Uni, duni, tê, salamê, minguê...

Uni, duni, tê, salamê, minguê...
Materiais a partir de textos da tradição oral

terça-feira, 24 de junho de 2014

Sons, sons, sons!!!

Se vocês ainda não sabem, eu adoro onomatopeias... Um dia ainda conto sobre isso, como elas apareceram na minha tese e como as penso na alfabetização. Tenho um material que é com onomatopeias, composto de cartas com a escrita de seus sons e cartas com representações figurativas associadas a eles.

Mas por ora vou só falar de alguns livros interessantes que trazem onomatopeias.



Também fiz um material a partir de um livro, o “Dorminhoco”, que traz as onomatopeias da história na caixinha do material, para organizar com os bichos que as emitem. Outra caixinha está sendo feita com as onomatopeias do livro “Você pegou o meu ronrom?”.


Tem também um livro bacana, cuja história é acompanhada de várias onomatopeias e, no fim, lança-se o desafio de lê-lo novamente, mas só as palavras onomatopaicas. Dá para recontar a história pelas onomatopeias. É o livro “Palavrinha, palavrão”.



Outro livro que traz onomatopeias, dessa vez as dos animais, é o "Ki-som-será?", de Fê, Ed. Paulinas. No livro, em cada página há um animal e o som onomatopaico correspondente. E pelo som das onomatopeias, um bicho evoca o seguinte, e assim por diante, permitindo que as crianças antecipem, o bicho seguinte por seu respectivo som. 

As onomatopeias são palavras que não se referem a nada concreto, um significante sonoro que não se refere a algo, mas evoca algo pelo som. É puro som e, por isso, chama a atenção para as sonoridades... Por isso mesmo é muito bacana para a alfabetização... Já pensou pensar junto com a criança que letras devem vir para fazer o som do telefone? Triiiiiiiiiiiim!

Bom, mas essa é uma conversa para aprofundarmos outro dia.

Falo das onomatopeias para trazer a dica de um livro muito bacana que brinca com sons. É de um livro diferente, não somente de onomatopeias, mas também e muito delas, e que traz uma língua inventada, tão inventada, que nem precisa de tradução (ele é originalmente italiano). Onomatopeias também inventadas, não necessariamente as já codificadas, conhecidas para certo som. Não acho que se encontre esse livro por aqui, mas achei tão divertido e interessante que vale como experiência e conhecimento.

Trata-se do livro Tarari Tararera (2009), de Emanuela Bussolati, uma escritora e ilustradora italiana conhecida na Europa, com diversos livros para crianças. 


Esse livro, diz na capa, traz uma história na língua Piripù, “pelo prazer de contar histórias ao Piripù Bibi”. 

O Piripù Bibi é o mais novo da família Piripù, seres laranja de cara arredondada, composta por Piripù Pà, Piripù Mà, Piripù Sò et Piripù Bé, além do Piripù Bibi. Na capa são eles que estão lá, em volta do livro, ouvindo histórias.

A história conta a aventura de Piripù Bibi, que um dia se solta de onde o deixam quando saem para colher comida, meio preso, mas em segurança, e se aventura na floresta, encontrando alguns seres, nem sempre amigáveis. Até que Piripù Bibi encontra um elefante que o ajuda a reencontrar sua família, que percebe, depois disso, que não precisam mais deixá-lo em segurança para saírem por aí. Tudo isso é contado pela língua piripù!




É um enredo bem simples e clássico que, junto com as ilustrações, ajuda a compreender a história, cujo principal atrativo é ser contada nessa língua inventada. A autora conta que além do sentido que tem na própria história - afinal são histórias não apenas sobre Piripùs, mas também para Piripùs: o Piripù Bibi! - o fato de ser escrita numa língua inventada também permite que a história possa ser contada para crianças de todo o mundo, sem precisar de tradução. 

É uma história para ser lida aos pequenos até 5, 6 anos, mas com certeza, se bem lida, vai agradar crianças e adultos de qualquer idade. Os pequeninos, então, devem adorar, parece mesmo as línguas que eles mesmos falam antes de aprender a falar sua língua materna. Lembram do desenho animado Pingu? Pois é, tem aquele efeito Pingu! ...de língua universal.

Mas o segredo está na leitura, na magia de narrar pela voz, pelo sons, pela entonação, pela graça da fala, mesmo que sem significado apreensível pelas palavras. A sequência de sons junto com as imagens – feitas pela própria autora – convidam o leitor a jogar com a entonação e as modulações da voz, com expressões faciais e corporais, para conseguir ganhar a cumplicidade dos ouvintes com a história e garantir a compreensão do todo da sequência. A mágica da leitura e contação de histórias para além das palavras!

Mas chega de blá, blá, blá! Para se ter uma ideia do que estou falando, vejam os vídeos em que boas leitoras leem a história. Fantástico! Não é em italiano, gente! É em língua piripù!!!



Isso com certeza nos ensina mais sobre a qualidade da leitura que devemos fazer para as crianças, pois além dos significados das palavras, muita coisa do sentido do texto é passada por elementos prosódicos, rítmicos, e pela materialidade da voz que lê ou conta.  



Gestos, entonação, interação...e o riso é garantido! De meninos e meninas mundo a fora! Então, não podemos esquecer que nesse tipo de leitura, para crianças tão pequenas, há algo muito, muito importante, que é a relação com elas, nessa leitura. Elas ouvem, reagem, participam e o leitor captura sua atenção e reage também. Há um jogo de interpretações, o adulto com a sua, que imprime na entonação e no ritmo, as crianças com as delas, na atenção que prestam ao todo daquele acontecimento narrativo. Ou seja, trata-se de conjunto de aspectos que delineiam uma relação, uma interação com as crianças. O livro favorece essa interação, o que era a intenção da própria autora.

O livro teve tanto sucesso, ganhou até prêmio, o Prêmio Andersen do melhor livro para 0-6 anos, em 2010. Foi tão bem aceito que Emanuela Bussolati lançou mais dois livros em língua piripù: Bada...búm (2011) e Rulba Rulba (2013), com mais aventuras do Piripù Bibi!


Para quem gosta de onomatopeias, foi um achado maravilhoso e singelo. Lógico que agora estou louca para importar os três. Vamos ver como!

Para crianças maiores (o meu é da adulta aqui mesmo) tem um volume da série de quadrinho Graphic MSP, da Maurício de Sousa Editora e Panini Comics, que é quase todo composto de onomatopeias. É uma narrativa que exige muito do leitor, pois é contada basicamente por imagens, onomatopeias e poucos diálogos entre os personagens humanos.

Trata-se do volume "Bidu: caminhos", de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, que conta a história de Bidu antes de ele se encontrar com Franjinha. 


Essa é uma coleção em que vários autores/ilustradores criam histórias próprias reinterpretando personagens de Mauricio de Sousa e se valendo de vários estilos diferentes de desenho, traço, uso de cores... Nesse volume, os autores usam e abusam da sensibilidade para contar uma história de amizade com efeitos de luz, sombra, tons, texturas, cores pasteis. A chuva é sensacional!

Bidu e Franjinha foram os primeiros personagens de Maurício e o Bidu, o primeiro a ganhar uma revistinha própria!

Espero que tenham gostado das dicas! 
Abraços, vupt, fui!

Lica

2 comentários:

  1. Lica!
    Que dica linda! Precisamos descobrir com consegui-los mesmo!
    Você voltou com a corda toda, heim? Sempre indicações e orientações deliciosas e certeiras!
    Bem vinda de volta!
    Bjos,
    Leila

    ResponderExcluir
  2. Oi, Leila!!!
    Pois é, achei bem legal esses livros. Uma hora eu os consigo!
    Um beijo grande, querida!

    ResponderExcluir