Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

domingo, 6 de março de 2011

Jogos com letras móveis

Como prometido a Patrícia e a outros que já me pediram, esse post é direcionado a crianças já alfabetizadas, com o objetivo de trabalhar a ortografia. De início, vou apresentar o material e as regras de alguns jogos. Aos poucos vou postando outros jogos e outros materiais.
Esses que se seguem são joguinhos interessantes para crianças recém alfabetizadas, que já descobriram o princípio alfabético, quando o processo de reflexão sobre as nuances da ortografia da língua escrita constitui-se como o novo desafio. São bastante produtivos também para o segundo ano (primeira série) do Ensino Fundamental (e, por vezes, para todas as séries iniciais). São, aliás, jogos bons de jogar mesmo por qualquer pessoa, pois têm as características de jogos de mesa comuns, que divertem, passam o tempo, apresentam desafios, mesmo para quem já escreve bem.
Os jogos demandam a rapidez para formar palavras e exigem que as crianças pensem em cada letra que forma determinada palavra que querem montar. Em contexto pedagógico, as próprias crianças podem, durante o jogo, discutir e validar a escrita de certas palavras que tenham dúvida sobre a grafia, ou o professor pode ajudar com intervenções. De todo modo, ao final, o professor pode olhar as palavras formadas e questioná-los sobre a grafia de alguma que esteja incorreta, do ponto de vista convencional, possibilitando boas discussões e reflexões.
São jogos que se jogam a partir de Caixinhas ou Latinhas de Letras, como a que ilustra o final desse blog, confeccionada pela aluna querida, Michelle, ou como essa abaixo, minha, que fiz com latinha de cappuccino (antes de virarem de plástico!).

Para esses jogos juntam-se várias séries de alfabetos completos ou usa-se a caixinha/latinha previamente organizada, com um número razoável de letras móveis (quantidade ideal abaixo). Também podem ser usadas cartas de baralhos de letras, mas o tamanho ideal das fichinhas é de aproximadamente 2 x 2 cm. Para alguns jogos, o tamanho quadradinho é mais interessante. Para outros, o baralho é uma opção interessante, como será indicado, quando for o caso. O bem é ter as duas formas. As caixinhas/latinhas e os baralhos servirão para jogos diversos.

Organizar as latinhas ou caixinhas de letras é mais funcional, na hora de distribuir o material para os grupos que irão jogar (4 jogadores parece um número razoável) do que juntar séries de alfabeto na hora. Isso facilita muito a dinâmica em sala de aula. Caixinhas e latinhas pequenas, forradas e decoradas são ideais para compor os jogos. É bom ter, no mínimo, um conjunto/caixinha para cada mesa de 4 alunos. As latinhas ou caixas podem ser pintadas, forradas com papel bonito ou produzidas com colagem de papel rasgado ou cortado, bem decoradas.

Para confeccionar as letras móveis, usar letras impressas, incluindo k, y e w, coladas em quadradinhos de duplex (2 x 2cm), uma a uma, deixando uma margem colorida pequena. Ou podem ser impressas diretamente em papel mais grosso (tipo canson, com uma gramatura maior), o que é mais prático, mas menos bonito.
O número de fichas para três a quatro jogadores (uma latinha ou caixinha) pode seguir a seguinte recomendação de quantidades, que diz respeito à frequência em que as letras aparecem no português.

A quantidade mínima ideal de letras – mas pode ser mais – para compor uma caixinha ou latinha é a seguinte:

A: 12

E, O: 9 de cada

I, U: 8 de cada

R, S, T: 6 de cada

B, C, D, F, G, J, L, M, N, P: 3 de cada

Ç, H, Q, V, X, Z: 2 de cada

K, W, Y: 1 de cada

Faça ainda oito coringas, que podem ser usados no lugar de qualquer vogal (cartas contendo as 5 vogais escritas em tamanho menor). Os coringas de vogal são introduzidos nos jogos para completar a latinha/caixinha com um maior número de vogais. Os coringas são fichinhas contendo as quatro vogais escritas, e valem como qualquer uma das vogais. Em alguns jogos, uma vez determinando o seu valor na partida (a vogal que representa), este não pode mudar durante o jogo, em outros, esse valor pode ser mudado, conforme será indicado nas regras. Só vale um coringa por palavra.
Acentos podem também ser incluídos nas caixinhas/latinhas, não para entrarem no jogo, mas para por nas palavras, caso os alunos sintam necessidade de acentuá-las. Fazê-los em outra cor e tamanho (ou forma, como em fichinhas redondas) é importante para não se misturarem com as fichas de letras que realmente valem no jogo. Vejam os acentos da minha latinha...estão tão velhuscos, de tanto que já usei. Preciso renovar!!!

Abaixo seguem regras de alguns jogos. Ah, muito importante: recomendo a todos os professores que joguem o jogo com outros colegas ou entre amigos, antes de propor aos alunos, para entender bem os procedimentos, “sentir” o jogo, as dificuldades que se colocarão para as crianças e até ajustar regras ao grupo, caso necessário. Saber jogar para ensinar a jogar e ajudar os alunos durante o jogo é essencial. Certo?

Pingo
(jogo proposto no baralho Pingo no i:
www.pingonoi.com.br)

Viram-se as fichinhas de letras para baixo no centro da mesa. Cada jogador, na sua vez, vira uma ficha, até que alguém da mesa consiga, com essas letras abertas, formar mentalmente um palavra de, no mínimo 4 letras. Quem conseguir (só olhando) formar uma palavra primeiro (não precisa esperar sua vez de jogar) diz “Pingo” e pega as letras para formá-las (deixando as que não lhe servem no centro da mesa). Se esse jogador conseguir, de fato, formar a palavra, ele fica com as cartas. Se não conseguir, outro pode dizer “Pingo” e formá-la, nesse caso, pode usar outras letras expostas na mesa e é ele quem fica com as cartas da palavra. A partida segue pelo jogador seguinte ao que formou a palavra, cada um virando uma ficha na sua vez. As fichas que ficaram no centro continuam lá e podem ainda ser usadas na formação de novas palavras. Ganha o jogo quem ficar com mais fichas na mão no final do jogo, quando todas já estiverem viradas e não houver mais palavras a formar.

Monta Monta

As fichas de letras devem ser viradas para baixo no centro da mesa. Cada jogador, na sua vez, pega pra si uma ficha e vira, colocando na sua frente, exposta. O primeiro jogador que conseguir formar, com suas letras, uma palavra de no mínimo 4 letras, conta um ponto para si e segue no jogo. A rodada recomeça pelo jogador que se segue ao que formou a palavra e assim sucessivamente, até acabarem-se as cartas. No final, ganha quem formar mais palavras.


Dominei

Distribuem-se todas as fichas da caixinha/latinha (excluir o k, w, y e acentos, caso tiver) e começa-se o jogo. O primeiro jogador coloca uma ficha na mesa e o próximo deve pôr outra que
indique uma possível palavra. O terceiro também, e assim por diante, até que uma palavra seja realmente formada. Na sequência outros jogadores poderão completar ou mudar a palavra, como acrescentar um s e formar o plural ou inserir um r em pato, por exemplo, e formar prato. Não importa quem forma a palavra, o que está em jogo é descartar as fichas.

Quando uma palavra é formada por um jogador, e não há letras que possam ser nela inserida, o próximo jogador recomeça, colocando uma letra de uma possível nova palavra. Ganha quem tiver menos cartas quando for impossível formar novas palavras a partir das letras das mãos dos jogadores. Os jogadores que não conseguirem pôr uma letra numa rodada, nem mesmo rearranjando as letras da mesa pra formar outra possibilidade de palavra, passa sua vez.

Pif de Palavras
(jogo proposto pela revista Nova Escola: http://www.cpcd.org.br/extras/Links/Projetos/Nova_Escola_On-line_Sucata.htm)

As fichas devem ser viradas com a face para baixo e embaralhadas. Cada criança compra onze cartas e as demais ficam no monte. Vence quem primeiro formar três palavras usando as onze letras. Não importa o número de letras de cada palavra. Podem ser duas palavras com quatro e uma com três. Uma mesma ficha não pode ser usada em duas palavras. A cada rodada, o jogador compra uma ficha no monte. Se a letra se encaixar na palavra que está montando, a criança fica com ela e joga na mesa uma outra que tenha em mãos, mas que não lhe serve. O próximo jogador pode pegar a letra descartada ou arriscar outra do monte. Caso o monte acabe antes que algum dos jogadores tenha conseguido seu objetivo, basta embaralhar as fichas que já foram abertas na mesa e colocá-las em jogo novamente.

Bom, gente, por ora é isso, dicas sobre a Caixinha de Letras, sua confecção, e alguns jogos, suas regras, para que já possam começar a usar o material. Em breve vou postar mais jogos com as letrinhas móveis e outros com baralhos de letras, ok?

Patrícia, espero ter correspondido a seu pedido! A todos, bom proveito!

Lica

22 comentários:

  1. Jogos fáceis de fazer, que agradam qualquer criança e ajudam a consolidar a ortografia, principalmente de palavras que não possuem regras ortográficas,as tais irregulares, que precisam ser aprendidas com o uso.
    Vou sugerir!

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  2. Continuei pensando...
    Depois, num outro momento, pode-se trabalhar com as palavras formadas: registrando, classificando, construindo painéis de regras, etc e tal.

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  3. Parabéns pela dica,sempre acompanho seu blog e acho que vc nos dá dicas especiais,principalmente para quem está entrando no mundo da alfabetização agora...abraços fraternos

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  4. Oi, Ana!
    Isso mesmo! Com as palavras cujas relações fonográficas são regulares, dá para anotar durante o jogo - enquanto o jogo segue mais solto - e retrabalhar depois, em atividades diversas de reflexão sobre a ortografia.
    Para quem quiser algumas sugestões bem interessantes, ver o livro de Artur Gomes de Morais sobre isso, indicado na bibliografia do blog.
    Durante o jogo, no entanto, é bom deixar as próprias crianças discutirem sobre a grafia e o professor intervir eventualmente na dinâmica das próprias interações durante o jogo, sem parar para "dar aula" durante a partida. Senão perde-se a natureza de jogo. Mas ele pode observar tudo, registrar situações interessantes e retomar depois.
    Como eu disse, são jogos bons mesmo para quem já domina a ortografia.
    Beijos, querida, obrigada por sua participação sempre ativa e inspirada!
    Lica

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  5. Oi, Ana Paula,
    Seja bem vinda! E obrigada.
    Visite sempre, mais dicas estarão a caminho...
    Lica

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  6. Valeu, Lica!!!
    As suas dicas são sempre bem legais! Por isso estou sempre por aqui!!
    Bjs
    Ana

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  7. Oi, Lica!!!
    Amei os joguinhos. Tão simples e tão interessantes.
    Obrigada por responder a meu pedido. Vou já fazer umas latinhas dessas para minha sala e aguardo novas sugestões de jogos.
    Obrigada mesmo,
    Beijos,
    Patrícia

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  8. Lica,
    Gostei dos quadradinhos de letras, vou aderir também. Mas tenho um kit de letras pronto, em formato de baralho, com dois tipos de letras diferentes (maiúsculas e minúsculas) e queria saber alguns jogos para jogar com esse material.
    Temos jogado como só como Memória. Com certeza você tem outras sugestões, faço também o meu pedido, tá?
    Beijos,
    Taíse

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  9. Oi, meninas,
    Patrícia, que bom que gostou. Aguarde que postarei mais sugestões.
    Taíse, já estou preparando o post do Baralho de Letras. Sim, tem outros jogos bem legais para se jogar com o baralho, uns com baralho de 2 "naipes" como o seu, outros com baralhos de 4 "naipes". Explicarei tudo no post, tá? Em breve, bem breve...
    Ana, você já é uma das minhas fiéis escudeiras!
    Beijos a todas e cada uma,
    Lica

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  10. Valeu, Lica!

    É sempre divertido aprender jogando.
    Temos ótimos resultados com aprendizado na matemática utilizando jogos e sinto o mesmo com a escrita...adorei as dicas!
    Bjs.

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  11. Também estou aguardando este post sobre jogos com baralho.
    Bjs.

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  12. Pois é, Papillon...
    Como você sabe, também já fiz alguns joguinhos para trabalhar a matemática... e sei bem o que você diz.
    Aguarde sim o post do baralho, Ana, já está quase pronto! Mas, sabe, ainda gosto mais dos joguinhos com os quadradinhos de letras...permitem - pela maior quantidade de letras - trabalhar mais a ortografia.
    Bjs,
    Lica

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  13. Boa noite a todos!!! Sou professora e estou com um 2º ano, muiiito agitado e com vários níveis de escrita...
    Sempre fui uma professora muito tradicional, ( ba-be-bi-bo-bu), fiquei afastada do ensino fundamental durante 5 anos e percebi que muita coisa mudou... Estou lendo muitas coisas e vendo muitos vídeos para melhorar minha prática... E durante minha busca encontrei seu blog.Gostaria de saber sobre os materiais...Já fiz o bingo de letras e já trabalhei em sala de aula, foi super legal....
    Fiz também o que mostra nas imagens e nomes dos personagens da turma da Mônica....
    Mas como joga?
    E os cursos...Como posso participar????
    Gostaria de uma resposta...
    Meu e-mail: lilianevaristoexclusiva@yahoo.com.br
    Desde já agradeço...
    Lilian

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  14. Oi, Lilian,
    Tudo bem?
    Que bom que você já está fazendo seus materiais!
    As oficinas, por ora, têm acontecido só aqui em Salvador, onde moro, ou em cidades próximas, no contexto de algum curso que me convida. Não sei de onde você é...
    De qualquer modo, podemos trocar alguma coisa aqui pelo blog e pelo email oficinasdealfabetizacao@hotmail.com, e sempre posso passar as dicas que precise para fazer um material. Não é a mesma coisa de participar de uma oficina (não mesmo!), mas já ajuda, na falta dela.
    O kit da Turma da Mônica pode ser usado de modos diversos, conheço crianças que se divertiram só mesmo em ir arrumando, juntando o nome à figura dos personagens.
    Mas um jeito de jogar que é bacana é como o jogo do Mico, formando pares (nome-figura), um jogador puxando uma carta do outro, ou ainda do monte. Nesse caso não tem o mico que sobra, como no jogo original, ganha quem terminar primeiro as cartas da mão. Pode também computar os pares formados por cada jogador.
    A dica que dou é começar com poucos personagens, os mais conhecidos, e ir aumentando aos poucos, à medida que forem conhecendo outros. Para jogar é preciso, evidentemente, que as crianças conheçam primeiro os personagens, que tenham o contato com os quadrinhos da Turma, senão não faz sentido.
    É isso, qualquer dúvida, pode perguntar!
    Um abraço,
    Lica

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  15. Agradeço por me responder...
    Moro em São Paulo.... Realmente é uma pena não poder participar das oficinas, pois pessoalmente é outra coisa....
    Mas fiquei super feliz por sua resposta... E já vou trabalhar em sala com meus pequenos...
    Agradeço muiiito.....Parabéns por divulgar e compartilhar seu trabalho....
    Um abraço Lilian

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  16. Oi, Lilian,
    Pois é...ao vivo é realmente bem mais legal, as oficinas são ótimas oportunidades para trocas várias entre todos, para aprender fazendo, experimentando, compartilhando descobertas, achando os jeitos diferentes de cada um fazer - eu inclusive aprendo muitíssimo. É muito rico.
    Mas como te disse, estou disponível para trocar ideias e para dar as dicas para que possam fazer seus materiais aí de longe mesmo. Veja os materiais de Ana Lúcia, tudo feito à distância!!! Muito jeitosa, com poucas dicas ela foi longe...
    E pode ter certeza que sempre responderei aos comentários, perguntas, pedidos, tá?
    Apareça!
    Um abraço,
    Lica

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  17. Boa Noite a todos...
    Estou tentando montar o jogo faltando as vogais...
    Mas como jogar???Tem um dado... Parece que vi um nas fotos do Picasa....
    E quantas fichas devo fazer???
    A mesma coisa posso fazer faltando as consoantes???
    Peço desculpas por tantas perguntas... Mas agora que conheci o blog estou super ansiosa por confeccionar todos os jogos possíveis....
    Já fiz o bingo de letras, sílabas, numerais e o da turma da Mônica...
    E eles amaram.... E parece mentira... Mas acreditem está dando ótimos resultados...
    Tem três alunos que já estão lendo.... E quando iniciaram o ano estavam pré-silábicos....
    A sala fica agitada... Mas vale a pena... Os resultados são super rápidos...
    Mas como diria Paulo Freire: Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão....
    Agradeço a todos e aguardo...
    Um abraço,
    Lilian

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  18. Oi, Lilian,

    Tudo bem?

    Fico feliz que esteja fazendo os materiais e mais ainda de saber que está dando bons resultados no seu grupo. E obrigada pelo comentário. É importante ter esses feedbacks, tanto para mim quanto para as outras pessoas, pois se muitos acreditam nessa metodologia, veem resultados positivos, outros ainda a veem com muita desconfiança. Assim, ouvir de outras professoras, que estão em sala de aula, é muito importante! Obrigada mesmo!
    Vou postar em breve as dicas sobre o Faltando Vogais, já que, além de você, outras professoras também fizeram várias perguntas.
    Joga-se com o dado de vogais sim, e é um jogo fonológico muito legal para as crianças com hipóteses silábicas.
    Mas explico tudo direitinho no post, tá?
    Continue participando, perguntando, provocando e dando seus depoimentos sobre os usos dos jogos.
    Essa partilha é muito importante para mim e para todos, tenho certeza!
    Um abraço,
    Lica

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  19. Muiiiito Obrigada.....
    Assim que confeccionar e passar para os alunos comento como foi a experiência....
    Um abraço Lilian

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  20. Beleza! E se fizer registros fotográficos, mande por e-mail para eu ver a folia!
    Abração,
    Lica

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  21. Manda ver! Façam o de vocês. Esse é bem fácil e muito legal mesmo.
    Abç,
    Lica

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