Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Quinta provocação sobre o abecê nordestino

Nessa quinta provocação, vou mostrar e comentar (mas não muito, algumas dispensam comentários!) algumas falas preconceituosas que pesquei na internet sobre o nosso modo de pronunciar os nomes das letras no Nordeste, ou que revelam desconhecimento de sua natureza, mesmo pelos que o defendem. Lógico que há também comentários muito positivos na internet, defesas, saudosismos, afetos...mas, para o argumento que estou construindo, que parte da ideia de que há muito preconceito infundado e desinformação sobre isso, por ora vou apresentar mais os negativos...e só alguns positivos, que ninguém é de ferro! 

Colei os prints, mas também os links das páginas de onde os retirei. Em alguns casos, vale assistir aos vídeos.

A partir de um vídeo no Youtube, de uma criança recitando o abecê nordestino (que nomeiam de “baiano”), vejam o comentário, "salvando-nos": a culpa é da escola que ensina assim... Ainda bem que, junto, vem um outro comentário que, de fato, salva um pouco, ao menos culturalmente..mas trazendo uma ideia equivocada de "mais correto".


Nessa outra página, UtilisInutilis, embora se apresentem como um blog de humor, de inutilidade, também o é, segundo eles mesmos, de curiosidades e informação. Vejam o absurdo: 


Mas o pior é que, aos comentários revoltados com tamanha asneira, a resposta dos administradores é só a de que o blog é assumidamente um blog de humor, como se isso fosse licença e desse aval para o preconceito e a propagação da desinformação. Nas palavras deles: 

Somos piada! Uma das maiores! E o humor justifica...

“Rir com” é muito diferente de “rir de” – podemos até rir de algumas piadas que implicam em diferenças regionais, apesar de trazerem preconceitos e estereótipos, a gente pode rir de algumas delas e rir com eles também  – de outras regiões – sobre as coisas deles lá. Se faz isso entre amigos...

Mas aí não é isso. É preciso se responsabilizar pelo discurso que profere, não é porque é para ele engraçado que, automaticamente está liberado para ser “anta”! Tem informação equivocada sendo espalhada pelo blog. Chamar-se Utilis Inutilis não é desculpa para amenizar o preconceito pesado que é passado com ares de humor sem consequência.

Não bastasse a postura deles mesmos, olha o comentário de outro, que prova exatamente isso: que a "informação" é tomada por muitos não como piada, mas como verdade. E tome-lhe mais desinformação e preconceito na interpretação e "explicação"... 


Não vou nem comentar esse...não carece. Não vale meu tempo...

Sei bem que o Facebook, o Youtube e outras redes estão repletos de preconceitos e desinformação de diversas ordens – e com baianos, então, já vimos o circo dos horrores! Tem coisa que não dá nem para considerar, tamanho despautério...ou vamos parar de acreditar na humanidade. Não sou ingênua ao fazer aqui esse recorte, sei que a questão é muito mais complexa.

Mas, de todo modo, vamos a mais algumas pérolas sobre o tema em questão, em algumas postagens, vídeos e comentários. 

Diante do vídeo, que já é de zoação, vejam os posts e comentários. Essa de baiano ser preguiçoso é antiga, mas aqui reinterpretada com a preguiça de pronunciar as letras corretamente – e o próprio baiano reforça...se defende, mas reforçando... 


Gente! Socorro, pára que eu quero descer! Mesmo diante da canção linda de Luiz Gonzaga, mestre que dispensa apresentações, vejam os comentários:


Não Giancarlo, não era, É ainda ensinado, e não por analfabetos, mas por profissionais alfabetizados e letrados. Muitos baianos ilustres, da literatura, intelectuais, das artes em geral, com reconhecimento nacional e mesmo internacional, foram alfabetizados assim. Sinto lhe informar!

E outra resposta a Ingrid J.:



Outra de envergonhar Seu Lula:

Ficou com vergonha de quê? Perdeu uma chance de apresentar a rica diversidade cultural e linguística de nosso país... 



Para falar tamanha asneira, melhor ficar anônima mesmo...


Sem comentários...

A resposta ao comentário em defesa da variedade linguística é de chorar! Noção “sem noção” do que seja certo e errado, o que seja dicionário e o que seja linguagem...


O site Vida de Programador postou a seguinte tirinha, que gerou também alguns comentários. Dêlêlê se refere aos arquivos DLL. 
Comentários:

Êita, William, então DLL necessariamente se lê dê-ele-ele? Tá puxado... E Cesar, provavelmente ninguém - ou alguns, sim, quem sabe - pronuncia dêlêlê, porque siglas com pronúncias consagradas de uma forma podem ser pronunciadas nessa forma, mesmo por quem nomeia as letras de outro modo em outros contextos. Ou se pronuncia o caminhão FNM como efe-ene-eme? E FFLCH como efe-efe-ele-che? Vejam sobre isso o post da primeira provocação, aqui

E aqui um exemplo de que até pode ser que digam dêlêlê:
Pois é, isso de achar que as letras se dão a ler transparentemente, como lemos os numerais, é frequente... Por exemplo parece ser natural que L, M, R, se leia ele, eme, erre, não é? Só que não! Veja esse aqui:


É salutar, embora esse caso seja de um relato amistoso em relação à perplexidade de conhecer o nosso abecê. Mostro:


Mas vamos a mais um caso: comentários ao vídeo com Vampeta recitando o abc...não dá pra saber quais foram os comentários do apresentador e dos outros para avaliar o tom, mas, nos comentários, sim. Desinformação, deboche, preconceito pesado... Bem como defesas igualmente “bairristas”, em disputas tampouco produtivas de qual seria mesmo o alfabeto “correto”. Começaremos pelos mais leves...

Nesse comentário abaixo em defesa do modo de nomear as letras na Bahia, aparece a confusão entre letra e som e o julgamento de “correção”, que também não procede. 


Abaixo, outra ideia que não procede, mesmo de defensores, visto que a nomeação de efe, ele, eme, ene, erre, esse e etc, chegou a nós pelo alfabeto latino e não pela “americanização” posterior da cultura ocidental, em função das dinâmicas sociopolíticas e econômicas. 


Não foi só nesse comentário que já vi dizer que seria influência do alfabeto inglês, e a referência ao fato de que brasileiro gosta de imitar os americanos. Além de equivocado, será que precisa discordar, xingar, devolver com a mesma violência para defender o outro lado? Postas dessa forma, mesmo as defesas me parecem fragilizar a discussão.

No contexto de uma discussão sobre as pronúncias que seriam corretas das vogais E e O - se abertas ou fechadas -  surge um comentário, aqui, que defende a variação de "sotaque" quanto ao nome das consoantes também, mas incorre no mesmo equívoco de achar que nosso modo de se referir às letras não é nome, mas "entonação", pronúncia, "uso":



Justamente...se P é pê, o que impede de F poder ser fê, L ser lê? Que evidência há de que L deva ser, necessariamente, éle, e F, éfe? A afirmação toma como se houvesse uma evidência nas pronúncias em si mesmas...

Desse modo, às vezes, o que se revela nos comentários é o puro desconhecimento mesmo, não resvala ao preconceito - ou desconhecimentos como os casos acima, ou desconhecimento da existência desse modo de falar, como no caso abaixo. Nessa página de um professor português, em um post sobre a pronúncia da letra G – que em Portugal parece também oscilar entre gê e guê – o comentário é assim, com resposta certeira:


O seu Brasil, então, anônimo, não é o mesmo que o meu!

Mas essas situações, que revelam apenas a desinformação, não são nada diante das críticas pesadas aos baianos e à Bahia. Talvez ainda revoltados com os rumos da política nacional atual, talvez não...Não importa. O preconceito com nossa cultura é antigo. Vamos de volta aos comentários do vídeo de Vampeta, esse rendeu! E seguiremos com eles por algum tempo... Vamos lá, tem que ter estômago...




Ufa!!! A internet possibilitou termos a noção das asneiras que se pensa por aí... deu aval a esse bando de antas (coitadas das antas), que se reconheceram como muitos... (desabafo...desculpem...).

Bom, mas, às vezes, os próprio baianos dão “pano pra manga” ao preconceito, reforçando a opressão sofrida por seu próprio povo...e isso devido à desinformação, à falta de firmeza quanto a nossa identidade cultural e linguística e a certa exaltação ao que vem das outras regiões, supostamente mais “correto”. Nem todos os baianos falam assim, Daniel, mas ao desconhecer sua própria cultura, é você quem está em falta.


Não gente...principalmente se estão falando da Bahia, esse não é um jeito de decorar mais facilmente as letras ou de facilitar a aprendizagem quando criança, não se fala assim apenas na infância e, muito menos, é falar “anormalmente”. Nos referimos assim às letras, mesmo adultos, letrados. Pode até ter sido, na origem, um modo de facilitar a soletração – mas, pasmem! Isso veio da França e de Portugal, nem é “coisa de nordestino” nem originalidade baiana, ou algo do gênero. E esse “facilitar” em nada está relacionado à preguiça. No passado, antes da “colonização” do nosso abecê pelo outro dito oficial, aprendia-se assim, sem nenhum problema, mesmo na capital baiana. E em outras regiões do Nordeste também. O modo de referir a essas oito letras, diferente do outro abecê, não se limitava nem se limita à infância. Seguimos nos referindo desse modo às letras mesmo adultos – seja no passado, seja ainda hoje.

Conheço muita gente, muita mesmo, que fala assim, pronunciando as letras nordestinas nas situações sociais em que nos referimos a seus nomes (salvo nas siglas já consagradas). Podemos até usar as outras letras, mas se formos recitar o abecedário, muitos de nós só o faz com destreza, se for o nosso abecê, aprendido na infância. Na Bahia, esse modo ainda vive, ainda é ensinado e usado, para além da alfabetização, embora o outro abecê tenha substituído o nosso em muitas escolas.

Temos que buscar argumentos  mais contundentes e fortalecer esse traço de nossa identidade, e não simplesmente aceitar essa “colonização”, repetindo argumentos infundados.  Vamos defender esse uso, gente, não enfraquecê-lo!

Algumas defesas, entretanto, como essa abaixo, ficam no campo de disputas bobas, em termos de certo e errado, que não levam a nada, nem para defender, nem para criticar. Variar é próprio da língua... E aliás, essa defesa ou ataque, nesses termos de certo e errado, é “bairrista”, igualmente equivocada em termos histórico-culturais, como podemos ver:


Justamente, não tem isso de certo e errado, ainda mais quando se trata de um aspecto como esse, cuja historicidade mostra que ambos os modos tiveram origens muito remotas e ambos nos servem bem. Ambos nos servem bem! Podemos aprender a ler com efe ou com fê, são ambos legítimos. Como o último comentário acima citou, trata-se do mesmo alfabeto, só oito letras têm uma nomeação diferente. Tanto barulho por causa disso? (a questão é justamente porque isso só é um pretexto para escoar preconceitos outros, de outra ordem, com baianos e nordestinos). Inclusive, para quem se preocupa com a “oficialidade”, elas já são sim dicionarizadas, bem como, no Acordo de 1990/2009, as letras efe, gê, jota, ele, eme, ene, erre, esse são SUGERIDAS e há indicação de outras formas como realizações possíveis.

Como diz o comentário abaixo, mostrem as leis que dizem que nosso abecê está errado! Vamos buscar os fundamentos para justificar nossas posições! Vamos parar de querer justificar o injustificável – e por vários caminhos e argumentos podemos provar que são posições infundadas.


Mas em vez de revolta, de devolver na mesma moeda, prefiro me engajar em informar, em discutir a questão de modo fundamentado. Vamos reposicionar a questão, buscando informação. O desconhecimento é tanto motor de preconceito quanto da falta de firmeza na defesa desse traço de nossa identidade cultural, por nós mesmos.

No site do documentário Sertão como se falacuja equipe de filmagem, justamente, passou por diversos municípios do sertão nordestino, mostrando essa diversidade do modo de pronunciar as letras e sua relação com a cultura do Nordeste, encontramos esse comentário:


Não gente, efe não é nome e fê fonema – ele é que está confundindo palavra e fonema. Fê é o nome da letra no Nordeste. É lexicalizado, está dicionarizado. Fonema não se dicionariza, fonema não se pronuncia com ê, como já discuti em outros posts e como discutiremos mais a fundo em breve.

O desconhecimento, por vezes, é grave. Temos muitos nordestinos trabalhando e se alfabetizando em outras regiões, e recebemos nas escolas da Bahia crianças de outras regiões...Porque essas pessoas precisam passar por constrangimentos relativos a um conhecimento tão simples, de que 8 letras do alfabeto podem ter dois nomes diferentes em diferentes regiões. É tão simples de resolver – para que tanta celeuma inútil?

E isso vale tanto para quem ensina o abecê “oficial” dizendo ser a única forma correta, quanto para quem ensina o nordestino e aceita apenas essa forma. Temos duas formas, gente! Esse é um conhecimento que o Brasil todo deve ter. 

Vera o caso abaixo relatado, bastante suis generis, que envolve diferenças entre os próprios nordestinos: os baianos, que, em muitos casos, se mantêm mais fieis ao abecê que antes circulava no Nordeste, e os pernambucanos, que, ao que parece, já o esqueceram, ou ele se manteve/se mantém apenas em algumas partes do sertão pernambucano...

De qualquer modo, diferente dos casos mais frequentes, que são de baianos que aprenderam exclusivamente o fê, guê, ji, lê, mê, nê, rê, si, e se veem confusos na alfabetização com o outro abecê, nesse caso aqui a confusão é, justamente, o contrário esse abecê (aí referido como sendo apenas da Bahia) ser imposto como o único correto. 


Percebem que a questão posta em termos de certo e errado não é favorável a NINGUÉM? Nem para assumir um abecê, nem o outro? Para ver outro relato interessante, ver aqui. Falar de diferenças regionais para aplacar o riso já instalado, como a autora do relato coloca, realmente não é bem o que resolve, mas se a diversidade for objeto de conhecimento desde sempre nas escolas, talvez possamos evitar tais constrangimentos.

Como as pessoas de diferentes regiões (e mesmo na mesma região) se deslocam por inúmeros motivos, o conhecimento, por todo Brasil, de que temos em nosso país dois modos de nomear algumas letras, é fundamental para que ninguém sofra esse tipo de constrangimento. Se nem no contexto do próprio Nordeste estamos imunes a isso, imagina entre diferentes regiões! Muita gente nem sabe que existe outra forma. Temos que, inclusive, desmistificar essa imagem do Nordeste como uma região culturalmente homogênea, tendo uma identidade única. Não é.

Agora, achar que o abc do sertão só existia na canção de Luiz Gonzaga, aí também já achei um pouquinho sem noção... e é uma nordestina! Nunca pensou no que a canção do conterrâneo queria dizer? Precisamos conhecer mais os nossos falares.

Pensando agora não em termos culturais, mas em termos linguísticos, um comentário a esse post traz, novamente, a confusão entre nome e som. Lógico que as letras nordestinas se aproximam mais do som – e por isso mesmo, tendem a facilitar a alfabetização – mas elas são nomes, não som, muito menos fonemas. Então, não tem nada a ver com método fônico. As letras, seja que nomes tiverem, representam fonemas  – isso é do funcionamento da notação da língua, não de um método específico de alfabetização, certo? 


É isso, gente... Diante de meu interesse pelo tema, fui pesquisando na internet e colecionando alguns prints, que me davam notícias de que, sim, há muito desconhecimento e preconceito quanto ao abecê usado em algumas partes do Nordeste. Usado antigamente de forma mais ampla e, em alguma medida ainda hoje, no sertão, mas usado especialmente na Bahia, mesmo hoje, onde ainda é ensinado em muitas escolas – geralmente simultaneamente ao outro – e mesmo na capital (a pesquisa que estou fazendo com professores de municípios baianos trazem notícias concretas sobre isso, em breve vamos conhecer os resultados).

A ideia de postar esses prints foi reforçada pela professora Dinéa Maria Sobral Muniz, da Faced/UFBA, quando apresentei esse estudo para uma turma dela de estágio supervisionado em língua portuguesa. É que, embora eu tenha os colecionado em minhas pesquisas pela internet, de início, fiquei reticente em postá-los, por receio de parecer que eu estaria entrando nessa disputa, nesses termos que questiono – o que não é o caso e o que não vejo sentido.

Meu intuito ao mostrá-los é apenas argumentar, a partir de dados concretos, que essa é, sim, uma questão importante de se discutir, embora aparentemente secundária nas pautas do campo da alfabetização. E é importante tanto pela questão cultural e sociolinguística envolvida, quanto devido ao fato de que, linguisticamente, nosso abecê faz todo o sentido, por nomear as letras de modo mais próximo a seus sons, usando o princípio acrofônico de forma direta – o que é tido como favorável ao estabelecimento de relação entre grafemas e fonemas, por vários estudiosos contemporâneo – como veremos em breve.

Esse princípio, aliás, como nos ensina o linguista Luiz Carlos Cagliari, está na origem mesma do nosso sistema alfabético, desde os fenícios. Retomado pelos romanos, foi essa ideia de os nomes dar pistas mais diretas dos sons das letras que, inicialmente, estruturou o alfabeto latino. Depois, como expliquei no post anterior, é que veio o jeito de nomear com o –e antes (efe) e não depois () da consoante.

Então vamos pesquisar mais, não é gente?

E para terminar, vejam que interlocução fantástica: o desconhecimento e o conhecimento em diálogo mais cortês, aqui. E voltemos aos ensinamentos de nosso querido Gonzagão:



Saudações alfabéticas,
Lica

2 comentários:

  1. Que fantástico alguém pesquisar sobre esse tema, Lica. Realmente, a gente vai levando como se fosse um uso meio torto, quase uma condescendência que "pedimos" ao resto do Brasil. Nossos avós e nossos pais aprenderam assim, mesmo ainda sendo usado, diminuiu muito, gosto dessa ideia de nos liberar para usar sem medo de ser feliz...rsrsrsrs
    Muito bom mesmo esse estudo.
    E quanto aos comentários, afffe! Mas como você mesma disse, o ódio aos baianos tem outros motivos, e as redes sociais realmente revelou ainda mais isso.
    Mas tem casos aí, que nem estudo resolve!
    Abração,
    Leila
    (FJA)

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  2. Isso mesmo, Leila!
    O preconceito e o ódio quando vêm de outros lugares, realmente, saber essas coisas em pouco ajuda.
    Mas se a gente fortalecer a defesa do uso de nosso abecê, já está valendo!
    Bjos,
    Lica

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