeto... e pelo “alfabeto” que se falava e ainda se fala em alguns lugares no Nordeste, e que ainda se ouve fortemente na Bahia. Por aqui ainda se vê ensinado nas escolas, como vamos constatar com a pesquisa que estou fazendo entre professores baianos, e cujos resultados darei notícias por aqui. O alfabeto, no sentido do sistema de notação da língua, é o mesmo, isso está claro! O que muda é apenas o jeito de nomear as letras. E talvez, por isso, fosse mais apropriado falar em “abecê no Nordeste”.

Não se trata de sotaque, mas de nomes outros. Quando essas letras são convocadas a dizer seus nomes e soam em alto e bom som, observamos que esses nomes se aproximam mais do som que lhes são correspondentes: fê, guê, ji, lê, mê, nê, rê, si, como é o caso de outras letras, como o bê, pê, tê, vê, zê, dentre outras letras ditas “oficiais”, e que ninguém estranha. Esses oito sons que se diferenciam do abc convencional dão “pano pra manga” – como se diz.

Mostrei aqui no blog inúmeras ocorrências de desconhecimento e de preconceito contra esse abecê. Um desconhecimento comum é o de que efe é nome e é o som da letra. Ora, esses nomes das letras podem ter, sim, nascido da tentativa de nomeá-las por seus sons, somando-lhes uma vogal de apoio. Mas os nomes das letras são unidades lexicais, os fonemas não. Fonemas são unidades representadas por letras (por grafemas), não são lexicalizados. Precisamos, como venho discutindo aqui, ir além dessa conclusão de que efe é nome e é fonema, som. É engraçado que esses nomes, fê, guê, ji, lê, mê, nê, rê, si, sejam associados à fonética, ao som, mas bê, cê, dê, pê, quê, tê, vê e , construídos pelo mesmo princípio, não o sejam – e tenham, sem pestanejar, o status de nomes de letras! Veremos adiante, na parte 2, que esse argumento se desfaz quando entendemos que em sua própria origem, o alfabeto trazia, em sua essência, essa ideia de o nome das letras darem pistas dos seus sons.

Para esclarecer melhor nossas ideias sobre a questão, podemos recorrer a argumentos pela via das diferenças culturais e variações linguísticas regionais, juntando essa questão às tantas outras referentes aos falares nordestinos. Os argumentos culturais e sociolinguísticos são, de fato, primordiais nessa discussão. Entretanto, eu sempre quis poder aprofundar mais a discussão sobre isso. Para além da variação e da defesa dos traços que compõem a nossa identidade cultural, eu queria compreender onde vêm esses dois abecês distintos e seus usos no Brasil, que notícias essa origem e seus usos no ensino da língua de antigamente nos dão sobre sua legitimidade, e trazer a discussão para o campo da alfabetização hoje. E esse estudo, que traz algumas luzes e muitos questionamentos, nasceu desse desejo. O abecê usado na Bahia sempre me intrigou.

Somou-se a isso, o fato de que meu marido, José Carlos Rêgo, artista da Canastra Real – Contos em cantos, tem o “Abecê do Sertão”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, no repertório de algumas apresentações e, sempre que a conversa é com professores, lembra do que me ouviu falar a esse propósito, uma vez, referente ao princípio acrofônico. Voltaremos a essa questão adiante. Por ora, refiro-me a isso, pois essa conversa sobre o abecê com a Canastra – uma das conversas que temos entre nós nessa nossa parceria por temáticas afins – foi um dos empurrõezinhos que tive para, enfim, retomar essa ideia, essa vontade, e concretizar a escrita desse texto. Aliás, planejar uma aula-espetáculo para alfabetizadores, junto com a Canastra Real, é um dos planos para hora dessas....mas eu fico só com a parte aula...a parte de se “amostrar” do espetáculo, fica com eles!

http://canastrareal.wixsite.com/canastrareal/
Além das defesas e dos ataques ao nosso abecê, ouvi  contar também situações em que educadores e pessoas em geral, de fora do Nordeste, nunca tinham ouvido falar desse modo de pronunciar os nomes das letras do alfabeto. Mesmo nordestinos, salvo parte dos baianos, parecem ter certo estranhamento com essa forma de nomear as letras, bem como há baianos que atribuem esse uso a algo antigo, limitado ao momento da alfabetização. Assim, será que faz sentido mesmo denominá-lo alfabeto ou abecê nordestino, ou ainda abecedário nordestino? Ele é/foi realmente do Nordeste? Em todo o Nordeste? Só no Nordeste? Só no sertão? É abecê da Bahia? É um abecê só da alfabetização inicial ou esses nomes perduravam para se referir às letras? São questões instigantes, discutiremos sobre elas adiante, por ora, quero assumir a expressão “abecê nordestino”, mas com essas ressalvas. É bom lembrarmos que a questão da identidade cultural regional não é tão simples. É preciso, como ressalta Albuquerque Jr. (2009), desmistificar a ideia de um Nordeste culturalmente homogêneo.

Recentemente foi lançado o documentário “O Sertão como se fala”, realizado pela equipe do Coletivo Adiante, já referido aqui no blog. Revendo o trailer:


Como alguém muito interessada sobre isso, confesso que eu fui assistir ao filme esperando um pouco mais de informações sobre a nosso abecê. O filme é muito bacana e cumpre o papel que lhe cabe como “ensaio audiovisual”, apresentando e provocando esteticamente a discussão, divulgando a identidade cultural e linguística na contramão do que circula na grande mídia e no senso comum. Mas, ainda assim, me deixou com gostinho que “quero mais”. Mas isso porque eu já tinha esse interesse prévio e o desejo de entender mais as raízes desses dois abecês. Apesar de anunciar que se propunha a investigar as raízes deste modo de falar, a partir de narrativas de alunos e professores que aprenderam e ensinam as letras do alfabeto do sertão, bem como narrativas de artistas da palavra e alguns estudiosos, o documentário não mergulha muito nessas origens – visa apenas a mostrar que ele ainda está por ali seja em uso ou na memória de habitantes do sertão nordestino. Tem um mérito grande de apresentar esse modo de pronunciar as letras como parte de uma herança cultural sertaneja mais ampla, explora aspectos dessa cultura e até a relação desse falar com outros aspectos que criam a ideia – e o filme a problematiza – de um nordeste esquecido, leigo, atrasado. Aponta também o aspecto do desaparecimento dessa prática pela padronização do alfabeto, o que é bastante interessante. Uma coisa bem bonita é ver os artistas da palavra ressaltarem a poética do nosso abecê, em contrapartida ao uso padrão do abecê "oficial". 
Mas achei que há pouca investigação, de fato, com foco nas raízes e nos usos desse abecê, culturalmente e linguisticamente, talvez, justamente, pela pouca informação que temos disponível sobre o tema. No próprio site do projeto podemos ler:
Tendo em vista a falta de material de pesquisa acessível e produções que tratem sobre o tema, o “Sertão como se fala” pretende construir um registro artístico de aspectos históricos e sociais que podem estar em extinção no Brasil e propiciar uma reflexão crítica sobre o imaginário popular, social e político do povo sertanejo. Deste modo, o filme terá como característica a responsabilidade social e cultural de manter viva a memória, o pensar e também de valorizar a cultura brasileira – em especial a da região sertaneja, aquela de maior miséria e  desigualdade do país. 
Claro que entendo que se trata, aí, do registro artístico de uma questão sociocultural e histórica, e não de uma pesquisa científica e, de fato, como já sublinhei, há pouco material sobre o tema. Mas considerando a intenção dos realizadores em contribuir para valorizar e manter viva essa memória, esperei que a perplexidade das indagações sobre os usos desse alfabeto levassem a uma construção discursiva mais substantiva. Por vezes, a realidade dos professores leigos de antigamente e um uso não-padrão do alfabeto quase ficam valendo como explicações da origem desse falar, o que me pareceu muito simplório e ainda sob a égide de certa primazia cultural do outro alfabeto. O letrado? Estaria aí em jogo um anúncio de um suposto conflito entre o registro regional oral e o registro escrito, letrado, mais erudito? Está certo que o alfabeto nordestino pode ter se propagado oralmente, a partir de mutações que foram estabelecidas por certa tentativa de facilitação da alfabetização, assim como há aí também algo do conflito que se estabelece entre o ensino da escrita tipicamente escolar, fundado na norma culta, e os diferentes usos informais e populares da língua, como discute Colello (2011, p. 65). Mas a história parece que é bem mais complexa do que isso, como veremos adiante, na parte 3 do texto. Além do mais, práticas orais e práticas letradas se imbricam de formas bem mais complexas do que polaridades estanques dão conta. A professora que me alfabetizou, aqui em uma escola particular renomada de Salvador não era leiga! O ensino da escrita tipicamente escolar na Bahia, mesmo na capital, incorporou esse jeito de dizer os nomes das letras. Por isso mesmo, uso, preferencialmente, a expressão “abecê do Nordeste” e não “do sertão”. Precisamos olhar para esse fenômeno de modo mais amplo.

Claro que a produção audiovisual referida vale, e muito, por chamar a atenção a um aspecto que pode estar se acabando, devido à “colonização” do modo supostamente “correto” de pronunciar as letras e por divulgar e propiciar uma reflexão crítica sobre essa história e herança cultural do Brasil. Só por isso, já é válida. Para mim, valeu também por saber que tem outros estados em que ainda “se ouve tanto ê”... porque perguntando aqui e ali a gente da capital, em outros estados, vi pouca presença desse abecê na referência das pessoas. Temos ele ainda vivo em Salvador. E porque é muito bonito, bem realizado, instigante.

O foco do filme é esse mesmo, cultural. Linguisticamente, os argumentos ficam ainda vagos, mas isso porque é próprio ao filme trazer a questão pelas vozes dos moradores dos municípios. E nessas vozes, aparecem alguns elementos, mas não houve intenção de uma costura discursiva que desse pistas sobre esse modo de pronunciar as letras e seu uso. Com certeza, além de talvez não o intencionaram, os realizadores se esbarraram nas lacunas de informação, nos limites entre os objetivos de uma obra audiovisual e de um estudo mais aprofundado. E aí, justamente, entram outras referências... Nem tudo que era minha expectativa, era intenção deles com o filme. Claro! A vontade de entender mais era minha! Assim, como eu não sei compor nem cantar, como Seu Lua, nem fazer filmes, como Leandro o Coletivo, eu pesquiso...eu estudo...eu provoco...eu escrevo... Minha contribuição!

O lugar do qual eu falo, entretanto, reafirmo, é de educadora, interessada no campo da linguagem, da alfabetização e da cultura escrita como parte da cultura mais ampla. Assim, preocupo-me não apenas com os aspectos histórico-sociais dessa discussão, da defesa de um modo culturalmente legítimo de nomear as letras, mas também, seu aspecto pedagógico. Portanto, além de buscar entender – na medida do possível – um pouco mais sobre a questão desses dois modos distintos de pronunciar o alfabeto no Brasil, pretendo tecer considerações também a respeito do uso das letras e suas relações com as unidades sonoras da língua, como parte do processo de alfabetização e sobre a legitimidade e a pertinência, em termos linguísticos, do alfabeto nordestino na alfabetização. Disso, aí sim, eu entendo um pouco mais... Não se trata de argumentar sobre substituir o “tradicionalmente” usado, nem folclorizar a variação regional. O que quero é que ele possa ser ensinado, como foi por muito tempo – e ainda o é – em alguns lugares da região nordestina, ao lado desse, como um outro modo de designar as letras – e não como vício, erro, ignorância, como por vezes lhe é atribuído, ou mesmo como uma inventividade original – que também, provavelmente, não o é. E para deixar claro, igualmente, como ele pode favorecer, sim, o processo de alfabetização. Aliás, “tradicionalmente usado” é algo muito relativo, e, nesse caso, pode não significar precedência no uso...pois poderíamos indagar: esse uso nordestino não seria um retorno a uma lógica original do alfabeto? Essa questão será aprofundada adiante, na parte 2 desse estudo.

Estrutura

Assim, com essas intenções, o texto se organiza, aqui no blog, em seis partes (e será postado aqui por partes), conforme indicado no sumário, sendo que, na parte 1, após essa Introdução, a discussão sobre esse lugar das letras do alfabeto na alfabetização é, justamente, colocada e iniciada, seguindo-se da apresentação da questão que envolve o chamado alfabeto nordestino, trazendo um argumento de base e transversal a todos os outros que é a questão da variação linguística. As três partes que se seguem, que constituem o estudo sobre o tema, serão retrabalhadas também e publicadas em uma brochura impressa, que sairá em breve. Aqui no blog vou trazer apenas um resumo das questões que serão discutidas na publicação, que será também disponibilizada para download aqui, quando pronta.

Na parte 2 do texto (segundo post dessa série), serão apresentados alguns argumentos da história da escrita – em particular da história do alfabeto – que podem dar pistas para entendermos melhor a problemática em questão, especialmente a origem dos nomes das letras do alfabeto latino e sua evolução para o português. O efe, gê, jota, ele, eme, ene, erre, esse, têm, todas elas, data de nascimento! Isso tem, como veremos, implicações na discussão em questão, sobretudo na minimização da polêmica sobre o que seja o “alfabeto correto”. 

Já na parte 3, os argumentos serão da história da alfabetização no Brasil, da história das metodologias de ensino da escrita, que inclui a temática do nome das letras. Embora esta seja uma história repleta de lacunas, havendo pouca informação efetiva sobre essa questão em particular – ao menos pouca informação divulgada – ela pode nos ajudar, ao menos, a entender a questão como algo que vai além da regionalidade, a levantar hipóteses sobre o porquê da designação diversa de algumas letras e a compreender a origem (nada nordestina) e os motivos (nada infundados) da ideia da facilitação da alfabetização, pela nomeação das letras próxima a seus sons.

A parte 4 traz os argumentos de pesquisas atuais sobre o papel e o efeito do conhecimento do nome das letras na alfabetização, na apropriação do princípio alfabético, ou seja, no estabelecimento das relações entre fonemas e grafemas. Também aqui há fortes indícios para argumentar sobre a legitimidade da nomeação das letras no alfabeto nordestino.

O intuito de buscar esses argumentos, no entanto, ao lado da defesa das variações linguísticas, não é alegar precedência histórica para entrar em disputas, nem explicar para justificar nosso abecê, buscando aval dos que supostamente usam o abecê “correto” (não precisamos de aval para usar nosso abecê), mas para mostrar que a alternância entre as duas formas de nomear as letras existe desde a origem do alfabeto latino e, na língua portuguesa, também em Portugal, e desde o início da história da alfabetização no Brasil.

A parte 5, por sua vez, que será postada apenas aqui no blog, por enquanto, trará a comunicação dos resultados de uma mini pesquisa feita sobre o uso dos abecês por os professores de alguns municípios baianos, onde, ao que parece, esse uso ainda resiste, insiste, se faz presente, vivo. Mesmo na capital! Esses dados podem revelar muito sobre essa permanência ou não do uso do alfabeto, dentre outros aspectos, coisa que vemos assistematicamente aqui e ali relatadas. Veremos. Esses dados serão apresentados também em artigos, mas não na publicação impressa do estudo. Não por enquanto.


A parte 6 será construída aos poucos, sempre dinâmica, acolhendo novas contribuições. Serão apresentados lá os depoimentos de estudiosos do campo da linguagem, da alfabetização, depoimentos de professores, e quiçá de nordestinos em geral, com suas memórias...e de não nordestinos tocados, de algum modo pelo tema, bem como contribuições de artistas, escritores, que queiram contribuir com algum “comentário” por via de linguagens e gêneros diversos: ilustração, tirinha, cordel, crônica...o que for. Enfim, contribuição de todos que quiserem e puderem contribuir, seja com algum alinhavo ou desalinho, para a essa discussão, bonita e pertinente, sobre o nosso alfabeto. E ainda tem a parte dos comentários no próprio blog...aberta a todos!

Vamos continuar a conversa na Parte 1, aqui.

12 comentários:

  1. Acredito ser de suma importância abordarmos este assunto, desde meus primeiros contatos com o "novo ABC" surgiu esta inquietação em mim, porque a mim foi natural aprender o ABC nordestino, era o que estava próximo da minha realidade, mas derrepente ele se tornou "errado" e o que surgiu como correto não fazia o menor sentido para mim...porquê dizer "eme" de merenda, se o nosso mê é o que mais se assemelha foneticamente com este vocábulo? pensava assim e relutava enquanto criança a modificar a pronúncia das letras, hoje entendo a necessidade de padronização mas concordo que uma coisa não inviabiliza a outra, e a "marginalização" dada ao alfabeto nordestino e demais variações linguísticas não se justifica.
    É importante que a criança tenha acesso a norma padrão, mas na maioria das discussões atuais sobre aprendizado o lugar comum é que o objeto do ensino precisa fazer sentido ao educando e porquê deveria ser diferente com o ABECÊ? porquê aprender algo que não traga pertencimento e entendimento no inicio da aquisição de conhecimento? qual a referência que a criança terá se o que escuta em casa e demais meios é destoado da escola e, sem ter clareza pela imaturidade, é "obrigada" a considerar seu conhecimento prévio como um erro?
    Ainda penso ser possível através da educação aprendermos a educar não somente pelas diferenças, mas com as diferenças. Espero ser possível apresentarmos as diversas possibilidades aos educandos e apontar acordado como padrão afim de que com o tempo, os preconceitos linguísticos e demais formas discriminatórias sejam superados pela compreenssão das diferenças como o natural.

    Elisama J. G. santos EDCB85

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    1. Oi, Elisama...boas reflexões.
      Sua defesa no final das contas é de que possamos aprender os dois.
      Mas, olha, essa ideia de que o abc dito oficial é a norma padrão e o abecê nordestino é variação, podemos também desconstruir. É uma variedade regional, ok, mas não sei ao certo sobre essa necessidade de padronização. O oficial foi, na verdade, oficializado, mas por um processo histórico bem arbitrário... não tem nenhuma superioridade cultural ou linguística em relação ao nordestino.
      A história nos ensina que faz todo o sentido nomear as letras com nomes mais próximos de seus sons, não há nada de não-padrão nisso...
      Vamos espalhar essas ideias!
      Liane

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    2. Bom dia Elizama. Mas quem disse que é errado? O Brasil precisa descobrir o Brasil. Nós aprendemos através do abcê nordestino. Devemos valorizar a cultura brasileira e escolher o que for de melhor independentemente de preconceitos. Estamos defendendo que devemos mudar o nome das letras do portugûes? Claro que não. As crianças que não usam o ABC do sertão também se beneficiam do nome das letras. Estamos apenas reconhecendo a importância deste alfabeto do sertão por ser uma tentativa de facilitar ainda mais que as crianças se beneficiem do nome das letras. "Lá no meu sertão pros caboblo lÊ tem que aprender outro ABC..." variedade linguística. Esse povo já sabia disso, já afirmava sua cultura. Um abraço Zama!

      Joston DARWIN

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    3. Oi, Joston!
      Mas ela não afirmou que era errado, não.
      Você entendeu isso? Ela está dizendo do ponto de vista de outros, que o viam como errado - mas como ela mesma disse, o alfabeto oficial não fazia sentido para ela.
      Por isso mesmo ela usou as aspas no termo "errado".
      Releia o comentário todo e veja se não vê o comentário de Elisama de outro jeito.
      Liane

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  2. Ainda persisto com a idéia de que devemos ter acesso as diversidades tantas quanto existirem, no entanto ontem a noite após uma deliciosa aula, saí com a inquietação de quem desconhecia um monte de coisas e acaba de gritar "Eureka". Meu primeiro contato com o viés histórico do alfabeto nordestino aconteceu ontem e estou ansiosa pela leitura da parte 3 desta série, sei que entenderei melhor a fala acima, mais com certeza a aula de ontem já me causou uma visão diferenciada, quando reli meu post acima percebi que algo mudou e ao verificar sua resposta percebi o que foi de modo mais nítido. Construir, desconstruir, reconstruir...palavras maravilhosas que acompanha o aprendizado!

    Elisama J G Santos EDCB85

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    1. Então...mas estamos falando da mesma coisa...também defendo que devemos aprender tantos abecês quanto existirem. E não apenas os nordestinos, mas todos os brasileiros! Afinal, no Brasil, nomeamos as letras de dois jeitos diferentes. Ambos legítimos, funcionais e historicamente justificáveis.
      O que questiono é a defesa do "oficial" como o mais correto, o mais letrado, o mais lógico.
      Que bom que se interessou pela temática!
      Ando muito ocupada, mas em breve, sai a terceira parte...E logo adiante, a publicação impressa e on-line, mais completa.
      Bom saber que as aulas estão sendo instigantes!
      Abraço,
      Liane

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  3. Olá Liane!
    Abri seu blog para ler os textos como "dever de casa" ( risos). (Sou sua aluna esse semestre) e fiquei curiosa sobre o "ABC nordestino" e vim para a introdução!
    Estou amando a sua abordagem porque fui alfabetizada no interior da Bahia e quando vim fazer o fundamental em Salvador, o que ouvi dos professores é que eu aprendi o ABC errado! "ah! ela vem do interior"!"Você é de Sergipe?" Que sotaque é esse?" E lendo seu texto, estou feliz da vida porque você está me respondendo questões guardadas lá atrás! Mesmo que como você diz, ainda em discussão o nosso "ABC nordestino"! Muito bom! Vera Mota

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    1. Oi, Vera!
      Pois eu aprendi o abecê nordestino aqui mesmo, em Salvador...só maior é que conheci o outro.
      Leia mais, comente mais! Tem muitos posts sobre o assunto.
      Abraço,
      Liane

      EDC B85 2018.1

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  4. Muito interessante, vislumbrei desde o inicio quando comecei a lê o blog, sou nordestino e tenho o maior orgulho de ter começado a minha alfabetização com o abecê nordestino, agora sim aprenderei muito mais neste semestre!
    Jutai Barreto EDCB85 2018.1

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    1. Então, Jutaí!
      leia mais sobre o assunto e teça aqui seus comentários sobre o que os posts sobre isso trazem.
      No aguardo,
      Liane

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  5. Sobre materiais, produção de materiais e o que é antigo...

    As propostas que eram levadas para sala de aula – como o manuseio da Tesoura de Raimunda – traz-nos reflexões positivas relacionadas ao ensino. As crianças, antigamente, tinham curiosidade “interesse” em conhecer de onde vinha aqueles desenhos, formas, feitos no papel. Atualmente, com o advenho dos recursos tecnológicos, as práticas educativas tornaram-se abomináveis nas séries iniciais por grande parte dos alunos pelas práticas pedagógicas adotadas (um sistema de ensino longe daqueles métodos mais manipulados/manuseados). Um questionamento que acredito rondar no meio pedagógico é: A utilização dos recursos tecnológicos (uso de smarthphones, dentre outros aparelhos eletrônicos), pode-se afirmar que sobrepõem o uso de recursos manuais? A utilização tecnológica tem tido, de fato, maior contribuição para alfabetização?

    Turma: EDCB85 2018.1

    Alana Grasielle

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    1. Oi, Alana,
      Acho que nada substitui nada, tudo tem seu lugar, os artefatos mudam, a cultura muda, mudando as práticas também, é natural. Mas da mesma forma que a oralidade não sumiu com a escrita, a escrita não sumiu com o audiovisual e digital, tudo vai sendo hibridizado e costurado...
      Temos que pensar também na realidade concreta - nas escolas da rede pública, como anda a tecnologia? Em geral, nem anda! Então nem podemos falar dessa contribuição em abstrato. Temos que lutar pelas boas condições e contribuições de todos os lados!
      Não concorda que é mais produtivo do que a discussão estéril sobre o que é mais ou menos favorável?
      Pense nisso!
      Liane

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