Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pê de Pai

O dia dos pais passou, encontrei um belo livrinho, de edição original portuguesa, que eu e Joaquim, meu filho, demos para o seu papai ontem. E já fui logo pensando em um material para fazer com ele, visto que tem ilustração e cores bem bonitas... Bom, me vieram umas ideias que compartilho com vocês.

O livo é Pê de Pai, de Isabel Minhós Martins e ilustrações de Bernardo Carvalho. No Brasil saiu pela editora Cosac Naify. Em Portugal foi editado pela editora Planeta Tangerina, que vocês podem conferir no site http://www.planetatangerina.com/ ou no blog http://www.planeta-tangerina.blogspot.com/. Na edição da Cosac veio uma tira envolvendo a capa, com palavrinhas do músico Moreno Veloso, filho de Caetano.
Pê de Pai foi premiado e ganhou menção honrosa em prêmios internacionais referentes a ilustração e design. Vale à pena dar uma espiadinha e, inclusive, procurar outros livros da dupla, como Depressa, Devagar, por exemplo, bem bacaninha também. A Yara Kono, lá da Planeta Tangerina, me contou que há outros livros da editora saíndo em breve no Brasil pela Cosac Naify, aguardem! Aliás, deem uma olhadinha no blog da Planeta Tangerina, é bem legal!
Voltando... O livro Pê de Pai apresenta imagens cúmplices de pai e filho/filha... mas dispensa palavras outras que as que definem o jogo entre eles. Por isso, não digo mais nada, conto em imagens:



Na tradução para o português brasileiro (!!!), o "pai travão" passou a "pai freio de mão", o "pai grua" passou a "pai guindaste", o "pai tractor" passou a "trator" e o "pai escadote", "escada", mostrando que nem tudo se resolve com reforma ortográfica!!! Mas em quase todo o resto do livro, a edição brasileira segue a original portuguesa.
São 24 páginas de pai tudo o que for. E certamente poderíamos imaginar outras tantas... olha uma dica aí! "Pai sacola", "pai vento", "pai estante"... quantos mais? Aqui em casa o pai é também "papai paquinho", alusão aos tantos parquinhos que o pai propunha à filha, quando tinha entre 2 e 3 anos. Quantas outras histórias de pais e filho(a)s dariam outras tantas páginas!!! Talvez umas nem tão alegres, mais aflitas... Que tal saber dessas histórias de pais-tudo?
Aliás, cada página do próprio livro também poderia ser o ponto de partida para muitas histórias: "pai avião"..."pai chocolate", "pai ambulância"... o que mesmo levou a essas cenas e o que aconteceu em seguida? Podem virar histórias coletivas interessantes.
Bom, vou fazer um material assim: as ilustrações em fichas grandes (mas podem ser menores que as páginas do livro), colando as imagens impressas em papel mais grosso, tipo duplex. Escaneando as páginas podemos ajustá-las ao tamanho que quisermos. Mas gosto grande! Depois em fichas menores, as palavras trator, cabide, avião, casaco, sofá, motor, colchão, despertador, cavalinho..., enfim, tudo no que o pai pode se tornar. Dá para fazer fichas em letras de imprensa maiúscula e também fichas em minúsculas, se quiser oferecer diferentes letras.
É recomendado que se alfabetize com letra de imprensa e existem bons argumentos para isso - de linguístas, construtivistas e outros mais - com os quais eu particularmente concordo. E escolhe-se então as maiúsculas. Mas, por outro lado, também é importante que as crianças reconheçam outros tipos de letra, afinal elas estão presentes nos textos que circulam socialmente e, a menos que queiramos (!!!) voltar ao tempo em que se controlavam os escritos para que não apresentassem elementos supostamente dificultadores do processo (como sílabas complexas, por exemplo), temos que assumir a presença de tipos diversos de letras. Assim, me parece, cabe ao professor com sua sensibilidade perceber a hora de apresentar outras possibilidades, de acordo com o domínio que as crianças têm do sistema alfabético, da categorização gráfica e funcional das letras do alfabeto e do conhecimento que têm dos tipos de letras que veem nos diversos suportes de escrita de seu entorno. É como penso.
Então, nessa versão do material, para associar os nomes às figuras, as crianças terão que fazer um esforço para reconhecer as palavras das fichas de palavras, mas, ao mesmo tempo, podem recorrer à escrita cursiva da ficha com as ilustrações, como apoio a sua leitura. Nesse caso, se esforçarão para associar a letra cursiva à letra de imprensa. E essa escrita cursiva pode ou não facilitar, dependendo do que sabem sobe a grafia dessas letras. É um desafio interessante.
Mas podemos também fazer um outro material, com as figuras das ilustrações recortadas cuidadosamente, fazendo um contorno bonito, excluindo o escrito e aproveitando parte do fundo nesse contorno, e colar em um papel mais grosso. Nesse caso as imagens podem ser menores. Não dá para eu mostrar porque ainda não fiz meu material, só está na minha imaginação! Estou aqui compartilhando a ideia, bem fresquinha, com vocês. Quando eu fizer, prometo que mostro!
Bom, nesse caso, as crianças têm que associar a imagem, o que ela representa, e as palavras correspondentes. Ou seja, a imagem do pai sofá (sem a escrita disso) à ficha com a palavra SOFÁ. Para isso, terão que se lembar o que cada figura representa, a partir das diversas leituras e explorações prévias com o livro.
Essas palavras das fichas podem também ser classificadas por letras ou sílabas iniciais ou finais, por tamanho, número de letras ou sílabas, bem como servir para fazer trens de palavras, tal qual explicado no post da copa do mundo, o que tem uma bandeira do Brasil.
No meu kit farei também essas palavras todas fatiadas em letras móveis, para outras tantas possibilidades, como formar as palavras a partir de sua hipótese de escrita ou pensando na ortografia ou, ainda, com o modelo da escrita cursiva nas fichas de imagem. Fatiadas em sílabas também é outra possibilidade. Além de montar as palavras previstas nas fichas de imagens, pode-se também recombinar letras ou sílabas em novas palavras.
Uma coisa bem interessante que me ocorreu, agora pensando em outro tipo de atividade, é brincar com as crianças de definir cada pai desse e escrever essas definições delas. Deve sair muita coisa legal! Depois pode fazer um mural com as imagens e as definições ou até um livrinho com ilustrações das próprias crianças. Pode também escrever e ilustrar outras tantas coisas incríveis nas quais um pai pode se transformar, como falamos anteriormente. ...aliás, e uma mãe também... Que tal fazer a versão Mê de Mãe? Eu ia gostar!
Encontrei também outra dica bem legal, de brincar de adivinha, no próprio blog da Planeta Tangerina, aqui nesse link. Escreve-se em fichas outros tipos de pais: "pai pente", "pai termômetro", "pai chapéu" etc... e após sortear uma, sem ninguém ver, o adulto dá uma definição, para as crianças adivinharem que pai pode ser. E completo: no contexto da alfabetização, podem encontrar entre as fichas, a que corresponde ao pai descrito. Se já têm certa autonomia no reconhecimento das palavras, ou de parte delas, podem tentar adivinhar a partir da leitura. Se não, precisam antes adivinhar o que é, para então buscar reconhecer entre as fichas aquela com o pai que procuram.
Bom, mas tudo isso só vale se, antes, curtimos muito o livro, como livro: folhear, ler, ouvir, conversar, sentir. Trata-se, antes de tudo, de um livro. E de um livro que pode nos falar muito da complementaridade entre texto e imagem.
É isso gente, o dia dos pais já passou...mas quem precisa de dia dos pais para falar deles? Nunca é fora de tempo lembrar das coisas bacanas que parecem tão prosaicas. E nunca é fora de hora para transformar as coisas de todo dia em poesia e arte e aprendizagem.

Lica


4 comentários:

  1. Ameeeeeei o livro!!! E ameeeeei as propostas! E quero contribuir compartilhando as ideias de pai nas histórias aqui de casa: "pai trovão", que quando ralha, o pequeno diz: "pai, não precisa falar parecendo um trovão!". E "pai toalha", pois reclama quando fica na porta do box com a toalha na mão, esperando o filho decidir sair da demora do banho, que parece delicioso...
    Acho que a ideia das definições é massa!!! Tentei aqui as minhas.
    Vamos meninas, contem suas histórias também!
    Beijos,
    Cris

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  2. Valeu, Cris!
    Pelo comentário, pelos novos "pais" para a coleção e pelo convite a outros para que contribuam também.
    Beijos,
    Lica

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  3. Agora nesse friozinho, aqui em casa tem um pai coberta ou pai cobertor. Quentinho...
    Taíse

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  4. Oi, Taíse,
    Obrigada pela contribuição. Aposto que se as caladinhas que vejo visitar o blog em silêncio (só contando como números no contador), sugerissem também suas figuras de pai, já teríamos um bom acervo!!!
    Beijos,
    Lica

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