Ando sumida, muito trabalho, reta final de redação da Tese para defesa lá para setembro. Por isso os posts estão rareados e só no Face de vez em quando aparece uma notícia...
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
Publicação
Oi, gente!
Ando sumida, muito trabalho, reta final de redação da Tese para defesa lá para setembro. Por isso os posts estão rareados e só no Face de vez em quando aparece uma notícia...
Ando sumida, muito trabalho, reta final de redação da Tese para defesa lá para setembro. Por isso os posts estão rareados e só no Face de vez em quando aparece uma notícia...
Mas logo que essa correria acabar, volto ao blog com força total!
Escrevo hoje para divulgar o lançamento de uma publicação sobre Educação Infantil, que conta com um artigo meu. A publicação, contendo artigos de vários pesquisadores e professores, é intitulada "Estudos e Passagens do Proinfantil na Bahia".
O meu artigo intitula-se "Tá iquito aqui! Eventos de letramento e as práticas de leitura e escrita antes da alfabetização".
Esse é um artigo que escrevi já faz um tempo, um pouco depois da apresentação que fiz sobre eventos de letramento no SIEPE de 2010, que está postado aqui. Ele segue essa ideia de discutir sobre o tema a partir de eventos de letramento efetivamente vividos por meu filho Joaquim, minha enteada Dora e algumas outras crianças. Daí o "Tá iquito aqui", frase que ouvi muito de um e de outro e que agora ilustra e ilumina o título de minhas reflexões.
O artigo completo está disponível digitalmente aqui, na página 55 do livro.
Um abraço,
Lica
Referência completa: ARAUJO, L. C. . Tá iquito aqui! Eventos de letramento e as práticas de leitura e escrita antes da alfabetização. In: Mary de Andrade Arapiraca; Lícia Maria Freire Beltrão; Cleverson Suzart Silva. (Org.). Estudos e passagens do Proinfantil na Bahia. 01ed. Salvador: EDUFBA, 2012, p. 55-70.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Sobre literatura e alfabetização
Oi gente...
Em tempo de muito trabalho e mergulho na escrita da tese de doutorado, peço um pouco mais de paciência quanto ao post prometido das atividades com os tangolomangos. Tem gente pedindo, esperando... eu sei... Está quase pronto, mas parado... Não tive como pegar.
Por ocasião da preparação, na Universidade Federal da Bahia, da formação do Pacto Nacional Alfabetização na Idade Certa (MEC), e após a brilhante palestra de Lícia Maria Freire Beltrão, nossa Licinha, sobre literatura e gêneros textuais na alfabetização, sugiro a leitura do post Literatura e Alfabetização. Pensei em nós formadores do Programa, mas também em provocar, de novo, todos aqueles que têm a literatura e a alfabetização e letramento no horizonte de suas labutas e deleites.
Em tempo de muito trabalho e mergulho na escrita da tese de doutorado, peço um pouco mais de paciência quanto ao post prometido das atividades com os tangolomangos. Tem gente pedindo, esperando... eu sei... Está quase pronto, mas parado... Não tive como pegar.
Por ora, vou indicando a leitura de antigos posts, tais quais eram ou com novidades...
Por ocasião da preparação, na Universidade Federal da Bahia, da formação do Pacto Nacional Alfabetização na Idade Certa (MEC), e após a brilhante palestra de Lícia Maria Freire Beltrão, nossa Licinha, sobre literatura e gêneros textuais na alfabetização, sugiro a leitura do post Literatura e Alfabetização. Pensei em nós formadores do Programa, mas também em provocar, de novo, todos aqueles que têm a literatura e a alfabetização e letramento no horizonte de suas labutas e deleites.
Para os que já conhecem o post, inclui umas novidades... a coleção do Jez Albourough, descoberta mais recentemente, e o meu antigo amigo, O amigo da bruxinha, cujo material muitos já conhecem, já fizeram, já usaram e abusaram em suas salas de aulas. Coloquei no post com a sugestão de material e tudo!
Vão lá, é só clicar aqui.
Beijos,
Lica
Ah, e vejam também o novo blog da Ana, palavra de professor que reinventa a alfabetização (como diz Magda Soares) no dia a dia... que entra no mundo encantado da literatura e de lá sai com boas ideias para unir esse universo à reflexão sobre a língua! É aqui!
Ah, e vejam também o novo blog da Ana, palavra de professor que reinventa a alfabetização (como diz Magda Soares) no dia a dia... que entra no mundo encantado da literatura e de lá sai com boas ideias para unir esse universo à reflexão sobre a língua! É aqui!
sábado, 24 de setembro de 2011
Versão Digital da Brochura
Como prometido, eis a versão digital da minha brochura “Quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será: textos da tradição oral na alfabetização”. Confiram abaixo. Para quem não teve a oportunidade de acesso à brochura impressa, agora pode lê-la, baixá-la e até imprimir se quiser. Está disponível para download ou embed (para poder ser postada em outros blogs) no slideshare: http://www.slideshare.net/Licaraujo/textos-da-tradio-oral-na-alfabetizao
Ou clique no título abaixo para redirecionar.
Embora já traga coisinhas interessantes para a discussão sobre os textos da tradição oral na alfabetização, trata-se de uma compilação de textos que eu costumava usar em minhas aulas e oficinas, apresentando algumas características de alguns desses gêneros, algumas propostas de atividades para diferentes níveis no domínio da leitura e escrita. Textos que agora se apresentam organizados nessa publicação. Ciente, no entanto, das limitações da brochura, das possibilidades de aprofundamento, e calcada no desejo de explorar mais essa discussão, estou, como já anunciei, organizando um livro – eu e Mary Arapiraca – muito mais completo, sobre o tema, inclusive com a inclusão de fotos e apresentação dos materiais que passeiam nas oficinas e aqui no blog. Aguardem!
Outra coisa, essa brochura digital é uma versão mais uma vez revisada, assim quem já tem a versão impressa anterior a essa, pode também ter acesso às correções. Ainda que tenha passado por várias leituras e por revisões sucessivas, sempre apareciam errinhos, coisinhas de desatenção, de digitação, releituras apressadas, ou por escorregos na formatação. Mesmo depois de rodada, ou justamente depois disso, o que passava despercebido, mostrava as caras, gritando. Assim, fomos revisando de novo e de novo e, enfim, chegamos a essa versão – que ainda assim pode ter sacis dando língua. Sim, pois vou contar um segredo para vocês: na verdade, por mais que a gente revise, o saci vem e embaralha tudo... é culpa dele, como bem nos alertou Lobato:
Erro TipográficoA luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar.Monteiro Lobato
Essas palavrinhas de Lobato aliviam um pouco para nós autores, redatores, revisores, editores... Para quem escreve, lê, monta, formata, organiza ou de alguma outra forma, labuta com os livros, é bom saber: de madrugada os sacis mexem em tudo e, como diz Thiago Freitas, talvez já tenham mexido lá e nesse escrito aqui também. Vejam um artigo divertido de Thiago sobre isso em:
Ah, o lançamento oficial da brochura continuará sendo no dia 30/11/2011, no ELEGE, conforme informado.
É isso, minha gente, espero que gostem...
Lica
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Brochura
Textos da Tradição Oral na Alfabetização
Pessoal!
Ficou pronta a brochurinha de minha autoria que estamos publicando pela Edufba, a editora da Universidade Federal da Bahia, intitulada "...Quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será: textos da tradição oral na alfabetização". Ela será lançada no ELEGE - II Encontro de Leitura e Escrita do GELING, (http://www.elege.ufba.br/), no dia 30/09, às 17:30h, na FACED/UFBa, no Vale do Canela.
Ficou pronta a brochurinha de minha autoria que estamos publicando pela Edufba, a editora da Universidade Federal da Bahia, intitulada "...Quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será: textos da tradição oral na alfabetização". Ela será lançada no ELEGE - II Encontro de Leitura e Escrita do GELING, (http://www.elege.ufba.br/), no dia 30/09, às 17:30h, na FACED/UFBa, no Vale do Canela.
A brochura traz algumas discussões sobre os textos da tradição oral que se sabe de cor no processo de alfabetização, sem perder de vista a sua origem e natureza oral, bem como propõe algumas atividades e materiais a partir desses textos: parlendas, trava-línguas, cantigas, quadrinhas, ditados populares, adivinhas. O título e a ilustração da capa trazem o mafagafo, personagem de um trava-língua conhecido, fazendo referência aos desafios que lanço aos professores, em sua tarefa de alfabetizar em contexto de letramento, articulando, em diversos níveis, a oralidade e a escrita.
A brochura é uma pequena compilação de textos que eu costumava usar e disponibilizar em minhas aulas e oficinas, agora apresentados organizados numa publicação. A ideia de publicar esse meu material foi de Mary Arapiraca, que organizou a brochura e deu a maior força para a sua publicação.
Esse passo nos deu a ideia de fazer um livro sobre o assunto, que já estamos começando a elaborar. O livro será mais completo, com o desenvolvimento de algumas discussões apenas esboçadas na presente brochura, e com mais ideias de atividades, materiais, jogos, bem como fotos do acervo de materiais que se refere aos textos desses gêneros. Será bem mais completo! A brochura, assim, é uma prévia do que será o nosso livro, e já dá para dar alguma ideia do que será e mostrar o rumo das discussões.
Estou contente com essa pequena publicação, que ajuda a divulgar mais o meu trabalho, o blog, os materiais. A brochura está sendo disponibilizada para alunos de alguns cursos ligados à Faced/UFBa e em outros contextos, como eventos – a exemplo do Proler de Araxá, do qual participei recentemente – escolas, faculdades particulares etc. E também aos participantes do II Elege, que acontecerá entre 28 de setembro e 1° de outubro.
Agradeço a Mary pelo empenho na organização, no levantamento de recursos para o projeto e nessa etapa de divulgação. Obrigada, querida...é mais um de nossos filhotes!
Quero agradecer também a Lícia Beltrão, pela inspiração em tudo o que diz respeito à leitura e escrita, a Ricardo Sans por viajar e imaginar a possível figura de um mafagafo para a capa, e a Álvaro pela revisão atenciosa. Agradeço também ao pessoal da Edufba que, além de fazer o seu trabalho, acolheu nossas demandas e reviravoltas com disponibilidade. Inclusive as peraltices do saci, que embaralhava as letras todas, mal terminadas as revisões.
Agradeço por fim a meu marido, Zé, ou Pinduca, como alguns de vocês o conhecem, especialmente pelas afinidades nas artes de educar e no educar pelas artes, belezas e riso; e ao meu filho, Joaquim, que me ensina todo dia sobre as coisas que outrora eu apenas ouvia dizer, observava assistematicamente, lia, estudava, em matéria de linguagem. Em tudo tem ele...desde ele.
É isso, gente! Fiz com carinho, espero que façam bom proveito.
Lica
terça-feira, 5 de outubro de 2010
SIEPE 2010 - Oficina e Ciranda Reflexiva
Oi, gente,
Fui convidada pelo professor Paulo Gurgel e pelo Geling – Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Linguagem (ligado ao Programa de Pós-Graduação, Faced/UFBa), do qual faço parte, a realizar uma Oficina de Materiais de Alfabetização no II SIEPE – Seminário Integrado, Ensino, Pesquisa e Extensão. O evento foi realizado na Faculdade de Educação da UFBa, de 27 a 30 de setembro de 2010. A Oficina teve duração de 5h, em duas noites do evento. Um tanto rapidinho, mas deu para dar um gostinho...
Levei alguns dos materiais de meu acervo (não todos, pois não dá, são muitos!!!) e foi bem bacana. Vimos os materiais, manipulamos, jogamos, conversamos sobre eles, contextualizando-os nas discussões sobre alfabetização e letramento. Foram materiais a partir de textos da tradição oral, da literatura infantil, dos quadrinhos, filmes e também jogos fonológicos, dentre outros.
Sempre é uma oportunidade de divulgar o trabalho e de compartilhar com mais gente os materiais e ideias. Minha caixa letrada, nas duas noites da oficina, deixava curiosos pelo corredor.
http://rkioko.blogspot.com
No evento, além da Oficina, participei, junto com Mary Arapiraca, professora da Faced, da Ciranda Reflexiva intitulada Eventos de Letramento. Conversamos sobre o tema a partir de textos, imagens, vídeos e trazendo muitos exemplos de eventos de letramentos das crianças com as quais convivemos, meu filho, os netos de Mary, dentre outras ocorrências que ilustravam a discussão. Eu, como mãe-pesquisadora, registro em um caderninho os eventos interessantes de Joaquim em torno da escrita, leitura e das linguagens em geral. Fiquei contente de poder utilizar esses registros, memórias, essas anetodas de família, em uma apresentação. Mary também, que tem os eventos envolvendo os seus netos gravados em arquivos e em vídeo.
No evento, além da Oficina, participei, junto com Mary Arapiraca, professora da Faced, da Ciranda Reflexiva intitulada Eventos de Letramento. Conversamos sobre o tema a partir de textos, imagens, vídeos e trazendo muitos exemplos de eventos de letramentos das crianças com as quais convivemos, meu filho, os netos de Mary, dentre outras ocorrências que ilustravam a discussão. Eu, como mãe-pesquisadora, registro em um caderninho os eventos interessantes de Joaquim em torno da escrita, leitura e das linguagens em geral. Fiquei contente de poder utilizar esses registros, memórias, essas anetodas de família, em uma apresentação. Mary também, que tem os eventos envolvendo os seus netos gravados em arquivos e em vídeo. Enfim, como prometido aos que lá estavam presentes, seguem abaixo os slides nos quais baseamos nossa fala. Para os que não estavam, é uma oportunidade de ver um pouquinho do que fizemos por lá. Ressalto, no entanto, que muito do que mostramos e falamos não está posto aí. Ficaram no evento vivido, no acontecimento precipitado naquela manhã de quarta-feira. Ficarei devendo o filme de Mila lendo, ainda sem saber ler, o livro Bruxa, Bruxa.
Até a próxima,
Lica
Os slides estão no link:
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Abecedários
Algumas palavras...
Existem e existiram sistemas de escrita diversos, não apenas alfabéticos, e existem alfabetos diversos, embora todos assentados no mesmo princípio de notação fonêmica das línguas faladas. Exemplos:

Finalmente vou começar a postar sobe o tema que prometi. É que ele foi ficando grande, espichado, cheio de inserções. E ainda cresceria mais...aí não dá, né? Num blog! Não dá! Assim, resolvi postar por etapas, ok? Vai a primeira parte, primeiras palavras... e depois vão as outras partes...
Um pouco de história...
Existem e existiram sistemas de escrita diversos, não apenas alfabéticos, e existem alfabetos diversos, embora todos assentados no mesmo princípio de notação fonêmica das línguas faladas. Exemplos:

alfabeto grego e alfabeto cirílico
ideogramas chineses
Embora o sistema alfabético seja um sistema econômico, digamos assim, não temos a ilusão de que seja exclusivamente alfabético, pois não há uma letra para cada fonema numa relação biunívoca. Nem poderia. Mas ele é de base alfabética, fonográfica e essa natureza precisa ser considerada no ensino da leitura e escrita. Nosso sistema é ortográfico e considera também aspectos etimológicos. O princípio alfabético não dá conta, sozinho, da escrita das palavras. Se desse, escrever foneticamente já seria escrever corretamente, o que não é o caso, nem poderia. Ilusão achar que o alfabeto poderia resolver tudo, diante das variedades linguísticas, por exemplo. Não há reforma ortográfica que torne o alfabeto suficiente para escrever corretamente. Como diz Cagliari, o alfabeto foi uma invenção maravilhosa...que não deu certo! E o que o salvou foi a ortografia. E assim ele continua sendo muito funcional.
Recorrendo a fontes que contam a história de escrita e dos métodos de alfabetização, podemos constatar que desde a criação do alfabeto pelos gregos na Antiguidade Clássica (que tomaram emprestado o alfabeto consonantal do sistema de escrita dos fenícios, também resultado de apropriações de sistemas pré-alfabéticos da Antiguidade), surgiu o primeiro método de ensino de leitura (em um sistema que tem como base a fonemização da escrita). Era o método de soletração, também conhecido como método alfabético ou ABC, visto que se inicia pelo ensino das letras e enfatiza os nomes das letras para formar sílabas e soletrar as palavras (e não os seus sons, como no método fônico). Foi um método de ensino muito usado da Idade Média até o início do XX.
Para este ensino, surgiram os primeiros livros destinados à alfabetização, à aprendizagem da leitura e escrita: os abecedários, que são livros com as letras do alfabeto para ensinar a ler. No início, porém, nem eram livros no sentido preciso do termo.
Recorrendo a fontes que contam a história de escrita e dos métodos de alfabetização, podemos constatar que desde a criação do alfabeto pelos gregos na Antiguidade Clássica (que tomaram emprestado o alfabeto consonantal do sistema de escrita dos fenícios, também resultado de apropriações de sistemas pré-alfabéticos da Antiguidade), surgiu o primeiro método de ensino de leitura (em um sistema que tem como base a fonemização da escrita). Era o método de soletração, também conhecido como método alfabético ou ABC, visto que se inicia pelo ensino das letras e enfatiza os nomes das letras para formar sílabas e soletrar as palavras (e não os seus sons, como no método fônico). Foi um método de ensino muito usado da Idade Média até o início do XX.
Para este ensino, surgiram os primeiros livros destinados à alfabetização, à aprendizagem da leitura e escrita: os abecedários, que são livros com as letras do alfabeto para ensinar a ler. No início, porém, nem eram livros no sentido preciso do termo.
Tabuletas com alfabetos foram, provavelmente, os principais objetos usados para a aprendizagem da leitura da Idade Média. Na Inglaterra, e em suas colônias americanas, utilizavam-se os hornbooks, entre os séculos XV e XVIII. Os hornbooks eram uma espécie de pá com as letras do alfabeto, para segurar pelo cabo, como este da ilustração ao lado. Alguns traziam as maiúsculas e minúsculas, e, por vezes, pequenos textos.
No Brasil, desde o final do século XIX, utilizavam-se as Cartas do ABC, livretos que traziam o
alfabeto escrito de várias formas, valorizando a grafia. O método que se concretizava através desta cartilha era o método alfabético, de soletração. As cartilhas de outros métodos (sintéticos ou analíticos), no entanto, traziam também uma parte introdutória, com o alfabeto.
Imagem Cartas da Infância: de autoria anônima, a 1ª. edição das "cartas de ABC" é de 1905. Há, entretanto, indícios de que essa publicação é a introdução do Livro da Infância de Augusto Emílio Zaluar, escritor português radicado no Rio de Janeiro.
Estamos, hoje, muito longe do ensino da leitura pelo método da soletração (o bê-a-bá). O aprendizado das letras – seja de seus nomes e/ou sons – não é mais visto como prévio ao contato com as palavras e textos, descontextualizado e decorado. Não mais se considera tampouco que seja preciso aprender toda a ordem alfabética antes dos tateamentos em direção ao reconhecimento de palavras e à leitura. Hoje já sabemos que aprender as letras não implica em saber como o sistema de escrita funciona e em saber decodificar. As crianças têm muitas ideias sobre a escrita mesmo sem saber todas as letras.
alfabeto escrito de várias formas, valorizando a grafia. O método que se concretizava através desta cartilha era o método alfabético, de soletração. As cartilhas de outros métodos (sintéticos ou analíticos), no entanto, traziam também uma parte introdutória, com o alfabeto.Imagem Cartas da Infância: de autoria anônima, a 1ª. edição das "cartas de ABC" é de 1905. Há, entretanto, indícios de que essa publicação é a introdução do Livro da Infância de Augusto Emílio Zaluar, escritor português radicado no Rio de Janeiro.
Estamos, hoje, muito longe do ensino da leitura pelo método da soletração (o bê-a-bá). O aprendizado das letras – seja de seus nomes e/ou sons – não é mais visto como prévio ao contato com as palavras e textos, descontextualizado e decorado. Não mais se considera tampouco que seja preciso aprender toda a ordem alfabética antes dos tateamentos em direção ao reconhecimento de palavras e à leitura. Hoje já sabemos que aprender as letras não implica em saber como o sistema de escrita funciona e em saber decodificar. As crianças têm muitas ideias sobre a escrita mesmo sem saber todas as letras.
No passado sugiram outros métodos, muito mais eficazes do que a soletração, como os métodos silábicos e fônicos (sintéticos) e os métodos analíticos, que tiveram seu papel e cumpriram a função de alfabetizar considerando os conhecimentos que se tinha no seu tempo. Embora ainda existam e tenham se renovado, hoje já se questiona esses métodos, no sentido de serem prescritivos, reducionistas em relação à complexidade da aprendizagem da língua escrita, baseados em concepções empiristas e associacionistas de ensino e por não considerarem os conhecimentos que hoje dispomos sobre os processos de aprendizagem dos sujeitos. O post da Mafalda, no marcador “Sobre Alfabetização” faz a crítica perfeita. Vejam lá!
Estudar a história do ensino da leitura e escrita, das ideias sobre alfabetização e dos métodos e cartilhas utilizados também é bastante produtivo para futuros professores, especialmente os alfabetizadores, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental.
Estudos de diferentes áreas contribuíram para uma mudança de paradigma na alfabetização que hoje se propõe, sejam estudos linguísticos, psicolinguísticos, sociolinguísticos, passando pelas concepções construtivistas e sociointeracionistas e os estudos sobre letramento e consciência fonológica. Na bibliografia indicada na coluna à direita vocês podem ter uma referência básica de estudos nesse sentido.
O ensino da leitura e escrita, entretanto, seja a partir de que método ou concepção for, supõe também o aprendizado das letras, sua forma, seus nomes e sons, ainda que no âmbito de práticas significativas, sociodiscursivas, lúdicas e contextualizadas. Afinal de contas, elas são os signos que notam fonemas da língua falada. Podemos aprender as letras a partir dos nomes próprios dos alunos da classe, por exemplo, ou em contexto de pequenos textos que enfatizam os fonemas e as letras, em práticas lúdicas e poéticas, como as que sugerem os livros que indicarei aqui no blog, na continuação desse post.
Abecedários hoje...se é que os podemos chamar assim...
Dito tudo isso, quero justificar os posts sobre abecedários, que se seguirão a esse, dizendo que esses se tratam de livros que, hoje, dentro de novas concepções de alfabetização, vêm cumprir, ao lado de outros recursos, a tarefa de ensinar as letras e seus sons de forma lúdica, poética, interessante. Já não se trata de decorar as letras e a ordem alfabética, nem de tomar esse aprendizado como mera associação do desenho das letras a seus respectivos nomes ou como ponto de partida do ensino da leitura e escrita. O alfabeto, a categorização gráfica e funcional das letras, a relação entre letras e fonemas exigem a construção de conhecimentos complexos e diversas operações cognitivas.
É preciso, assim, assumir que, como conhecimento social, convencionado que é, essa aprendizagem se faz necessária, no bojo do processo de construção e apropriação gradual do sistema de escrita alfabética. Desloca-se o lugar e o modo da aprendizagem das letras do alfabeto, porém, mantém-se a necessidade de ensinar a quem está em processo de aprendizado da leitura e escrita, os signos utilizados para tal.
O que pretendo trazer para vocês são sugestões de alguns livros ou textos atuais, interessantes, que ora exploram as formas gráficas das letras, ora associam as letras a pequenos textos narrativos ou poéticos e jogos de linguagem, como assonâncias e aliterações. Assim, enfatizam não apenas o aprendizado gráfico, mas a reflexão fonológica em presença do escrito e a apropriação do princípio alfabético, através da relação entre letras e fonemas. Podemos observar em muitas dessas obras, espécies de “cartilhas poéticas”, a qualidade estética e a exploração poética da linguagem, e não simplesmente uma abordagem pedagógica, embora cumpram muito bem também essa função. Os livros sugeridos trazem também ilustrações de qualidade, que enriquecem o texto, tornam o livro ainda mais atraente e contribuem para proporcionar bons momentos de leitura, brincadeira e aprendizagem.
Vamos a eles! Aguardem o próximo post sobre os abecedários!
Vão lá no marcador Alfabetos e acessem todos!
Vão lá no marcador Alfabetos e acessem todos!
Bibliografia Básica dos posts sobre abecedários:
CAGLIARI, L.C. MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas/SP: Mercado de Letras: ABL, 1999.
HIGOUNET, Charles. História concisa da escrita. São Paulo: Parábola, 2003.
MORAIS, A.G.de; ALBUQUERQUE, Eliana. Borges C. de; LEAL. Telma Ferraz (orgs). Alfabetização: apropriação do sistema de escrita alfabética. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Os sentidos da alfabetização (São Paulo: 1876-1994). São Paulo: UNESP; CONPED, 2000.
SOARES, Magda. Alfabetização e literatura. In: REVISTA EDUCAÇÃO: guia da alfabetização. Escrita e leitura: como tornar o ensino significativo. São Paulo: Segmento, CEALE, 2010. n. 2, 90 p. Edição especial.
ZATZ, Lia, A aventura da escrita: história do desenho que virou letra. São Paulo: Moderna, 1991.CAGLIARI, L.C. MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas/SP: Mercado de Letras: ABL, 1999.
HIGOUNET, Charles. História concisa da escrita. São Paulo: Parábola, 2003.
MORAIS, A.G.de; ALBUQUERQUE, Eliana. Borges C. de; LEAL. Telma Ferraz (orgs). Alfabetização: apropriação do sistema de escrita alfabética. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Os sentidos da alfabetização (São Paulo: 1876-1994). São Paulo: UNESP; CONPED, 2000.
SOARES, Magda. Alfabetização e literatura. In: REVISTA EDUCAÇÃO: guia da alfabetização. Escrita e leitura: como tornar o ensino significativo. São Paulo: Segmento, CEALE, 2010. n. 2, 90 p. Edição especial.
Incluo aqui a charge enviada por Jhenyfer, para ilustrar seu comentário abaixo.
sábado, 22 de maio de 2010
Seminário de Alfabetização e Letramento
Oi, pessoas,
Esse post é para compartilhar com vocês a participação dos jogos e materiais em um seminário, o I SENAL - Seminário Nacional de Alfabetização e Letramento, que aconteceu de 18/05 a 21/05, em Itabaiana/SE, cidade próxima a Aracaju, onde há um campus da Universidade Federal de Sergipe. O evento teve como tema "Oralide e Escrita em suas múltiplas dimensões", com a participação de diversos palestrantes interessante, em especial a Profa. Leda Tfouni, pesquisadora importantíssima na área de Letramento.
Nas sessões de Comunicação, além de um artigo referente a minha pesquisa de Doutorado, apresentei, também um trabalho intitulado "Jogos e materiais para alfabetização em contextos de múltiplos letramentos", abordando questões referentes aos materiais para alfabetização, que embasam sua utilização. O artigo foi produzido e apresentado em co-autoria com a Profa. Mary Arapiraca, da Faculdade de Educação/UFBA.
Vocês podem conferir o artigo completo abaixo ou no link:
Vocês podem conferir também os slides da apresentação, com fotos e pequeno texto introdutório, no seguinte link:
http://www.slideshare.net/Licaraujo/slides-jogos-senal-4111296
Por ora, é isso. Em breve, novos posts, novos materiais, novas atividades... Aguardem!
Por ora, é isso. Em breve, novos posts, novos materiais, novas atividades... Aguardem!
Lica
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Mafalda

Nada como Mafalda para dizer tanto em tão poucas palavras...
Sua sagaz crítica à uma concepção empirista de aprendizagem dispensa qualquer comentário a respeito das práticas escolares baseadas em tal concepção. A alfabetização foi, por muito tempo, encaminhada a partir de princípios metodológicos que bem se encaixam nessa perspectiva.
Afinal de contas, na cabeça de Mafalda, bem como de qualquer criança, cabe muito mais que isso! E está longe de chegar vazia à escola...
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