Uni, duni, tê, salamê, minguê...

Uni, duni, tê, salamê, minguê...
Materiais a partir de textos da tradição oral

domingo, 18 de setembro de 2016

Oficina Eva Furnari

Oi, gente!
No ano passado fiz uma oficina, que chamei de Eva Furnari e a brincadeira com a linguagem oral e escrita, na Ciranda do Brincar, evento da Faculdade de Educação da UFBA, por ocasião da Semana Mundial do Brincar. Postei fotos da oficina no Facebook e Instagram do Blog e, vira e mexe, me perguntam sobre a oficina e sobre as caixinhas com os materiais a partir dos livros de Eva. Pois bem, resolvi contar um pouquinho aqui sobre isso, tá? Mas só um pouquinho, para não perder a graça de quem vai, ainda, participar...pois pretendo, sim, fazer mais vezes. 

Como vocês podem ver, para começar, tento cuidar do clima, arrumando as coisas para remeter ao universo de Eva... Uma toalha de bolinhas ali (mesmo eu de blusa preta de bolinhas brancas...), coisiquinhas, elementos para trazer o universo até a sala de aula da Faced. Espalhei os nomes dos personagens de Eva pela sala toda...um jeito de trazer essas sonoridades e esse universo já na chegada... E é cada nome!!!  


Então...Depois de entrarmos no universo da autora, com seus personagens engraçados e seus nomes cheios de trocadilhos e sonoridades, de nos apresentarmos à moda de Eva, como ela se apresenta em Pandolfo Bereba, com alguns de seus defeitinhos e qualidades - que dialeticamente são os mesmos - nós entramos, enfim, no mundo das narrativas. Fomos conhecendo Pandolfo através do acionamento de estratégias de leitura várias, fomos descobrindo as estratégias narrativas da autora com livros como Umbigo Indiscreto... e passeando por diversos gêneros textuais, que são fonte de brincadeiras em alguns livros dela - como Felpo Filva, Operação Risoto, dentre outros, de forma mais eventual. Para isso Felpo Filva é imbatível! Adoro! E, assim, entrando pelas histórias e seguindo pelos gêneros de texto, chegamos às listas!

E chegamos pela via do livro Listas Fabulosas, que já comentei aqui e aqui.  O livro traz várias listas engraçadas, sempre com sete itens, cada uma sendo a lista de um personagem... Tem lista das profissões mais difíceis do mundo (tipo dentista de jacaré, babá de onça...), de coisas que não sevem para nada, de nomes preferidos de duplas caipiras inventadas, dentre várias outras. Tudo isso é contextualizado em uma narrativa que conta sobre o clube das listas de uma cidade inventada. Inventa é coisa, essa Eva! 
 
Para explorar o livro na oficina, fiz uma caixinha (caixona) que contém as listas (que dei uma para cada dupla ou trio), um dado gigante com os personagens (escolhi só 6, pois dados com mais faces é mais difícil de confeccionar - mas chegarei lá!). E tem também carteirinhas de sócios do clube das listas - aí só firula para ajudar formar os grupos. Pois bem, a ideia é simples, mas correu de forma muito bacana. Pedi que cada grupo (dupla ou trio) produzisse mais um ou dois itens de sua lista e, depois, pedi a um assistente para lançar o dado. O personagem que saísse no dado indicaria a lista que deveria ser lida, pois cada uma delas tem o nome de seu dono-personagem. E assim foi...fomos achando graça das listas - que ainda não tinham sido lidas para o grupo - e das propostas de itens dos colegas. Rimos bastante. E foi um jeito diferente de ler o livro...

Inacreditável! Das listas, passeamos ainda pelos problemas matemáticos...é... teve quem se remexeu na cadeira ou amoitou, matemática sempre parece assustar um pouquinho a quem muito se interessa por literatura. Não, não é a oficina errada, Eva também brinca com a matemática, em seus livros. São eles: Os Problemas da família Gorgonzola e Problemas Boborildos. No fim, estava todo mundo relaxado brincando com operações e situações esdrúxulas a resolver. 

A famosa Bruxinha finalmente chegou com Truks, para apresentar as narrativas sem texto de que Eva muito gosta. Depois de explorar o livro, assistimos a um vídeo em que a autora conta de suas criações e da Bruxinha em especial (aqui). E a bruxinha chegou fazendo muita a-tra-pa-lha-ção! Espalhou as letras e as sílabas por toda a sala... Mas não conto o que a gente fez para catar tudo, senão perde a graça da oficina, ok? Mas garanto que foi uma surpresa só! 

E não é que, de repente, a bruxinha apareceu em pessoa? Ganhei essa Zuzu (quando ela ganhou um nome, era esse...mas continuo preferindo Bruxinha) de uma amiga querida, Ana Lúcia Antunes. Ela não podia faltar, né? Surgiu de repente, também de dentro de uma caixinha...(caixona). E veio fazer parte da brincadeira!

E como a bruxinha tem muitos amigos, trouxe uma caixinha antiga que tenho, do livro O Amigo da bruxinha. É um livro sem texto, com historinhas curtas em imagens, cada qual, na sua maioria, com 6 tiras. Para a caixinha, as tiras foram fatiadas, cada história com sua cor (calma! não cortei o livro, escaneei e imprimi...ou fiz cópia colorida, não lembro mais...). Para cada grupo dei uma história embaralhada, para montar a história. Depois conferimos para ver se ficou diferente da do livro... Tudo isso, pano para muita manga e conversa...

Remontar a história é muito bom para fazer um pouquinho de fumacinha na cabeça pensando na estrutura  da narrativa. É ótimo para depois produzir os textos por escrito, seja com as crianças, seja em outros contextos - eu mesma faço isso às vezes para, depois de fruir das histórias criadas, discutir sobre coesão textual, estrutura da narrativa e sobre a diferença entre história e discurso. Bom, mas nessa oficina, mais vapt vupt, apenas montamos as histórias e brincamos com os enredos, sem escrever.

Daí saímos das narrativas e fomos para a tradição oral e o texto poético...para brincar com as palavras... 


O kit Adivinhe se puder foi feito a partir do livro de mesmo nome e trata-se de um livro de adivinhas da tradição oral, que Eva selecionou e ilustrou. Eva é ilustradora também, vocês sabem, né? O kit conta com as cartelas com as perguntas-adivinhas e as respostas escritas. Um grupo fica com as perguntas, outro com as respostas. Uma folia para descobrir! Sabendo oralmente as respostas a cada uma, mesmo quem não sabe ainda ler com autonomia pode achar as palavras escritas que respondem à adivinha, seja por meio de dicas (começa com a letra A...Tem 5 letras...), seja por meio de indícios, de pesquisa inteligente sobre letras, seus sons, pedaços da palavra... Ver sobre isso aqui nesse post. 


Brincar com as palavras é com Eva mesmo!!! Seus 4 livros mais marcantes nesse sentido, são o Não confunda, o Você troca?, o Assim assado e o Travadinhas. De três deles eu fiz caixinhas, com a proposta para a oficina. São coisinhas simples, mas que quando apresentadas assim, bonitas, guardadinhas, com a surpresa prontinha para sair da caixa, vira festa! Começamos com o Não confunda - o livro que diz o avesso do que diz, porque a coisa mais certa a fazer aí, é confundir para brincar... Ela diz, na verdade: confunda! Confunda para brincar com os sentidos e as sonoridades... Então, aceitamos o desafio! 

Na caixinha Não confunda, forrada com tecido de bolinhas, tem só pares de palavras rimadas e papeizinhos para cada um escrever seu "não confunda"... Para quem conhece o livro, sabe do que eu estou falando. Para quem não conhece, segue um exemplo. No livro diz, por exemplo: "Não confunda...ovelha abelhuda...com abelha orelhuda...". Criar "não confundas" é isso aí mesmo, achar pares de rimas, trocadilhos, graças com as palavras. 

Para dar uma forcinha, a caixinha tem alguns pares de rimas, para ajudar... como: "metida/fedida", "robótico/estrambótico" "amarelado/empinado", "nojenta/briguenta", "remela/janela"...e por aí vai... Mas depois que o sujeito pega o jeito, nem precisa mais das sugestões. A mente já vai logo vasculhando palavras e confundindo-as para criar pares espertinhos de "não confundas"... Experimentem! As crianças amam!!! Com elas, geralmente, se começa com coisas simples, sem cobrar tanta burilação, seja de ritmo, seja na construção da graça. Mas algo que rime. Por exemplo, pode até começar com o nome: "Não confunda Gabriel com pastel". É simples, mas pra fazer com mais graça e burilação, dá trabalho...tem que pensar na coisa que vai trocar e pelo quê, achar algo interessante, pensar no ritmo dos versos e nas sonoridades, achar trocadilhos produtivos. Um trabalho poético e tanto! Exercitem!

O Assim, Assado só fizemos ver...não tem caixinha, por enquanto. O livro é de pequenas situações sapecas... Não achei jeito de provocar uma produção de "assim assados"... Mas uma possibilidade que pensei...mas não fiz ainda...é dar o mote, ou seja, dar o Era uma vez + o personagem...e aí cada um criar sua situação. Exemplos da autora: "Era uma vez, um médico aprendiz...quando operava a paciente, aumentava-lhe o nariz", "Era uma vez, um time da pesada...jogava futebol, com bola quadrada"... 

Agora, o Você Troca?...ah, esse sim, tem caixinha. Colei papeizinhos com linhas e o título Você Troca? em um bloco maior de Post-it e pronto! Tá pronta a caixinha do Você troca?. O livro é isso aí mesmo...coisas engraçadas e rimadas para trocar, uma espécie de classificados poéticos, tipo assim: "Você troca um mamão bichado...por um bichão mimado?". E assim foi. É simples, mas dá trabalho...Como no Não confunda, tem que pensar na coisa que vai trocar e pelo quê, no ritmo dos versos, nos trocadilhos, se for o caso, e nas sonoridades, especialmente as rimas, mas não apenas... Depois da leitura, cada um foi fazer seu "você troca", que montamos em um mural...

É preciso lembrar que as ilustrações dão um sentido a mais e uma graça toda especial aos "não confundas", "você trocas" e "assim assados" nos livros da autora... Não podemos deixar de chamar a atenção a esse elemento ao ler e fruir desses livros. 
Travadinhas...falta esse. Tenho chamego por todos, mas esse gosto há muito tempo, quando eu ainda trabalhava em escola e tinha uma versão diferente do que é editado agora (só acha em sebo, agora). Mas falo disso daqui a pouco. O Travadinhas é um livro com pequenos textos que são verdadeiros trava-línguas, com situações com a graça peculiar de Eva Furnari. Tipo: "O monstro branco tem tromba preta e o monstro preto tem tromba branca", "Chilique de bicho de luxo é um lixo, e chilique de bicho de lixo, é um luxo" - tente falar rápido!!!  Pois é, a caixinha das Travadinhas compõe-se, justamente, desses textinhos da autora, para cada um retirar e ler o mais rápido que conseguir... Não precisa dizer que demos muitas risadas, não é? Simples assim! 

As travadinhas, como os trava-línguas, são isso, né? Travar e destravar a língua, para brincar com as palavras, que, do modo em que estão organizadas nos textos desafiam a pronúncia. Trava-línguas (e as travadinhas, nisso) são ótimos contextos para a reflexão fonológica, no nível dos fonemas e unidades intrasilábicas (como os encontros consonantais, por exemplo), seja no nível epilinguístico (só brincar, sem controle deliberado e consciência plena das unidades fonológicas), seja no nível metalinguístico (refletindo de forma mais consciente e deliberada, observando a relação entre a escrita e o oral: que sons parecem se repetir e desafiam nossa pronúncia? Vamos observar no texto, que letras grafam esses sonzinhos que se repetem?). Os fonemas consonantais são unidades mentais e muito abstratos para uma cabeça não alfabetizada. É difícil pensar neles separados dos sons das vogais, que se ligam a eles na emissão sonora, pois a fala é co-articulada. E um jeito de se prestar atenção a eles é justamente no contexto dos trava-línguas e de textos poéticos que recorrem a essas aliterações (repetições de fonemas consonantais). Sim, gente! É preciso entender um pouquinho de fonologia e do trabalho lúdico com a consciência fonológica para alfabetizar!

Mas voltando ao livro Travadinhas antigo, nesse, os textos eram maiores e usávamos, na escola em que eu trabalhava, para brincar com essas aliterações e para trabalhar com a ortografia. Exemplo de texto: 

Xavier se queixou pro chefe da cozinha:
- Poxa! Chega de chucrute murcho com chuchu! 
Quero churrasco de salsicha 
e bolacha de chocolate com chantilly!
O xucro do chefe trouxe churrasco de chantilly 
e biscoito de salsicha com chuchu.

Viram que os textos são bem maiores? Pois é. Esse dava pra brincar com o fonema /x/, que pode ser grafado com X ou CH, dava uma ótima situação para trabalhar a ortografia.

Pois bem... Depois de brincar com tantos textos e palavras, com sonoridades e ritmos, e depois de falar sobre aprender sobre a língua em situações lúdicas e letradas, não podíamos deixar de lembrar que é preciso não perder de vista o texto literário, quando o tomamos para refletir sobre aspectos linguísticos da apropriação da linguagem escrita. Precisamos discutir sobre a função estética não ser engolida pela função pedagógica. A função primordial da literatura é encantar, fruir, sua natureza é estética, artística. Não podemos abordar pedagogicamente os textos, matando justamente essa natureza literária - tomando o texto como pretexto, como dizem... Mas defendo muito que a análise da língua pode ser - a depender de como fazemos - muito produtiva para ampliar, inclusive, a fruição literária...para durar nos textos...fruir mais amplamente deles... Afinal, as sonoridades, as rimas, as aliterações são matéria da poesia tanto quanto da alfabetização. 

É isso gente! A oficina termina com uma festa da Bruxinha - que nem deu tempo de a gente preparar - mas que deixo como curiosidade para a próxima, ok? Próxima oficina, próxima postagem... 

Espero que tenha dado uma ideia (só uma ideia...) da oficina e inspirado vocês, seja a ler mais Eva Furnari, seja a brincar com seus textos...e, quem sabe, a fazer umas caixinhas...

Um beijo e um queijo,

Lica

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Oficinas...

Ando com muita, muita saudades das oficinas... Por conta do doutorado, depois do concurso, depois do tanto de coisa que fazemos na Universidade, ainda não consegui retomá-las...Nos últimos tempos têm acontecido apenas de forma pontual, breve, em um ou dois encontros, sem aquele tempo de dedicação que faz toda a diferença... "Uma terapia" diziam os participantes! 


Mas retomarei em breve, no contexto mesmo da UFBA, como Extensão, em diversos formatos.

Seja para os nossos estudantes, atividade ligada aos componentes de Estágios Supervisionados e de Alfabetização e Letramento - estou envolvida em ambos - seja para os estudantes interessados em geral, sejam ainda oficinas abertas ao público em geral, quero fazer esse compromisso comigo mesma e com vocês que me perguntam, escrevem, me provocam nos corredores da Faced...

Além disso, estou elaborando um projeto de pesquisa sobre jogos e materiais para alfabetização, ligada a meu grupo de pesquisa na Faced/UFBA, e articulada a essa pesquisa haverá também ações de Extensão nesse sentido. Falarei mais em breve. Já a apresentei em alguns eventos científicos, falta detalhar as ações e mandar ver!

Por ora serão oficinas presenciais - não há outro jeito para produzir material - mas quem sabe penso depois em um formato para contemplar quem está longe, não é? 

Enfim...o post é só um desabafo, uma promessa, um modo de me comprometer mais em fazer acontecer logo!

Ando muito, muito saudosa das oficinas! 

Abraço,
Lica

quinta-feira, 11 de junho de 2015

E a catacrese?

Oi, gente!
Fiz dois posts comentando sobre a catacrese, figura de linguagem muito usada na nossa língua cotidiana. Por isso, senti necessidade de fazer um post dedicado a ela. 

O primeiro post em que a citei, foi aqui. E o segundo foi esse anterior, aqui, ontem mesmo.

Como comentei lá no post anterior, muitas vezes, as palavras têm um sentido que revela o uso de uma figura de linguagem chamada catacrese, que é uma espécie de metáfora que se cristalizou pelo uso. Quando usamos, por exemplo, "pé da mesa", “braço de mar”, “olho do furacão”, tomando de empréstimo as palavras “pé”, “braço” e “olho”, usando-as fora do seu sentido habitual, estamos fazendo uso da catacrese. Muito frequentemente, essa transposição tem relação com uma vaga semelhança entre um conceito e outro, como o pé da mesa ser algo que se remete, de algum modo, aos pés humanos. 

Expressões com pé são inúmeras! Aqui no blog tem um post com expressões com pé, vejam lá: aqui.

Haja partes de nosso corpo para virar catacrese! Mesmo em enunciados bem sérios, olha só: “Isso é a cara desse país”, “o desenvolvimento é corpo do trabalho acadêmico”... Quer ver como usamos muitas catacreses no nosso dia a dia? 

Pé de mesa, pé de página, braço de cadeira, batata da perna, orelha de livro, dente de alho, cabeça de alho, asa da xícara, fio de azeite, coração da floresta, maçã do rosto, coroa do abacaxi, casa de botão, boca da noite, céu da boca, cabeça de prego, raiz do problema, folha do livro, cabeça de repolho, olho do furacão, olho da rua, boca do túnel, banana de dinamite, cabelo de milho, pele de tomate, leito do rio, trânsito engarrafado, embarcar no avião...

Vejam o caso da expressão “embarcar no avião”. Originalmente usada para a entrada em um barco, hoje é utilizada para entrar em qualquer meio de transporte: avião, metrô, trem, ônibus... E engarrafar? Já pensou nisso?

A catacrese é uma espécie de metáfora esquecida...

A metáfora é um recurso fundamental da poesia...mas não é usada só em gêneros poéticos, lógico! Ela é uma das ferramentas essenciais para desembolorar as palavras, dar a elas novos usos, refrescá-las! Na metáfora há uma transferência da significação própria de uma palavra para outra significação, como uma comparação implícita que o autor faz, criativamente. 

Mas pense: se a metáfora é essa figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra em um sentido que não lhe é comum ou próprio numa relação de semelhança entre os dois termos, então, a catacrese é uma espécie de metáfora!

Sim, mas é uma metáfora repetida, gasta, diferente da metáfora poética que desembolora as palavras – que é o ofício do poeta! É uma metáfora que foi usada por falta de uma palavra específica para designar um termo, havendo então um desvio de sentido. A catacrese ocorre quando, por falta de um termo específico ou melhor para designar um conceito, toma-se outro por empréstimo. Trata-se de termos inicialmente usados apenas para suprir uma lacuna de um termo específico para tal, mas que foram usados tantas vezes que seu uso se cristalizou, passando a constituírem expressões que têm significados bem próprios. Por isso é como uma metáfora esquecida... Esquecida de seu papel de uso inusitado, conotativo...

Tendo a metáfora como referência de figura de linguagem emblemática da poesia, uns dizem que a catacrese é uma metáfora “obrigatória”, imperativa. Usa-se a palavra fora de seu significado usual, mas, pelo uso, ela se impõe, e já não é percebida como se empregada em um sentido figurado – isso que é próprio da metáfora. Assim, a catacrese é metáfora por nascer do princípio da comparação, da similaridade; é esquecida por já não ter a força conotativa; e é "obrigatória" por ceder antes a um imperativo de uso do que a necessidades expressivas e intenções poéticas

Quando dizemos, então, que a catacrese é uma metáfora gasta, usada por falta de termo específico ou melhor, há aí um sentido negativo dessa figura de linguagem. Esse sentido negativo é reiterado pela própria origem do termo catacrese: a palavra vem do latim catachresis, que tem origem no grego katakhresis, que significa “mau uso” – e no caso aqui, mau uso das palavras! Guardemos essa ideia, mas para a desconstruirmos em seguida...

Entretanto...(e aqui vamos começar a desconstruir e nuançar um pouco essa ideia negativa...retirar a catacrese desse lugar de “mau uso”...) ...ela pode voltar à poesia... como podemos ver nos poemas de José Paulo Paes, Inutilidades, Atenção Detetive e Pura Verdade. São poemas que brincam, essencialmente, com as catacreses. Duas delas estão no post já citado acima - e estão aqui. Outra, aqui:

PURA VERDADE

Eu vi um ângulo obtuso
Ficar inteligente
E a boca da noite
Palitar os dentes.

Vi um braço de mar
Coçando o sovaco
E também dois tatus
Jogando buraco.

Eu vi um nó cego
Andando de bengala
E vi uma andorinha
Arrumando a mala.

Vi um pé de vento
Calçar as botinas
E o seu cavalo-motor
Sacudir as crinas.

Vi uma mosca entrando
Em boca fechada
E um beco sem saída
Que não tinha entrada.

É a pura verdade,
A mais nem um til,
E tudo aconteceu
Num primeiro de abril.

Além de seus usos poéticos possíveis, temos que lembrar que a língua e as figuras de linguagem não estão a serviço apenas da poesia, mas da língua, da língua de todo dia...

Por exemplo, é bom reparar que a catacrese tanto pode acontecer ocupando o lugar de uma palavra faltante (como em "embarcar no avião") quanto substituindo um termo exato ou técnico por um menos formal ("barriga da perna" em vez de panturrilha, "céu da boca" em vez de palato). Vê como a linguagem é danada e, no dia a dia dos falantes, vai ganhando asas?!

Então, precisamos não nos apegar ao sentido negativo dessa figura de linguagem.

Acontece que a catacrese, com seus neologismos semânticos, funciona, de todo modo, como um mecanismo de formação de novos sentidos para as palavras, de ampliação do léxico. Hoje usamos "encaixar" com o sentido de colocar algo em um espaço onde ele cabe perfeitamente, mas originalmente, encaixar significava colocar em caixas... Há assim também um enriquecimento da língua, de seu dinamismo, pelos usos “gastos de metáforas esquecidas”!

O que seriam os engarrafamentos se não houvesse a catacrese? E dos pés de galinha, que seriam só rugas como tantas outras... a língua precisa da catacrese... e mesmo a poesia a acolhe de volta! 
Vejam vocês: a catacrese não é matéria bruta para muitas brincadeiras com as palavras e para a poesia? Muitos autores não brincam, justamente, com as catacreses? Falamos de José Paulo Paes, mas ele não é o único.

Eva Furnari, mestra em brincar com as palavras, traz uma lista baseada em catacrese em seu livro “Listas Fabulosas”. É a lista da personagem Olfa, que brinca com essas inutilidades, entre o sentido real e a catacrese. Já postei sobre isso, também aqui.
Outro exemplo é a canção “Composição Estranha”, de Ronaldo Tapajós e Renato Rocha, que usa ao mesmo tempo metáforas e catacreses:


Usei a cara da lua
As asas do vento
Os braços do mar
O pé da montanha
Criei uma criatura
Um bicho, uma coisa
Um não-sei-que-lá
Composição estranha

O coração da floresta
Batia em seu peito
E a sua voz
Boca da noite
Para sua voz
Boca da noite
Para sua voz

Reparem que na primeira estrofe, nos versos 1 e 2, ocorre uma metáfora, pois há aí uma relação de similaridade novidadeira entre os termos "cara" e "lua" e os termos "asas" e "vento". Nos versos 3 e 4, apesar de pressupor o mesmo processo metafórico, as palavras "braços" e "pé" foram empregadas fora de seu contexto próprio a partir de outro recurso, a catacrese. No verso 1, 4 e 6 da segunda estrofe também ocorre a catacrese. 

Tem até cordel para explicar a catacrese! 


Catacrese
De falar de catacrese
chegou a vez afinal:
é palavra usada fora
de seu sentido real,
mas que, por falta dum termo
próprio, se torna usual. 

Uma cabeça de prego
eu encontrei na madeira;
Esse menino se senta
só no braço da cadeira;
Rasgou-se a manga da blusa
vou atrás de costureira.

Ontem na perna da mesa
uma topada levei;
Me tremi de medo quando
no avião embarquei;
Nessa sopa tão gostosa
um dente de alho botei.

É um cordel do livro "As figuras de linguagem na linguagem do cordel", de Janduhi Dantas, Editora Vozes. Já no livro "Crônicas da Norma: pequenas histórias gramaticais", de Blandina Franco e José Carlos Lollo, Ed. Callis, os autores explicam a catacrese assim:

" - Quebrei a catacrese!
Putz, não pode ser! Justo a catacrese? Ela era a minha menina dos olhos!
- Pois é...
- Mas você é desastrado mesmo! Semana passada quebrou o braço da cadeira, na outra o pé da mesa...
- Mas o pé da mesa quebrou porque você não martelou direito a cabeça do prego que prendia ele.
- Ah, então a culpa é minha! E a asa da xícara, você quebrou por quê?
- A asa da xícara eu quebrei porque o chá queimou o meu céu da boca!
E a catacrese? Quebrou por quê?
- A catacrese foi sem querer!  Você acha que eu ia quebrar a catacrese de propósito?
- De propósito não, porque você sabe que se fosse de propósito eu dava um soco na boca do seu estômago!
- Você não teria coragem!
- Teria sim! E quebrava a maçã do teu rosto!
- Duvido!
- Duvida? Eu ainda mordia a tua batata da perna!
- Ah, é? Então vem! Vem!

E os dois se engalfinharam e começaram a brigar e quebraram tudo o que ainda estava inteiro naquele lugar. Não sobrou nem um dente de alho, nem uma orelha de livro, nem uma boca de fogão ou de garrafa pra contar a história."

Acho que agora deu pra entender, né?
...e sigamos brincando com a linguagem...
Abraço,
Lica


P.S. Se não entendeu, precisa de mais um exercício. E se entendeu, mesmo assim, mostre que está sabido(a) em catacrese, marcando todas as que aí aparecem no texto acima.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Desembolorando palavras...

Olá, minha gente!
Finalmente volto timidamente a postar umas coisinhas por aqui. Andei muito ocupada, mas vamos lá, retomando, aos poucos. Quero voltar os posts dando uma dica de livros e, ao mesmo tempo, oferecendo outra sobre o trabalho da, com e sobre a linguagem.Trata-se de uma coleção de três livros, de autoria de Renata Bueno, com ilustrações de Sinval Medina, da Editora do Brasil. A coleção chama-se “Não é a mesma coisa?”, e os três livros são Tubarão toca tuba, Manga madura não se costura e Cachorro tem dia de cão.

Podem ver sobre a coleção no site da autora, aqui

São livros que propõem jogos de linguagem que desemboloram as palavras, brincando com elas, vendo-as de jeitos diferentes. Como diz a própria autora: A coleção “brinca com as palavras e expressões combinadas e reconstruídas, mostrando outras formas de ver, perceber e sentir o universo de nossa língua”.

Brincando com a língua, os três livros trazem breves textos poéticos que brincam ora com a ordem das palavras, ora com sua composição por outras palavras, ora com os significados diferentes de uma mesma palavra. Favorecem, assim, uma rica reflexão sobre a língua, ao mesmo tempo em que oferecem a poesia da linguagem.

O livro TUBARÃO TOCA TUBA traz palavras dentro de uma palavra, ou palavras formadas por duas outras, como a palavra “soldado”, que é formada pelas palavras “sol” e “dado”. Nem sempre se trata de dois substantivos, então podemos encontrar coisas interessantes como “uma claraboia” e “a clara boia”.


Por vezes é assim, essa justaposição “sol” + “dado”, por outras um encaixe, como “tuba” e “barão”, em “tubarão”, um verdadeiro mot-valise. Tem também o brincar pareado com a decomposição de palavras compostas, como “guarda” e “chuva” em “guarda-chuva” e, ainda, outros modos de associação, como a de palavras como “palhaço”, na qual ressoa a expressão “palha de aço”.


Além dessas brincadeiras com a decomposição das palavras, que são, em si mesmas, muito interessantes para a reflexão dos que se iniciam na alfabetização, tem os textos poéticos que brotam dessas brincadeiras, geralmente pareando as duas ideias – ou seja, o soldado, por um lado e o dado e o sol, por outro. Histórias também podem brotar!


Esse tipo de procedimento de linguagem está presente também em outros livros. Cito aqui o ACHEI! de Ângela Lago, que traz também brincadeiras de esconde-esconde das palavras dentro de outras, além de outras descobertas trocando letras de lugar! Brinca com coisas assim: “Boia, jiboia! Quero ver quem acha joia”, “Briga de lombriga me dá dor de barriga”...

Ao falarmos desse procedimento de encontrar palavras dentro de palavras, vale lembrar aqui dos jogos de linguagem do TRILHAS e do PNAIC, que trazem esse tipo de proposta. São dois jogos semelhantes nesse sentido, o Nomes Escondidos e o Palavra Dentro de Palavra.  Em ambos trata-se de parear cartas em que há uma palavra dentro da outra... Trata-se de um desafio de consciência fonológica.

No jogo do PNAIC aparecem figuras com as palavras correspondentes escritas (ex. Luva), e outra carta, que é par desta, apenas com a figura (ex. uva), que está dentro da outra. Nesse caso, o jogo favorece a reflexão fonológica tanto em presença da escrita (a palavra completa, onde você deve encontrar a palavra inserida), quanto em ausência da escrita (dá para fazer apenas referindo-se ao significante sonoro de ambas).


No jogo do Trilhas, por sua vez, as duas cartas contêm a palavra escrita. Ex. Uma carta tem a figura de um fivela, acompanhada da palavra escrita, e a outra a figura de uma vela, também acompanhada da escrita da palavra. 

Note-se que o mesmo tipo de jogo pode ser jogado sem as palavras escritas, apenas com as figuras, em um desafio fonológico sem presença da escrita. Todas essas possibilidades são interessantes e favorecem a reflexão fonológica, a atenção à dimensão sonora da língua - importante para a alfabetização. 

Vale fazer aqui uma digressão para lembrar que essa coisa de palavra dentro de palavra ou pedaço de palavra dentro de palavra nos remete a um procedimento que esteve bem presente também na história da escrita, com o REBUS, que unia pictografia com informação fonológica. Trata-se de um procedimento usado inicialmente pelos sumérios e logo pelos egípcios, na passagem da escrita pictográfica e ideográfica para a fonética.  

A escrita cuneiforme suméria e a escrita hieroglífica dos egípcios, que usavam inicialmente pictogramas para representar objetos concretos através de sua imagem, num certo momento da história, passaram a utilizar signos para representar ideias abstratas. Como não era possível representar ideias abstratas com pictogramas, pela própria natureza desse tipo de signo, para fazer isso, essas escritas passaram a empregar duas estratégias, basicamente.


Inicialmente os signos pictográficos que eram usados para designar coisas concretas, como ovo e pássaro, usados juntos, lado a lado, passaram a significar fecundidade, já com algum grau de convenção.

Os símbolos passaram, depois, a corresponder aos sons das palavras da língua falada. Essa outra estratégia era, então, o REBUS.

O princípio do rebus consistia em decompor as palavras em sons e representar cada som por uma imagem. Como diz o professor Claudemir Belintane, se por um lado o rebus é composto de imagens, por outro, ele se dá a ler como som, ele se compõe de sinais com valores fonéticos usados juntos para formar uma nova palavra. Um pictograma designava, assim, não mais o objeto por ele representado, mas outro objeto cujo nome ou partes dele lhe era foneticamente semelhante.

O melhor exemplo que pode ser dado é, justamente, o da palavra “soldado”, que poderia ser representada da seguinte maneira:


A palavra aí não tem nada a ver com a imagem do sol e do dado (como no pictograma), e tampouco tem a ver com a ideia de sol e dado (como no ideograma). A palavra faz uso apenas da mesma sequência sonora que aparece nas palavras “sol” e “dado”. Ao dissociar o som e o significado das palavras de origem – o que constitui o princípio básico dos sistemas fonéticos, quer silábicos quer alfabéticos – o rebus, embora se constitua como uma escrita icônica, não é pictográfica nem ideográfica, mas fonográfica. É uma espécie de pictograma em que o signo representa o som, como se fosse um fonograma.

Assim, embora não seja ainda um sistema fonográfico que associa signos arbitrários a fonemas, é fonético, usa ícones de objetos que existem no mundo (pictogramas) não por seus valores semânticos, mas para evocar o nome, o significante, a pauta sonora de uma terceira palavra.


No caso do exemplo com “soldado”, usou-se as palavras inteiras, mas o rebus pode ser formado também da pauta sonora de partes de outras palavras representadas iconicamente. Digamos que pudéssemos escrever chuva juntando CHU de “chupeta” e VA de “vaso”:

O rebus foi, ao longo da história, aos poucos dando lugar a uma escrita mais analítica, até os sistemas convencionais e fonéticos – sejam silábicos ou alfabéticos. Entretanto, podemos notar que é um recurso ainda usado em cartas enigmáticas, presente em jornais, livros de crianças, revistas, como um passatempo. Muitas vezes, nessas cartas, já se usa o princípio alfabético, pois as palavras são formadas somando-se ou subtraindo-se letras da palavra original representada pela figura. Mas encontramos também, algumas vezes, o recurso do rebus nesse contexto.

E mais, o princípio do rebus é muito interessante para pensar sobre a língua, em suas composições e recomposições de palavras e partes de palavras, e brincar com a linguagem, aprendendo mais e mais sobre ela. Um recurso interessante para a alfabetização, como ressalta Belintane.

Bom, gente, feita essa digressão na história, que serve para nos lembrar que brincar de decompor e recompor palavras é um recurso que, com o uso de imagens, está na longa história da nossa escrita, voltemos aos livros da coleção “Não é a mesma coisa?”. Mas agora já bem lembrados que sol + dado pode não ser nem sol nem dado, mas soldado! Não é a mesma coisa!!! 

Vamos, então ao outro livro da coleção. 

No MANGA MADURA NÃO SE COSTURA, a brincadeira é com a polissemia das palavras, os sentidos diversos que uma mesma palavra pode ter, combinado e reconstruindo expressões, a partir da mistura desses diferentes significados: o próprio título já diz: "manga madura não se costura?", misturando manga de mangueira e manga de camisa... No geral, são palavras homônimas, que se pronunciam e se escrevem do mesmo jeito, mas com sentidos diferentes, como “macaco” que aparece como o mamífero primata e como ferramenta de consertar pneu de carro, galo que canta e galo de pancada na cabeça... 


A polissemia, que é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados, é motor do dinamismo da língua permitindo que uma mesma palavra possa assumir distintos significados, de acordo com o contexto em que se encontra inserida. Se formos ao dicionário, verificamos que há muitas e muitas palavras que são polissêmicas, mas algumas, em especial, têm significados bem distintos, que se prestam bem ao brincar, à poesia... Vejam alguns exemplos usados no livro:



Por vezes as palavras têm mesmo, originalmente, significados diferentes, por vezes têm significados denotativos, literais, e outros, figurados, conotativos. E por vezes, essas conotações têm caminhos especiais de aparecer na língua. A linguagem se oferta a invenções e criações diversas...e à brincadeira... E o poeta é o artesão que não apenas desembolora as palavras por usá-las de modo inusitado, como também joga, justamente, com essa multiplicidade de sentidos, fazendo disso matéria prima para suas criações. Inclusive as palavras emboloradas, metáforas gastas...

Assim, é interessante destacar que, muitas vezes, as palavras têm um sentido que revela o uso de uma figura de linguagem chamada catacrese, que é uma espécie de metáfora que se cristalizou pelo uso. Usamos, por exemplo, "pé da mesa", “braço de mar”, “olho do furacão”, tomando de empréstimo as palavras “pé”, “braço” e “olho”, usando-as fora do seu sentido habitual. Muito frequentemente, essa transposição tem relação com uma vaga semelhança entre um conceito e outro. A catacrese é uma espécie de metáfora esquecida... e o poeta a retoma para nos relembrar, nesse jogo de brincar com a polissemia das palavras.

Aliás, vou fazer um post sobre a catacrese em breve!

Bom, gente, o livro traz palavras homônimas brincando de polissemia, de catacrese, mas, além disso, podemos lembrar, igualmente, que brincar com palavras homógrafas e homófonas também pode ser outra festa, não é?  

E assim, vamos ao terceiro livro da coleção "Não é a mesma coisa". É o CACHORRO TEM DIA DE CÃO. Neste, a brincadeira é com a ordem das palavras, criando expressões inusitadas, malucas...

Esse livro é bem maluquinho! A autora brinca de inverter as frases e criar situações engraçadas e inusitadas a partir disso. Na inversão, geralmente desembolora termos e expressões comuns, como o comum pé de pato (olha aí o pé de novo!!!), que vira pato de pé!!! Brincadeira que pode seguir com outros termos, outros tantos textos que podem ser ciados, outras tantas brincadeiras que podem ser inventadas!

Leite de vaca todo mundo toma, mas como será uma vaca de leite? 
Mosca na sopa, ninguém quer, mas todo mundo sabe o que é. Mas como será a sopa na mosca?

Sem esquecer que para cada brincadeira dessa, nasce um textinho poético, que faz toda a graça na brincadeira, dando corpo a ela.


Como diz o título da coleção, “Não é a mesma coisa”, de fato... aqui, ali e acolá, todas essas transformações que torcem as palavras, dão polimentos a elas, estica-as, apresentam outra coisa, não a mesma – são palavras e expressões de cara nova!

Isso tudo para mostrar que por trás de livros singelos de poesia e de jogos de linguagem, há muitas coisas riquíssimas da língua a aprender, a observar, a explorar. Não para ensinar sistematicamente esses recursos às crianças, mas para brincar com eles de um modo mais ampliado e diversificado.

Confundir e desconfundir palavras que têm mais de um significado apesar de iguais, desmontar palavras, sua composição, e brincar de inverter a ordem das palavras em expressões pode ser muito engraçado e divertido... é isso que a Coleção “Não é a mesma coisa?” propõe.

E com esse último livro, deixo o convite:
Vamos brincar!?
Lica

BELINTANE, Claudemir. "Matrizes e Matizes do oral". Revista Doxa – Revista Paulista de Psicologia e Educação, Vol 9: Araquara: SP, 2005 (pp.23-45).
BELINTANE, Claudemir. Abordagem da oralidade e da escrita na escola a partir da tessitura interdisciplinar entre a psicanálise e a lingüística. In Proceedings of the 6th Psicanálise, Educação e Transmissão, 2006 [online].