domingo, 13 de março de 2011

Baralho de Letras

Oi, oi,
Conforme prometido, seguem dicas de joguinhos com os baralhos de letras do alfabeto, ou seja, cartas de letras em formato de baralho. Aqui tratam-se de jogos para trabalhar diversos aspectos, desde as letras, sua categorização gráfica, a série (ordem) alfabética, bem como a ortografia, em alguns casos.
Os jogos com as Latinhas de letras, apresentados no post anterior, exigem mais número de letras, especialmente daquelas muito frequentes na nossa língua escrita. Os jogos aqui apresentados exigem duas séries ou quatro séries de alfabetos apenas, constituindo-se assim em baralhos contendo, cada, apenas uma de cada letra do alfabeto.

Para alguns jogos bastam duas séries (dois baralhos) de letras, que podem ser iguais ou apenas se diferenciando por cor, mas podem também ser diferentes, o que permite outras possibilidades, como a comparação de letras maiúsculas e minúsculas, por exemplo. Assim, podemos juntar um baralho em letra de imprensa maiúscula com outro em minúscula, ou juntar um de imprensa com um de cursiva. As combinações podem ser muitas, essa escolha depende da turma, do que se tem trabalhado nela.
O mesmo se dá com os jogos que exigem quatro baralhos, ou seja, quatro séries de alfabeto. Pode ser todos os baralhos em letra maiúscula, mas com fontes diferentes, letras de tipos diversos, como de imprensa maiúscula e minúscula e cursiva também maiúscula e minúscula, ou mesmo todos os baralhos em letra de imprensa maiúscula, variando as séries apenas por cor. O importante, para alguns jogos, é que haja quatro "naipes" diferentes marcados por qualquer critério. Volto a dizer que o modo de estruturá-los define mais ou menos desafios para as crianças, já que associar um A maiúsculo com outro A maiúsculo, diferenciados só pela cor, é bem diferente de associar um A maiúsculo com um a minúsculo, quando é preciso recorrer a esse conhecimento relativo à categorização gráfica das letras.
A categorização gráfica das letras diz respeito, conforme ensina Cagliari (bibliografia do blog), à diferenciação das letras entre si, uma das outras, uns tipos de outros, suas formas. Implica em reconhecer a "unidade na variedade", como diz o autor, ou seja, a letra A, por exemplo, pode se apresentar de formas variadas, sendo sempre a letra A. A categorização funcional, por sua vez, remete-se às relações entre letras e sons/sons e letras, ou seja, implica o aspecto funcional na definição do que seja uma letra.
Embora seja recomendável, segundo muitos autores, alfabetizar usando prioritariamente um único tipo de letra - em especial a letra de imprensa (ou bastão) maiúscula -, reconhecer os variados tipos de letras é importante para a categorização gráfica que, por sua vez, relaciona-se com a categorização funcional das letras. É nesse sentido que os jogos de reconhecimento de letras maiúsculas e minúsculas, em especial, tornam-se interessantes mesmo antes de as crianças estarem efetivamente alfabetizadas.

Bom, chega de conversa...vamos aos jogos!

Jogo SET (Ou Trincas de Letras)

O SET é um jogo se trincas muito bacana, baseado no jogo SET ou no conhecido Pif Paf (que tem vários nomes, Pife, Cacheta etc.). Ele exige uma boa estratégia dos jogadores para que possam formar seus sets de três cartas. Ele trabalha as letras, a série alfabética e a ortografia também. Joga-se com 4 baralhos de letras, ou seja, 4 séries alfabéticas. Nesse caso, para o jogo ser mais produtivo, é importante os baralhos trazerem letras diferenciadas não apenas por cor da carta ou da letra, mas por tipos de letra. Embaralham-se e distribuem-se, sem olhar, 9 cartas para cada jogador (4 é um bom número, mas pode ser mais); o restante das cartas constitui o monte. O objetivo é formar Sets, ou seja, trios de cartas que atendam a um dos critérios a seguir:

 

- Trio que forme uma sequência de letras (sequência alfabética ou das vogais, ex. abc; rst, aei, eio).
- Trio de uma mesma letra que pode variar de tipo (maiúscula, minúscula, cursiva: Aaa).
- Uma palavra de três letras (pia, meu, sal, sim, não, sua, seu, pai, mel, pás, mal, lei, imã...)

Quando se joga com crianças ainda não alfabéticas, o critério "palavra" pode ser excluído, já que ainda não se apropriaram do princípio alfabético e as palavras lhes parecerão escritas com menos letras do que são de fato.

Todos os jogadores devem verificar se com as cartas que têm na mão já dá para fazerem trincas e se afirmativo, baixam na mesas os Sets formados. Uma vez formado, nenhum Set pode ser mexido.

Em sua vez, cada jogador compra uma carta no monte e descarta outra na mesa, virada para cima, como no jogo Buraco, e vai tentando formar novas trincas (Sets). Pode também pegar o "lixo" descartado, se lá houver cartas interessantes para o seu jogo, e nesse caso, não descarta, apenas deixa uma na mesa.

Ganha quem acabar suas cartas primeiro e fizer mais Sets. Se quem “bater” tiver menos Sets que outro jogador, ganha quem tiver mais Sets. Pode-se também estabelecer uma pontuação para quem bate e outra para cada trinca feita e, no fim, contar os pontos de todos para ver quem ganhou.
Variante:

Em vez de jogar como no Buraco, joga-se como na dinâmica do jogo “Fedor”: distribuem-se todas as cartas entre os jogadores e todos devem formar seus Sets, dispondo-os na mesa. Após esse momento, cada um vai, no seu turno, puxando uma carta do jogador subsequente e verificando se faz novos Sets.

Jogo da Paciência
Paciência é um jogo bem conhecido. Essa aqui pode ser jogada por uma só pessoa ou por duas. Trabalha as letras e a ordem alfabética, brincando.

Usa nesse jogo dois baralhos apenas, mas que tenham algum tipo de diferença, sejam de cor das cartas das duas séries ou cor das letras, seja de tipo de letras. O ideal é um baralho de letra de imprensa maiúscula e outro de minúscula, pois já inclui o trabalho com a categorização gráfica, o reconhecimento de tipos diferentes de letras.

Embaralham-se as cartas e, sem olhar, viradas para baixo, arruma-se cada série de 23 ou 26 letras
uma abaixo da outra, de modo a poderem ser viradas durante o jogo.

O objetivo do jogo é formar duas as séries de alfabetos (respeitando os dois diferentes tipos), uma acima, outra abaixo.

Antes de iniciar a rodada, combina-se de quem vai ser o dono de cada série (ex. a série de minúsculas será do jogador 1 e será arrumada na parte de baixo; a série de maiúsculas será do jogador 2 e será arrumada na parte de cima). Um dos jogadores inicia o jogo virando uma carta de qualquer linha (abaixo ou acima) e deve arrumá-la na série em seu lugar adequado, considerando a ordem alfabética e o combinado relativo ao dono da série. Dependendo da carta (da correspondência ao combinado inicial) o jogador a coloca na série acima ou abaixo e o outro jogador deve virar a carta que está nessa posição, checando, por sua vez, onde deverá colocá-la e assim sucessivamente, até que uma das séries se complete. O ganhador será aquele que, na combinação, era o “dono” daquela série que se completou primeiro. É um jogo de sorte apenas, mas desafia os jogadores a encontrarem o lugar exato da carta na série alfabética incompleta. Para fazer isso têm que repetir a ordem mentalmente ou apontando as cartas várias vezes, cada vez que for incluir uma carta na ordem. Eventualmente, à medida que o jogo avança, é preciso ajustar o lugar das cartas, caso tenha havido algum engano que se revela quando uma das séries vai se completando (porque as duas estão pareadas e dá para comparar).

Um outro interesse do jogo é que força os jogadores a pensar em trechos da série alfabética em vez da série toda para encontrar o lugar de uma letra, como é muito comum entre as crianças. Por exemplo, para achar onde coloca o T não precisa começar do A, mas pode começar do PQRST, caso a carta do P já esteja virada para cima. Isso é bom para flexibilizar o conhecimento da ordem.

Para jogar sozinho, o jogador faz todos os movimentos e o objetivo é formar as duas séries, não havendo ganhadores, apenas o desafio da "paciência" normal de jogos desse tipo.

Jogo ABC

Esse jogo trabalha o reconhecimento de letras, seus nomes, a série alfabética. Sua estrutura e dinâmica são de um jogo conhecido, o Tapa ou Tapão, jogado com baralhos normais, que trabalha a série numérica. Joga-se com ao menos duas séries de alfabeto (para duas pessoas) ou mais (3 ou 4 séries, para 4 jogadores). Dividem-se as cartas embaralhadas entre os jogadores, que ficarão com elas viradas para baixo na mão e as descartarão sem olhar. O primeiro jogador abre uma carta no centro da mesa e diz, simultaneamente, “A”, independentemente do valor de sua carta. O jogador seguinte vira outra carta e diz “B”, o seguinte “C” e assim sucessivamente, até o fim do alfabeto, quando se recomeça do “A”. A ordem alfabética deve ser toda "cantada" durante o jogo.
Quanto mais rápido e ágil forem as jogadas, mais dinâmico é o jogo, o controle e lentidão o torna monótono e sem surpresas. Deve-se, assim, dizer o nome da letra na ordem alfabética ao mesmo tempo que joga a carta na mesa, e o jogador seguinte deve já "engatilhar" sua carta, para o jogo ser dinâmico. Quanto mais as crianças souberem a série de cor, mais rápido será o jogo.

Quando a carta virada coincidir com a letra enunciada, o jogador que a virou e disse seu nome deve ficar com as cartas do monte descartado para si. Caso o jogador seguinte, pela rapidez do jogo “cubra” a carta, virando a seguinte na mesa, ele é quem leva o monte da mesa, e essas cartas entram no jogo outra vez, ficando sua mão mais cheia, mais longe de ser ganhador.

Ganha quem acabar as cartas da mão primeiro. Quando as cartas de um jogador acabarem, o jogo pode continuar para se determinar o segundo, terceiro lugar.

Variante do jogo (mais próximo ainda do jogo Tapão, com o baralho tradicional):

Quando a carta virada coincidir com a letra enunciada, todos os jogadores devem colocar a mão sobre o monte da mesa e o que a colocar por último, leva o monte para si.

Nesse caso, quando as cartas de um jogador acabarem, ele ainda estará na rodada, devendo pôr a mão quando a situação se apresentar. A enunciação da ordem alfabética segue normalmente só que os outros jogadores deverão pular aquele jogador, já que ele não tem cartas para jogar. Se, na mesma rodada em que um jogador acabou com as cartas, este for o último a por a mão sobre as cartas descartadas, ele receberá todas as cartas do monte. Um jogador apenas estará, de fato, fora do jogo quando suas cartas acabarem e ele conseguir não ser o último a por a mão sobre as cartas.

Jogo dos Pares
O Jogo dos Pares funciona como um jogo de pareamento um a um como no Mico Preto ou Fedor, só que aqui, os pares são de letras e não há sobra de carta, como no Mico. Mas pode também ter um coringa e fazer como no Mico.
Joga-se com dois “naipes” (duas sequências de alfabeto), de preferência, diferentes, como um baralho (sequência alfabética) em letras maiúsculas e outro em minúsculas, um em letra de imprensa e outro cursivo etc. Pode também jogar com dois baralhos iguais, ambos com letra maiúscula de imprensa, por exemplo (podendo variar fontes ou cores). O importante é ter duas séries de alfabeto. Entretanto, é mais produtivo se forem diferentes não apenas em aspectos visuais, como cor da carta ou da letra, mas no tipo de letra, contribuindo, como já enfatizado, para o reconhecimento dessas diferenças gráficas.
Para jogar, distribuem-se as cartas entre os jogadores e esses devem, no primeiro momento, verificar se formam algum par de letras iguais (mesmas letras), como, por exemplo, os pares A-A ou A-a ou A-a ... Os pares formados devem ser retirados da mão e guardados pelos jogadores, essas cartas são suas e devem ser guardadas até o final do jogo.

Com as cartas restantes em mãos, os jogadores devem começar a partida comprando uma carta do jogador ao lado (combinar o sentido horário do jogo e o sentido também horário ou anti-horário da compra de cartas) e ir vendo se mais pares podem ser formados e assim sucessivamente.
Vence quem terminar as cartas de sua mão primeiro. Se quiser pode introduzir também um coringa, apenas um (que pode ser uma carta com um desenho, por exemplo) e jogar como Mico Preto, perdendo quem fica, no final do jogo, com o coringa na mão. Nesse caso, quem for terminando as cartas vai sendo o primeiro, segundo, terceiro lugares e perde aquele que fica com o coringa no final.
Pode também, alternativamente, estabelecer pontos para a quantidade de pares formados e ver quem ganha contando os pontos (pontos de batida, ou seja, quem termina as cartas da mão primeiro; pontos por pares formados e pontos que se perde quando termina com o coringa na mão).
Jogo dos Pares (com compra da mesa)
(variante)

Numa variante do jogo dos pares, podemos proceder da seguinte forma:
Cada jogador ficará com 7 cartas e deverá formar pares de letras, conforme explicado acima, mas as segura na mão. As cartas que restarem ficarão na mesa, num monte, com as figuras voltadas para baixo, de modo a não serem vistas. O jogador que inicia o jogo compra uma carta do monte. Se ela formar um par com uma carta de sua mão, ele baixará na mesa os pares que tiver em mãos (aqueles que se formaram na sua própria mão, na distribuição das cartas, e aquele formado com a carta comprada, caso tenha formado). O jogador, então, descartará outra carta, que não lhe interesse, a qual ficará na mesa separada das demais, voltada para cima de modo a ser vista, no "lixo".

O jogador seguinte poderá comprar uma carta no monte ou pegar aquela descartada pelo outro jogador no "lixo". Se não pegá-la, esta continuará na mesa ("lixo"), com a outra que ele descartar, e assim sucessivamente. Quando um jogador optar por pegar uma carta que tenha sido descartada no "lixo", deverá, também, recolher as demais cartas descartadas e não apenas a que lhe interessar, deixando apenas uma carta na mesa. Quando não houver mais cartas na mesa e no monte, o jogador deverá retirar uma carta do companheiro que estiver á sua direita, até que todos os pares estejam formados. Perde o jogo aquele que ficar com o coringa.

É isso, gente! Como eu disse, pela quantidade de letras, não dá para jogar muitos jogos de ortografia. Confeccionando um baralho com o número de letras indicados para as Latinhas de Letras - no post anterior - aí sim, podemos também jogar muitos jogos de ortografia com o formato baralho, inclusive os do post anterior e também buraco de letras!
Ganha quem terminar primeiro as cartas da mão e os outros vão sendo o segundo, terceiro lugares, como na variante acima. Pode também, como no outro, estabelecer pontos para a quantidade de pares formados e ver quem ganha contando esses pontos.
Aliás, é essa a lógica do baralho Pingo no i, que já citei aqui, hoje em dia comercializado pela conhecida marca Copag (http://www.copag.com.br/port/jogosPingo.asp).

Muitos outros jogos, suas estruturas e dinâmicas, podem ser a base para jogos de letras. Com esse baralho, por exemplo, podemos ainda jogar o Jogo do Burro, ou simplesmente Burro, passando as cartas entre os jogadores até formar suas quadras.

Espero que mais essas dicas de jogos entrem para o repertório de suas salas de aula de alfabetização.
Inté a próxima!
Lica



domingo, 6 de março de 2011

Jogos com letras móveis

Como prometido a Patrícia e a outros que já me pediram, esse post é direcionado a crianças já alfabetizadas, com o objetivo de trabalhar a ortografia. De início, vou apresentar o material e as regras de alguns jogos. Aos poucos vou postando outros jogos e outros materiais.
Esses que se seguem são joguinhos interessantes para crianças recém alfabetizadas, que já descobriram o princípio alfabético, quando o processo de reflexão sobre as nuances da ortografia da língua escrita constitui-se como o novo desafio. São bastante produtivos também para o segundo ano (primeira série) do Ensino Fundamental (e, por vezes, para todas as séries iniciais). São, aliás, jogos bons de jogar mesmo por qualquer pessoa, pois têm as características de jogos de mesa comuns, que divertem, passam o tempo, apresentam desafios, mesmo para quem já escreve bem.
Os jogos demandam a rapidez para formar palavras e exigem que as crianças pensem em cada letra que forma determinada palavra que querem montar. Em contexto pedagógico, as próprias crianças podem, durante o jogo, discutir e validar a escrita de certas palavras que tenham dúvida sobre a grafia, ou o professor pode ajudar com intervenções. De todo modo, ao final, o professor pode olhar as palavras formadas e questioná-los sobre a grafia de alguma que esteja incorreta, do ponto de vista convencional, possibilitando boas discussões e reflexões.
São jogos que se jogam a partir de Caixinhas ou Latinhas de Letras, como a que ilustra o final desse blog, confeccionada pela aluna querida, Michelle, ou como essa abaixo, minha, que fiz com latinha de cappuccino (antes de virarem de plástico!).

Para esses jogos juntam-se várias séries de alfabetos completos ou usa-se a caixinha/latinha previamente organizada, com um número razoável de letras móveis (quantidade ideal abaixo). Também podem ser usadas cartas de baralhos de letras, mas o tamanho ideal das fichinhas é de aproximadamente 2 x 2 cm. Para alguns jogos, o tamanho quadradinho é mais interessante. Para outros, o baralho é uma opção interessante, como será indicado, quando for o caso. O bem é ter as duas formas. As caixinhas/latinhas e os baralhos servirão para jogos diversos.

Organizar as latinhas ou caixinhas de letras é mais funcional, na hora de distribuir o material para os grupos que irão jogar (4 jogadores parece um número razoável) do que juntar séries de alfabeto na hora. Isso facilita muito a dinâmica em sala de aula. Caixinhas e latinhas pequenas, forradas e decoradas são ideais para compor os jogos. É bom ter, no mínimo, um conjunto/caixinha para cada mesa de 4 alunos. As latinhas ou caixas podem ser pintadas, forradas com papel bonito ou produzidas com colagem de papel rasgado ou cortado, bem decoradas.

Para confeccionar as letras móveis, usar letras impressas, incluindo k, y e w, coladas em quadradinhos de duplex (2 x 2cm), uma a uma, deixando uma margem colorida pequena. Ou podem ser impressas diretamente em papel mais grosso (tipo canson, com uma gramatura maior), o que é mais prático, mas menos bonito.
O número de fichas para três a quatro jogadores (uma latinha ou caixinha) pode seguir a seguinte recomendação de quantidades, que diz respeito à frequência em que as letras aparecem no português.

A quantidade mínima ideal de letras – mas pode ser mais – para compor uma caixinha ou latinha é a seguinte:

A: 12

E, O: 9 de cada

I, U: 8 de cada

R, S, T: 6 de cada

B, C, D, F, G, J, L, M, N, P: 3 de cada

Ç, H, Q, V, X, Z: 2 de cada

K, W, Y: 1 de cada

Faça ainda oito coringas, que podem ser usados no lugar de qualquer vogal (cartas contendo as 5 vogais escritas em tamanho menor). Os coringas de vogal são introduzidos nos jogos para completar a latinha/caixinha com um maior número de vogais. Os coringas são fichinhas contendo as quatro vogais escritas, e valem como qualquer uma das vogais. Em alguns jogos, uma vez determinando o seu valor na partida (a vogal que representa), este não pode mudar durante o jogo, em outros, esse valor pode ser mudado, conforme será indicado nas regras. Só vale um coringa por palavra.
Acentos podem também ser incluídos nas caixinhas/latinhas, não para entrarem no jogo, mas para por nas palavras, caso os alunos sintam necessidade de acentuá-las. Fazê-los em outra cor e tamanho (ou forma, como em fichinhas redondas) é importante para não se misturarem com as fichas de letras que realmente valem no jogo. Vejam os acentos da minha latinha...estão tão velhuscos, de tanto que já usei. Preciso renovar!!!

Abaixo seguem regras de alguns jogos. Ah, muito importante: recomendo a todos os professores que joguem o jogo com outros colegas ou entre amigos, antes de propor aos alunos, para entender bem os procedimentos, “sentir” o jogo, as dificuldades que se colocarão para as crianças e até ajustar regras ao grupo, caso necessário. Saber jogar para ensinar a jogar e ajudar os alunos durante o jogo é essencial. Certo?

Pingo
(jogo proposto no baralho Pingo no i:
www.pingonoi.com.br)

Viram-se as fichinhas de letras para baixo no centro da mesa. Cada jogador, na sua vez, vira uma ficha, até que alguém da mesa consiga, com essas letras abertas, formar mentalmente um palavra de, no mínimo 4 letras. Quem conseguir (só olhando) formar uma palavra primeiro (não precisa esperar sua vez de jogar) diz “Pingo” e pega as letras para formá-las (deixando as que não lhe servem no centro da mesa). Se esse jogador conseguir, de fato, formar a palavra, ele fica com as cartas. Se não conseguir, outro pode dizer “Pingo” e formá-la, nesse caso, pode usar outras letras expostas na mesa e é ele quem fica com as cartas da palavra. A partida segue pelo jogador seguinte ao que formou a palavra, cada um virando uma ficha na sua vez. As fichas que ficaram no centro continuam lá e podem ainda ser usadas na formação de novas palavras. Ganha o jogo quem ficar com mais fichas na mão no final do jogo, quando todas já estiverem viradas e não houver mais palavras a formar.

Monta Monta

As fichas de letras devem ser viradas para baixo no centro da mesa. Cada jogador, na sua vez, pega pra si uma ficha e vira, colocando na sua frente, exposta. O primeiro jogador que conseguir formar, com suas letras, uma palavra de no mínimo 4 letras, conta um ponto para si e segue no jogo. A rodada recomeça pelo jogador que se segue ao que formou a palavra e assim sucessivamente, até acabarem-se as cartas. No final, ganha quem formar mais palavras.


Dominei

Distribuem-se todas as fichas da caixinha/latinha (excluir o k, w, y e acentos, caso tiver) e começa-se o jogo. O primeiro jogador coloca uma ficha na mesa e o próximo deve pôr outra que
indique uma possível palavra. O terceiro também, e assim por diante, até que uma palavra seja realmente formada. Na sequência outros jogadores poderão completar ou mudar a palavra, como acrescentar um s e formar o plural ou inserir um r em pato, por exemplo, e formar prato. Não importa quem forma a palavra, o que está em jogo é descartar as fichas.

Quando uma palavra é formada por um jogador, e não há letras que possam ser nela inserida, o próximo jogador recomeça, colocando uma letra de uma possível nova palavra. Ganha quem tiver menos cartas quando for impossível formar novas palavras a partir das letras das mãos dos jogadores. Os jogadores que não conseguirem pôr uma letra numa rodada, nem mesmo rearranjando as letras da mesa pra formar outra possibilidade de palavra, passa sua vez.

Pif de Palavras
(jogo proposto pela revista Nova Escola: http://www.cpcd.org.br/extras/Links/Projetos/Nova_Escola_On-line_Sucata.htm)

As fichas devem ser viradas com a face para baixo e embaralhadas. Cada criança compra onze cartas e as demais ficam no monte. Vence quem primeiro formar três palavras usando as onze letras. Não importa o número de letras de cada palavra. Podem ser duas palavras com quatro e uma com três. Uma mesma ficha não pode ser usada em duas palavras. A cada rodada, o jogador compra uma ficha no monte. Se a letra se encaixar na palavra que está montando, a criança fica com ela e joga na mesa uma outra que tenha em mãos, mas que não lhe serve. O próximo jogador pode pegar a letra descartada ou arriscar outra do monte. Caso o monte acabe antes que algum dos jogadores tenha conseguido seu objetivo, basta embaralhar as fichas que já foram abertas na mesa e colocá-las em jogo novamente.

Bom, gente, por ora é isso, dicas sobre a Caixinha de Letras, sua confecção, e alguns jogos, suas regras, para que já possam começar a usar o material. Em breve vou postar mais jogos com as letrinhas móveis e outros com baralhos de letras, ok?

Patrícia, espero ter correspondido a seu pedido! A todos, bom proveito!

Lica

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Travadinhas

Olhem que legal!!!
Postei recentemente a indicação de livros para alfabetização, lembram? Pois bem, a Ana, lá de Petrópolis, já se inspirou no livro Travadinhas, de Eva Furnari, e confeccionou seu material com algumas opções interessantes de uso.

Vejam como ficou bem feito, colorido e bonito. Que crianças não vão encher os olhos!?! Agradeço a ela pelas fotos e por concordar em compartilhar seu material aqui com vocês.
Pois bem, o livro de Eva Furnari traz travalínguas engraçados e ilustrados, bons para rir, tentar dizer desenrolando a língua, brincar, memorizar. Tem uns com palavras bem difíceis, que podemos ajudar a pronunciar e a montar.
O material é composto das ilustrações com o texto, das ilustrações sem o texto, dos travalínguas fatiados em palavras e os mesmos fatiados em letras móveis.
Ana fez envelopinhos coloridos com as ilustrações sem o texto, assim, põe dentro dele os fatiados e as crianças têm que montá-los a partir do texto correpondente àquela imagem. Se memorizaram o travalíngua, montam ajustando o oral ao escrito. Se não, o(a) professor(a) deve ir lendo e relendo-o para que as crianças possam ir montando.
As ilustrações com o texto - como essa do guarda-chuva ao lado - servem para atividades de leitura, pseudoleitura, identificação de palavras, além de base para o(a) professor(a) ir lendo os travalínguas para ajudar as crianças a montarem os textos.
Evidentemente, para montarem os fatiados, não devemos entregar a ilustração com o texto, pois senão as crianças tomarão o texto pronto como referência para sua montagem, sem fazer o esforço de ajustar texto e escrita, de refletir sobre quantas e quais letras precisam para montar determinada palavra.
Isso pode ser proposto, eventualmente, apenas para crianças que escrevem a partir da hipótese silábica, especialmente aquelas que não levam em consideração o valor sonoro das letras, pois o esforço de ir e vir ao texto, para remontá-lo com as letras móveis, pode se constituir, em si, em um desafio para ela.
Bom, então, os envelopes podem ser entregues com as letras móveis ou com os fatiados em palavras, a depender do domínio de leitura e escrita das crianças.
Para as crianças com hipóteses alfabéticas e silábico alfabéticas será mais produtivo entregar as letras móveis, pois se já leem, montar as palavras será muito fácil.
Alguns dos travalínguas oferecem desafios consideráveis, mesmo para crianças já alfabetizadas, pois trazem palavras grandes, pouco comuns - como problemática, ventríloco, peripatética, trambolhos, magnética -, bem como dificuldades ortográficas interessantes, bem frequentes em travalínguas, como o uso do x/ch, do j/g, do v/f, s/z, encontros consonantais, e é preciso prestar bem atenção a sua ortografia. Isso é bom quando temos aqueles alunos já mais adiantados na sala, que precisam de desafios maiores.
Para as crianças com hipótese silábica com valor sonoro, ordenar as palavras e montar os travalínguas será bem desafiante.


Ana colocou o ponto final dos textos. Não precisa, mas é interessante também para começarem a prestar atenção nisso.
É isso, gente. Se animem!


Nas minhas Oficinas, sempre aparece alguém assim inventadeira que, mesclando ideias que circulam na Oficina com outras referências, com suas necessidades específicas e suas próprias invencionices, criam ótimos materiais.
Foi assim com as parlendas e travalínguas fatiadas em inglês, inventadas por uma professora de língua estrangeira, foi assim com os jogos e kits literários das meninas da Faced, foi assim com as adaptações para os pequenininhos da Educação Infantil no Projeto Salvador, bem como com outras tantas situações e desdobramentos que vi acontecer esses anos todos.
Essa, entretanto, é a primeira vez que vejo uma moça inventadeira, tão longe daqui, rapidinho pegar o espírito da coisa e já materializar tantos kits tão legais. Esse foi um deles.
Por isso, compartilho com vocês o kit de Travadinhas, feito por Ana Lúcia Antunes e deixo o meu agradecimento por seu compartilhamento, sua participação no blog, sua dedicação a uma educação mais lúdica, gostosa e muito consistente, reflexiva, atual.
Valeu, Ana! Fica a dica aqui para a galera que anda por aqui. Vamos, gente, vamos inventar!
Beijos,
Lica

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Mais uma Caixinha de Livro

Macaco Danado
Oi, gente,
Esse é um livro que já entrou para a lista dos meus livros favoritos: Macaco Danado, de Julia Donaldson (texto) e Axel Scheffler (ilustração), da Brinque-Book. É dos mesmos autores do maravilhoso O Grúfalo. No original, chama-se Monkey Puzzle, bem a propósito.
Adoro contar essa história para meu filho, que vai fazer 4 anos, e ele também adora ouvir. Coisa de mãe? Talvez. Leia e veja por quê. Mas a história é bem legal mesmo.
As ilustrações são lindas e ajudam na atmosfera e na construção do sentido do texto, parece mesmo que estamos numa floresta, como no Grúfalo também. Mas vá lá, como para entender o material é preciso ler o texto, segue a história (mas sem a vida do livro, garanto!).

Macaco Danado

- Perdi minha mãe!

- Sossegue macaquinho não chore - disse a borboleta.
Vamos procurá-la agora. De que tamanho ela é? Assim do meu?

- Não! - o macaquinho exclamou. - É bem maior do que eu.

- Maior do que você? Então já sei onde encontrá-la.
Venha macaquinho, venha comigo, vamos achá-la.

-Não, não, não! Aquilo é um elefante.
Minha mãe não é tão grande.
Não tem tromba e nem presas afiadas,
e suas patas não são tão pesadas.
Quando enrola a cauda fica bem elegante.

- Ela enrola a cauda? Então está bem perto.
Vamos, macaquinho! Agora é certo.

- Não, não, não! Aquilo é uma cobra.
Não se parece nem um pouquinho.
Minha mãe não desliza pela floresta.
Nem põe ovos num ninho.
E minha mãe tem mais pernas do que esta.

- Ah, são pernas que agora procuramos.
Então, já sei onde ela está. Vamos.

- Não, não, não! Aquilo é uma aranha.
Minha mãe não tem esses pelos pretos
e nem tem assim tantas patas.
Ela prefere comer fruta a insetos
e vive no topo das árvores lá nas matas.

- Ela vive no topo das árvores? Então é pra já!
Está bem em cima de você, olhe lá!

- Não, não, não! Aquilo é uma arara.
Minha mãe não tem bico e sim nariz.
Ela não berra e nem grita e sabe o que diz.
Não voa, pois não tem asas e nem penas.
Minha mãe pula e salta apenas.

- Ah, já sei! Ela vive saltando?
Então, está pertinho. Vamos andando.

- Não, não, não! Aquilo é um sapo.
Borboleta, chega de brincadeira, não acha?
Minha mãe não é verde e nem coaxa.
E ela não vive na lama. Pare de me enganar!
Ela é marrom, peluda e gostosa de abraçar.

- Marrom e peluda? Já sei onde ela está!
Venha comigo, vamos lá.

- Não, não, não! Aquilo é um morcego.
Você está novamente enganada.
Minha mãe não dorme assim pendurada
e também não tem asas, já disse.
Além disso não é tão pequena. Que tolice!

- Sua mãe não é tão pequena? Deixe-me pensar.
Acho que está lá no rio a se banhar.

- NÃO, NÃO, NÃO!
Aquele é o elefante novamente!!!
- Borboleta, preste atenção no que eu digo.
Nenhuma dessas criaturas se parece comigo!

- Mas você nunca me disse que deviam se parecer!

- Claro que não! Achei que soubesse!

- Não poderia saber. Sabe por quê? Eu lhe digo...
...nenhum dos meus bebês se parece comigo!
Mas, se vocês se parecem, é fácil parceiro.
Vamos logo descobrir o seu paradeiro.

- Não, não, não! Aquele é o meu pai!

- Venha macaquinho, está na hora.
Vamos para casa ver a mamãe agora.

- MÃE!


(Esse "mãe" aí do final eu leio assim, bem dengoso: mããããe!!!!)
Essa história é bem bacana para as crianças recontarem, pois é fácil de decorar, tem um ritmo, uma repetição de formas e apresenta situações que permitem um bom encadeamento da narrativa. Favorece, assim o reconto com palavras e frases próximas ao texto escrito e mesmo o reconhecimento visual de algumas palavras, quando contam folheando o livro.
O reconto sem o livro pode se apoiar numa lista dos animais da história na ordem de seu aparecimento. Para servir realmente de apoio, a lista exige o reconhecimento dos nomes, o que em si já é um desafio. Essa lista pode ser escrita no quadro, em cartelas ou pode ser compostas de fichas com os nomes dos animais dispostas na ordem da história (usando o material do kit descrito abaixo).
A história também é bem propícia para a dramatização, seja com as crianças, seja com fantoches, que podem ser confeccionados com elas e manipulados também por elas. Fantoches de feltro, que tal?
O entendimento da trama, do mal-entendido que faz a borboleta não adivinhar logo como seria a mãe do macaco danado, requer, de algum modo, a compreensão do processo de metamorfose da lagarta em borboleta. Isso pode dar margem, depois da primeira leitura, à pesquisa com as crianças, para ampliar o entendimento e a fruição do texto. Primeiro, lógico, é bom investigar o que elas compreenderam e o que já sabem sobre o assunto. O sapo, também personagem da história, teria o mesmo problema da borboleta, pois seus filhotes girinos não se parecem tampouco com os sapos adultos. Talvez fosse interessante, assim, pesquisarem também sobre os filhotes de todos esses animais da história para chegarem à conclusão de qual/quais desse(s) animal(is) poderia(m) ter agido como a borboleta.
A história pode ser ampliada também, com novos animais entrando no enredo. As características deles, que devem confundir a borboleta, podem ser levantadas junto às crianças, criando situações análogas às demais do livro, e bem encadeadas com a situação anterior. Não é fácil, mas pode ser engraçado; comece com apenas mais um, entre dois outros do livro, por exemplo... Para ajudar, podem fazer uma relação de alguns animais da floresta, caracterizá-los e escolher os que trazem características que poderiam servir para a macaca mãe e para confundir a borboleta.
Talvez ajude o que diz sobre o livro no site da Brinque-Book:
Borboleta e macaquinho saem em busca da mamãe macaca. Ela tem uma cauda elegante, mas não é uma cobra; tem pernas compridas, mas não é uma aranha; vive saltando, mas não é sapo. Macaco Danado mostra que muitas vezes a descrição de parte de um todo pode nos remeter a outro todo, completamente diferente. Principalmente em se tratando de macacos, borboletas e seus respectivos filhotes: a maior dificuldade da borboleta está em entender que a mãe do macaco é parecida com ele, pois filhote de borboleta (a lagarta) não se parece com borboleta adulta. fonte: http://www.brinquebook.com.br/livro.php?id=56.
Depois de explorar a história, que tal um kit de materiais para trabalhar a leitura, a escrita, enfim, a alfabetização? Fiz com ele mais uma Caixinha de Livros.



Estou matutando um jogo de tabuleiro a partir desse livro, como também com o do Grúfalo. Mas enquanto matuto, no meu ritmo, apresento aqui para vocês a Caixinha do Macaco Danado.

O kit compõe-se dos nomes dos personagens da história – que podem, por si só, ser usados para algumas atividades, como trem de nomes, comparar a grafia, tentar reconhecê-los, preguicinha, usá-los como uma lista em apoio ao reconto – e das figuras dos respectivos personagens.
Juntar as figuras à seus respectivos nomes, embaralhados na mesa é um bom desafio para as crianças que ainda não tem o domínio da leitura autônoma, mas que podem reconhecer algumas palavras através de indícios diversos, como a letra inicial, final, os conhecimentos da relação entre algumas letras e seus fonemas, através de estratégias diversas de leitura, como a associação de partes da palavra com nomes próprios cuja grafia já conhece (ex. MAcaco - MAria) etc.
A Caixinha compõe-se também de pequenos textos, adivinhas, que se referem a alguns dos animais, de acordo com a história, conforme a ilustração ao lado.

A Caixinha conta ainda com um kit de letras móveis representando os nomes dos animais e de fichas com as figuras e os nomes, faltando letras para as crianças preencherem.
Os pequenos textos podem ser lidos por crianças que já podem fazê-lo com autonomia ou pelo professor, em turmas em que não há ainda leitores com autonomia para isso. Mas para os que podem reconhecer algumas palavras, a adivinha torna-se também um bom desafio.
Como sempre, as atividades a partir do kit Macaco Danado podem ser variadas, mas a essência da coisa é as crianças associarem os nomes às figuras, os pequenos textos aos nomes (e figuras...) e montar as palavras com as letras, sejam nas fichas ou não.
Os que ainda não tem muito domínio de leitura, mas já podem reconhecer palavras, podem relacionar os nomes às figuras. Para os que estão apenas no nível do reconhecimento de letras, o professor pode ir dando dicas de tamanho da palavra, número de letras, letra inicial ou final, presença de tantos “A” ou outras letras etc.
Os que já têm certo domínio de leitura podem tentar ler os pequenos textos e encontrar os nomes correspondentes, numa atividade de leitura, como na figura abaixo.
Outra alternativa bacana é as crianças que sabem ler lerem as perguntas e as outras tentarem encontrar em um grupo de três palavras aquela que responde à adivinha, como na segunda ilustração abaixo.

Para responder às adivinhas dos textos, podem ainda montar os nomes dos animais com as letras móveis, seja usando as fichas Faltando Letras ou não, o que constitui uma atividade de escrita. No caso de preencher as fichas, devem encontrar no universo de letras as que servem para completar a sua palavra, tendo como referência a gravura na ficha. Essas são atividades para os que têm um domínio maior da leitura e escrita.


Essas fichas e letras móveis compõe o Faltando Letras do Macaco Danado. O Faltando Letras é um tipo de material que propõe a composição de palavras a partir da figura e de algumas letras e pode, também, vir associado ao universo semântico de textos. Sua estrutura está também na base de diversos jogos do acervo das Oficinas, como o Faltando Vogais, o 4 Cartelas, dentre outros. O Faltando Letras do Macaco Danado traz os nomes dos persongens, faltando letras para completarem.


As letras móveis podem também ser usadas para montar os nomes a partir das gravuras, tanto para as crianças que escrevem sob hipóteses alfabéticas e silábico-alfabéticas, quanto por crianças que escrevem sob uma hipótese silábica, com valor sonoro. Se já souberem todos os animais da história, podem prescindir das gravuras, que podem, assim, ser usadas em outras mesas (ou ter dois kits de gravuras, para usar em mesas diferentes).

Para as crianças com hipótese silábico-alfabética, será um bom desafio pensar sobre quantas e quais letras para montar as palavras. Para as alfabéticas, será uma oportunidade de refletir sobre a ortografia: MOCEGO? MOSEGO? MOSSEGU? Quantas possibilidades...
No caso de crianças com hipóteses silábicas, elas evidentemente montarão as palavras de acordo com sua hipótese, sem que tenhamos que induzi-las a refletir sobre a escrita convencional dessas palavras. A riqueza está mais nas reflexões que podem ocorrer a partir de diferentes propostas de grafia, nas trocas entre as crianças. Já pensou que troca rica pode haver, a partir de intervenções do adulto, diante de uma dupla em que uma criança propõe a escrita de OEU para MORCEGO e a outra defenda que é MEO? Que interessante poderem descobrir que para escrever MO é preciso mais que uma letra!!! E de repente, se tem uma Mônica na turma, quem sabe outra criança não recorre a esse modelo para argumentar sobre a formação da sílaba MO, ou a professora para provocar? E entre O e U, como se decidir?
As atividades descritas podem ser feitas de diversos modos: no caso da turma não ter ainda crianças que possam ler os pequenos textos autonomamente, o professor pode lê-los e quem tiver a palavra (o animal) correspondente àquela descrição, se manifesta. Ou então os nomes todos podem estar no meio da roda e quem achar a resposta, indica. O mesmo pode ser feito com as imagens, que podem ser mostradas pelo professor. Ou os nomes são mostrados e as crianças devem, reconhecendo a palavra, encontrar a figura correspondente.
Podemos também distribuir os materiais pelas mesas, cada mesa com um item: uma ou algumas mesas com os nomes distribuídos, uma ou algumas com os textos. O professor então mostra as figuras e cada mesa deve descobrir se as têm e encontrar o texto e o nome correspondente àquela figura. Os kits montados vão sendo expostos.
Esses modos coletivos de propor as atividades são bem legais, mas podemos variar também e entregar o kit ou parte do kit nas mesas, de acordo com o nível de domínio de leitura das crianças. É bom ter dois kits de nomes, assim pode entregar o de nomes-figuras numa mesa e o de nomes-textos em outra. Cada mesa deve compor os pares. Nesse caso, outras mesas podem estar com outros kits de outros livros, todos fazendo a atividade simultaneamente. Outra mesa, caso na turma tenham crianças com maior domínio de leitura e escrita, pode também estar com o Faltando Letras do Macaco Danado ou montando os personagens com letras móveis.
Lembrem que ao compor as mesas de crianças, no caso dessas atividades, é preciso considerar o domínio que têm de leitura, para ajustar o grau de dificuldade da atividade. A atividade precisa ser ao mesmo tempo desafiante – elas precisam ativar os conhecimentos que tem para resolver algum desafio – e possível de ser realizada a partir dos conhecimentos disponíveis. Dar a uma criança de nível pré-silábico a tarefa de associar nomes a figuras é algo que ela não pode realizar sozinha, a não ser que possa, em algum caso, fazer uma leitura visual, logográfica, das palavras, pois ela ainda não associa a grafia à pauta sonora. Mas solicitar a uma criança que já domina certas correspondências entre som e grafia, que identifica letras e os valores de algumas delas, ainda que sua produção escrita mostre uma hipótese silábica, aí sim, a tarefa é desafiante e, ao mesmo tempo, possível de ser realizada. Essa atividade para uma criança que já escreve sob uma hipótese silábico-alfabética ou alfabética, já com um alguma possibilidade de leitura autônoma, será fácil demais, precisamos desafiá-la a ler um texto maior, como as adivinhas do Macaco Danado, ou pensar sobre quais e quantas letras são necessárias para escrever/compor os nomes dos animais, pensar sobre a ortografia, coisa que será difícil para uma criança no nível silábico.
Outra coisa, fazer essas atividades em duplas, em pequenos grupos (mesas) ou coletivamente, em vez de individualmente, amplia bastante as possibilidades de todos poderem aproveitar os conhecimentos que circulam sobre a escrita nessas situações.
Enfim, minha gente, é isso. Para o Macaco Danado são essas as sugestões, embora eu ainda esteja matutando o jogo de trilha desse livro.
Até a próxima,
Lica

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Literatura e alfabetização

Oi, gente! 

A pedidos, resolvi falar um pouquinho sobre livros de literatura na alfabetização. A relação entre literatura e educação e, mais especificamente, entre literatura e alfabetização, é um tema vasto já bastante discutido por diversos autores, aos quais me remeto para ampliar a discussão. Mas vou me limitar aqui a trazer uma discussão sobre os diferentes tipos de livros literários a que podemos recorrer no processo de alfabetização e dar algumas sugestões.

Como escrevi em resposta ao comentário de Ana, os livros apropriados para essa faixa etária são muitos, mas a indicação depende também do nosso propósito. Para serem lidos para as crianças, há uma infinidade de bons títulos de livros de histórias, de contos, mais curtos, mais longos, tradicionais, contemporâneos, mitos, lendas, tudo... que não foram escritos nem destinados especificamente para apoiar o processo de alfabetização. Literatura infantil para o deleite das crianças!

Quando o que está em jogo é a leitura literária, a fruição estética, o letramento literário, o contato com os livros, com histórias diversas, com poemas, as possibilidades são inúmeras. Cabe a nós termos um bom senso para fazer as boas escolhas. Trata-se aí de ir ampliando o repertório das crianças, de apreciar diferentes textos, de formar leitores, de inserir as crianças no mundo do letramento literário. A seleção dos livros, nesse caso, vai depender de muitos fatores, inclusive a faixa etária para o qual está indicado (embora essa história de adequação seja muito relativa...), e também das turmas específicas, seus interesses, suas contingências. Há no mercado editorial livros muito bons, nacionais ou não, mas há também os que não se encaixam nessa exigência de qualidade. Quanto mais conhecemos a literatura infantil, mais vamos firmando critérios para selecionar bons livros para ler para as crianças. Assim, para o letramento, há uma infinidade de livros literários.

Alguns deles, inclusive, favorecem a leitura compartilhada com as crianças, por serem repetitivos, de estrutura simples, como os livros de repetição e acumulação e as histórias rimadas, por exemplo. A leitura do adulto pode ir, aos poucos, tendo a contribuição das crianças em algumas partes. Assim, livros como Bruxa, Bruxa, venha a minha festa, por exemplo, permitem também que as crianças memorizem partes do texto ou a sua estrutura e, pela ilustração, vão lendo do seu jeito, fazendo uma pseudoleitura, atividade leitora super importante para a formação do leitor, desde os bem pequenos. Para ter uma ideia do que eu digo, sugiro que vejam isso aqui.
 
Convém destacar também os livros de literatura que permitem uma espécie de leitura autônoma das crianças que ainda não sabem ler, por trazerem poucas palavras, que elas aprendem rapidamente a reconhecer e memorizam o texto. Basta citar uma coleção fantástica nesse sentido, da Brinque Book. São três livros de Jez Albourough, que trazem as aventuras do macaquinho Zezé: Alto, Sim e Abraço. Livros muito bacaninhas e que Joaquim, meu filho, lê sozinho, mostrando as figuras, fazendo as entonações de leitura, experimentando os comportamentos e procedimentos leitores que observa nos adultos que leem para ele - aspectos fundamentais da formação do leitor!


Se o que se tem em mente, entretanto, são livros que também favoreçam o trabalho com os aspectos relacionados ao sistema de escrita, aí temos ao menos três possibilidades. 

Em primeiro lugar, temos os livros em geral - esses referidos acima, não específicos para dar esse suporte à alfabetização - mas que podem possibilitar a proposição de atividades de apropriação inicial da leitura e escrita, como no caso das Caixinhas de Livros que sugiro aqui no blog. Trata-se aí de poder explorar os textos também em termos de suas construções linguísticas. A ideia, nesse caso, é justamente poder estruturar atividades e materiais a partir de livros diversos, que podem ser lidos para as crianças e, depois, ter alguns de seus elementos destacados para favorecer a reflexão sobre a linguagem. Sempre, é lógico - como ressalto nos posts das Caixinhas - sem empobrecer a leitura, sem tornar o texto mero pretexto para isso, sem esvaziar a apreciação mais ampla da obra. Mas, é fato, para falar de literatura e alfabetização - no sentido mais específico de aprender a ler e escrever - é preciso tomar os textos também como objetos de reflexão sobre a linguagem: suas palavras, seus jogos de palavras, seu título, seus enunciados, e explorar diversos aspectos, como o reconhecimento de palavras por diversas estratégias, a comparação e observação da escrita de algumas palavras - suas partes menores, como sílabas, letras, partes maiores e menores que as sílabas, seus sons... Reflexão no contexto significativo do texto literário. Como nas atividades propostas nas Caixinhas de Livros.

Em segundo lugar, numa outra possibilidade, temos os livros que, em si mesmos, trazem jogos de linguagem, que não são escritos ou destinados de modo deliberado para a alfabetização, mas que, por sua natureza poética e lúdica, são de uma riqueza enorme nesse sentido. Por vezes, no entanto, nesse tipo de livro, a intenção pedagógica anda lado a lado com a literária. Nesse caso, os livros podem trazer ou não referências explícitas à presença de princípios linguísticos e fonológicos apropriados à aquisição do sistema alfabético-ortográfico, que fundamentam a alfabetização. Num caso ou no outro, tendo mais ou menos intenção de apoiar a reflexão sobre a língua, eles trazem esse caráter de jogo com a linguagem, com as palavras, de brincadeira com os sons da língua, mas sempre priorizando a função poética e lúdica da linguagem. Isso, no entanto, por si só, os tornam muito apropriados para a alfabetização, já que esta implica em prestar atenção aos sons da língua e às relações entre pauta sonora e gráfica. A matéria da poesia - os jogos sonoros, como rimas, aliterações, assonâncias, as repetições, a versificação, o ritmo etc - são também aspectos fundamentais e riquíssimos no processo de alfabetização.

Entram nesse item os livros que favorecem a reflexão fonológica, como a brincadeira com rimas, aliterações, assonâncias, sons silábicos e fonêmicos, e que ajudam no estabelecimento de relação entre os sons e a grafia. E a poesia oral e literária é rica nesses elementos. Entram aí, então, os livros com textos da tradição oral e diversos livros clássicos ou contemporâneos de poesia para crianças, como a Arca de Noé, de Vinicius de Moraes, Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles, Poemas para Brincar e Lé com Cré, ambos de José Paulo Paes, 111 poemas, de Sérgio Caparelli, dentre outros desse autor, O menino Poeta, de Henriqueta Lisboa, e outros tantos mais...

Podemos inserir aqui também os livros de alfabeto já indicados no post sobre esse tema, que por vezes podem trazer uma indicação explícita de sua intenção como suporte à alfabetização, mas sua natureza poética é mais preeminente do que sua natureza pedagógica. O post sobre os abecedários poéticos está aqui e o do Arquivo Alfabético, aqui, já material estruturado a partir desses livros. 

O AEIOU, de Ângela Lago e Zoé Rios, mostra que apenas substituindo uma letra/um fonema pela(o) outra(o) é possível criar palavras totalmente novas. Como nos jogos de pares mínimos sobre os quais falei aqui. 

Além das transformações linguísticas interessantes, a ilustração também é rica, lúdica e sugestiva. 

Nessa categoria, entram também os livros maravilhosos de Eva Furnari, poéticos e lúdicos, especialmente provocadores da observação das rimas e outros jogos sonoros e fonográficos, num contexto delicioso de brincadeira: Assim Assado, Você Troca?, Travadinhas e Não Confunda são fantásticos jogos de rima e risadas! Aliás, o Não confunda já virou um material que fiz, mas ainda não terminei... E do Travadinhas Ana Antunes fez um material também, postado aqui no blog.

Muitos de Ciça entram aí também: O livro dos trava-línguas, Quebra-língua, Travatrovas, O livro do enrola língua, O livro do nó na língua, Trava trela, dentre outros...


O Enrosca ou Desenrosca e o Salada, Saladinha, ambos de Maria José Nóbrega e Rosane Pamplona, dentre outros desta mesma coleção, também permitem muitos jogos com os textos da tradição oral. 


Tem também um livro bacana, de Ilan Brenman e Fê, O livro da Com-fusão, que se usa justamente da confusão e com fusão de palavras, que juntas, formam outras: galinha + onça = galonça. Mil possibilidades de brincar! 

Futuramente vou fazer um post sobre os bichos malucos com sugestões de livros que misturam bichos com outros, numa brincadeira com e sobre a linguagem, já altamente reflexiva sobre as palavras, sua decomposição e recomposição. (Ops, um tempão depois, já fiz, veja aqui). Esse tipo de livro certamente se encaixa também nessa categoria.
Bom, esses são apenas alguns...mas acho que já dá para começo de conversa, né?

Em terceiro lugar, numa terceira categoria, temos os livros deliberadamente produzidos e direcionados para crianças em fase de alfabetização. Esses são escritos e destinados especificamente para apoiar essa fase de apropriação do sistema de escrita e para a leitura autônoma inicial das crianças, embora guardem sua natureza literária e sejam , no geral, escritos por escritores renomados da literatura infantil. São, geralmente considerados apropriados para esse momento inicial por apresentarem certa gradação no nível de dificuldade de decodificação e reconhecimento de palavras e, por vezes - por isso ser atualmente valorizado na alfabetização atualmente - apresentarem o texto em letra de imprensa maiúscula (o que podemos discutir...). Esses devem ser escolhidos com mais critério.

Afinal, apesar de sua função de suporte à alfabetização, não devem perder seu interesse estético, sua natureza de obra literária, seja narrativa ou poética. Afinal, trata-se, antes de tudo, de formação do leitor. A apropriação do sistema é, em última instância, a conquista da autonomia do leitor, que deve ser formado para a leitura no sentido mais amplo, não apenas para a decodificação. Aliás, para além disso, como nos lembra Magda Soares, ao lado da função pedagógica, de formação do leitor, a literatura infantil relaciona-se também à arte. 

Assim, vale à pena termos algumas indicações de livros infantis interessantes destinados à leitura autônoma do leitor inicial. 

Quatro coleções são bem representativas dessa categoria: A Coleção Estrelinha, de Sônia Junqueira, A Coleção Gato e Rato, de Mary e Eliardo França e a Série Mico Maneco, de Ana Maria Machado, e a coleção Eu sei de cor, de Bartolomeu Campos de Queirós.
 
A Coleção Estrelinha compõem-se de 3 fases no domínio da leitura - Estrelinha I, II e III. E para cada fase, 6 livros.
A Série Mico Maneco também apresenta diferentes fases, com alguns livros em cada uma. Ana Maria Machado diz que a origem dessa coleção foi o desejo de ter livros para ensinar seu filho a ler e escrever quando eles moravam fora do Brasil. Após escrever esses livros para apoiar a alfabetização, ela chamou uma especialista na área para fazer uma análise da coleção em termos desse apoio ao aprendizado da língua escrita. É uma origem interessante que mistura a escritora com a mãe e, de certo modo, educadora.
A Coleção Gato e Rato, por sua vez, foi se enriquecendo ano a ano, é bem dinâmica, e conta, hoje, com cerca de 35 livros ao todo.


A coleção Eu sei de cor, de Bartolomeu Campos de Queirós, traz indicação de apoio à alfabetização, aliás, até mesmo no título da coleção, que sugere a leitura de textos que se sabe de cor, quando ainda não se sabe ler autonomamente. Os livros trazem muitos jogos de palavras, especialmente os pares mínimos (pato/gato/mato) e rimas.

Essa coleção compõem-se apenas de quatro livros: O Pato pacato, O guarda-chuva do guarda, Formiga amiga, De letra em letra.

Esses livros surgiram a partir da década de 70 para dar suporte à alfabetização e, até hoje, são usados por muitas escolas. Continham, desde a sua publicação, indicações explícitas quanto à função de apoio à alfabetização. Hoje podem até dispensar essa indicação, mas já há um espaço para eles na estante das crianças, seja para serem lidos para elas ou para sua leitura autônoma, cada vez mais fluente. Como nos lembra Magda Soares, eles surgem numa época que os textos das cartilhas e dos chamados pré-livros - textos artificiais para aprender a ler - estavam sendo questionados e criticados. E, assim, mesmo tendo o cuidado de graduarem as dificuldades apresentadas ao leitor inicial, não reduzem o repertório de palavras do texto a ponto de se tornarem pobres em coesão, coerência e qualidade literária, como a maioria dos textos cartilhados.

Os autores de literatura produziram esses livros que ensinam a ler cuidando da qualidade literária, mas que  favorecem, ao mesmo tempo, tanto a aprendizagem do sistema quanto um nível de autonomia de leitura por leitores iniciantes. Isso devido à certa gradação nas dificuldades quanto às estruturas silábicas, devido aos textos serem curtos, apresentando rimas e repetições, vocabulário familiar, humor e graça. Magda chama a atenção, no entanto, de que embora cuidem das dificuldades que apresentam quanto ao sistema alfabético e as restrições ortográficas, não há neles a proposição de uma sequenciação rígida em termos do simples ao complexo, como nas cartilhas, que fazendo-o, muitas vezes comprometem a coerência dos textos, a graça, a riqueza da língua. Assim, ainda que sem essa gradação super controlada (e quem precisa dela?), essas coleções se organizam para acompanharem o leitor em seu gradual domínio da leitura, sem descaracterizar a natureza literária dos livros. Assim, aprendizagem sistemática do sistema de escrita e a possibilidade de leitura autonôma desde cedo se dá em contexto de uso da linguagem, em situações reais e prazerosas de leitura.

Hoje, no entanto, dispomos de muitas outras possibilidades, como as tantas sugeridas aqui. Variar, diversificar, desafiar, esses devem ser verbos sempre presentes no momento de escolhermos livros para as crianças em fase de alfabetização.

É isso, minha gente...
 
Reparem que muitos desses livros - sejam os livros em geral, os de suporte à alfabetização ou os que sugerem brincar com a linguagem - aparecem em alguns catálogos de editoras com indicações do tipo: livros para leitores iniciantes, livros para leitores em processo e livros para o leitores fluentes. essa classificação até nos ajudar a selecionar os títulos, isso considerando, no entanto, os nossos propósitos. Nada impede que um bom livro para iniciantes agrade aos que já dominam a leitura ou que os destinados a leitores fluentes possam ser lidos para os pequenos. Além disso, alguns são indicados para a leitura autônoma de certa idade, mas pode ser lido para crianças menores. Essa classificação, em se tratando de literatura, não é - nem poderia ser - rígida e inflexível. Assim, é apenas um critério de seleção, ao que cada um deve juntar os seus próprios critérios - como o conhecimento das crianças, do tipo de livro que gostam, do contexto da leitura, enfim, uma série de aspectos, polvilhado sempre com o bom senso que, quanto mais conhecemos a literatura e as crianças, mais aprendemos a ter.
 
Além de todos esses tipos de livros, temos ainda os livros de imagem, sem texto, que apesar de não trazerem a linguagem escrita, propõem, de qualquer modo um tipo de leitura especial, a leitura  de imagens. E, muitos deles, inclusive, uma leitura das imagens encadeadas, narrativizadas, que contam, de toda sorte, uma história, e que evocam, de algum modo, a linguagem verbal. Mas deixemos esses por ora de lado. Mas só por ora. 

Destaco, no entanto, aqueles de tirinhas que contam a história em alguns quadros, como os de Eva Furnari, da bruxinha, quase uma história em quadrinho. 

Gosto particularmente do O amigo da bruxinha, com histórias de seis quadros ao menos, como podem ver ao lado (a história ainda continua...). Ele é bom para "ler", inventar a história com suas palavras, escrevê-la do seu jeito e - se virar material, como o ilustrado abaixo - para ordenar as tiras antes de contar. Ótimo trabalho com a estrutura da narrativa e a produção oral ou escrita de textos! 


 
Termino dizendo que em termos de literatura na escola, tudo depende da situação, do nosso propósito e do que queremos propor às crianças. Mas que literatura sempre é, antes de tudo, para dar prazer, se emocionar, apreciar, ampliar as experiências com a linguagem e a cultura. 
 
É isso gente, por ora...
Lica

Fonte de pesquisa e citação: SOARES, Magda. Alfabetização e literatura. In: REVISTA EDUCAÇÃO: guia da alfabetização. Escrita e leitura: como tornar o ensino significativo. São Paulo: Segmento, CEALE, 2010. n. 2, 90 p. Edição especial.