sábado, 27 de fevereiro de 2010
Jogos
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Jogos
"Começa como...” ou “começa igual a...” (dar uma palavra)
“Começa com...” (dar o som: silábico /ma/, fonêmico /R/ ou de unidade menor que a sílaba /tr/)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Poema para brincar...
Mário Quintana
Na porta
a varredeira varre o cisco
varre o cisco
varre o cisco Na pia
a menininha escova os dentes
escova os dentes
escova os dentes No arroio
a lavadeira bate roupa
bate roupa
bate roupa
até que enfim
a corda toda
e o mundo gira imóvel como um pião!
Muito se já se disse e muito se analisa sobre esse poema de Quintana. Ele realmente “dá pano pra manga”. É um poema aparentemente simples, mas garimpando aqui e ali, podem ser achados muitos vieses de por onde olhar. Por vezes vêem tanta coisa que até apagam o poema, a possibilidade de sua fruição. Por vezes, no entanto, aprender a ver alguns aspectos, ajuda a apreciá-lo melhor. Essa é uma discussão complexa!
Reparem que em sua estrutura, o poema traz repetições que ressaltam o tal ritmo de que fala o título. No conteúdo, repetem-se ações, na forma, repetem-se palavras, versos, estruturas sintáticas, sons. A repetição dos fonemas consonantais (aliterações) no interior de cada estrofe, em versos que se repetem também, é bem importante para reforçar o sentido e a graça do poema. E vejam que as três primeiras estrofes são idênticas na estrutura, criando o que chamam de “paralelismo sintático”:
A varredeira... A menininha... A lavadeira...
Varre o cisco... Escova os dentes... Bate a roupa... e mais a repetição da segunda parte do último verso duas vezes.
a professora apaga o quadro
Na sacada
a secretária bate a tecla
bate a tecla
bate a tecla
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Sobre as Oficinas
Aos que solicitaram que eu desse mais informações sobre as Oficinas que tenho organizado, lá vai:
As Oficinas se apresentam, geralmente, em três Módulos, organizados por blocos de materiais. Os Módulos podem ser oferecidos separadamente ou sucessivamente:
· Módulo I: Materiais a partir de textos da tradição oral como parlendas, trava-línguas, quadras, cantigas, ditados populares, frases feitas, adivinhas.
· Módulo II: Materiais confeccionados a partir de textos de vários gêneros literários e audiovisuais, como fábulas, contos, lendas indígenas e africanas, histórias infantis, quadrinhos, desenhos animados, filmes de animação.
· Módulo III: Jogos diversos, com diferentes objetivos relativos à aprendizagem da escrita e leitura, como o aprendizado de letras, a apropriação do sistema alfabético, a consciência fonológica e a ortografia.
As Oficinas acontecem em dois formatos básicos: Oficina de Jogos e Atividades de Alfabetização e Oficina de Produção de Material para Alfabetização.
A Oficina de Jogos e Atividades de Alfabetização tem como objetivo conhecer, discutir, manusear, brincar e jogar com jogos e materiais próprios para o processo de alfabetização, confeccionados artesanalmente, discutindo sobre as bases teórico-metodológicas das atividades propostas a partir desse material.
A Oficina de Produção de Material para Alfabetização*, por sua vez, visa à confecção, pelos professores, dos kits de materiais e jogos de alfabetização, acompanhada de discussões sobre as possíveis atividades que podem ser planejadas com a sua utilização, considerando os níveis de leitura e escrita dos alunos. O material produzido servirá de apoio à prática do professor em sua tarefa de alfabetizar alunos em diferentes níveis de leitura e escrita, considerando diversos aspectos dessa aquisição.
O alcance e potencial de cada kit e jogo são discutidos em sua natureza de material pedagógico, bem como são explicitadas suas bases teórico-metodológicas, durante as Oficinas, a partir de discussões que dão consistência aos materiais produzidos. Além de confeccionados, os materiais são, na medida do possível, também utilizados para que os participantes possam melhor apreender suas potencialidades. O cuidado estético com a confecção dos materiais, as diversas possibilidades de composição e apresentação, assim como sua conservação e organização visando à funcionalidade no dia-a-dia da sala de aula, também são pontos de atenção durante as Oficinas.
Ao final da Oficina, os participantes terão seu kit próprio para o uso em sala de aula, familiaridade com um grande acervo de ideias de atividades, devidamente embasadas, e terão, sem dúvida, constituído um “know-how” para continuar a ampliar seus kits e adaptar os materiais aos alunos que têm ou terão diante de si. Geralmente as trocas multiplicam as ideias e todos ganham com a construção coletiva e compartilhada. É o que sinto... é o que dizem...
A primeira Oficina, de certo modo, prepara a segunda, mas elas podem ser independentes uma da outra. A Oficina de Produção funciona nos três Módulos descritos acima e também pode ter certa independência, tendo uma maior carga horária quando não segue a Oficina de Jogos e Atividades.
Também podem ter outras configurações quando são oferecidas em contextos específicos, como, por exemplo, como seguimento de aulas de Alfabetização, em cursos de Pedagogia; em escolas nas quais as concepções sobre alfabetização já vêm sendo discutidas; para grupos de especialistas; dentre outras situações. Posso organizar uma Oficina para grupos específicos que a solicitam ou abrir turmas para o público em geral. Posso fazer uma proposta sob medida, a partir do contexto e da carga horária indicada, ou mandar uma proposta para análise da instituição. Podemos, ainda, pensar junto em um formato, considerando as possibilidades. Sempre podemos tentar achar um jeito.
Para os que não dispõem de tempo ou possibilidade de acompanhar uma Oficina de Produção, que sempre demanda um tempo maior, a de Jogos e Atividades pode atender a diversos aspectos. Entretanto, é importante saber que fazer sozinhos os materiais não tem o mesmo brilho e a riqueza de confeccioná-los juntos, em grupos - sejam grupos formados por professores conhecidos, sejam grupos formados por interessados provenientes de diversos segmentos – e sob minha orientação. Fazer junto é realmente muito mais legal!
Para os que moram muito longe ou que, mesmo perto, não têm disponibilidade de tempo, e que não podem fazer nem uma nem outra, espero poder contribuir com alguma coisa através desse blog. Apareçam!
Um abraço,
Lica
* Os arquivos com o material a ser produzido é fornecido digitalmente para impressão ou em papel, para fotocópia, sendo a impressão ou cópia de responsabilidade do inscrito. Também é de sua responsabilidade o material utilizado para a confecção dos seus kits - cuja lista é fornecida - como papéis de vários tipos, cola, tesoura etc.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Letras, palavras, poemas...
o bicho alfabeto
tem vinte e três patas
ou quase
por onde ele passa
nascem palavras e
frases
com frases
se fazem asas
palavras
o vento leva
o bicho alfabeto
passa
fica o que não se escreve
(La vie em close, 1991, ed. Brasiliense)
Planos de Atividades
Os planos de atividades de alfabetização postados aqui se referem a planos criados a partir dos materiais e jogos do acervo. Eles podem ser modificados, ajustados, mexidos, para atender às diferentes turmas, reais, singulares, que cada professor tem diante de si. Como o nome já diz, plano é “plano”, não abarca as sinuosidades próprias ao real, aos sujeitos, aos grupos, às singularidades, ao imponderável. O mapa, como diz Borges, não é o território. Assim, são apenas pontos de partida, possibilidades, que serão precipitadas singularmente em cada contexto específico por sujeitos únicos, em interações singulares.
Na medida do possível, os planos foram pensados para atender a crianças em diferentes níveis de domínio da leitura e de conceitualização da escrita, e exigem, para serem adaptados e bem desenvolvidos, o conhecimento da turma, a partir de diagnósticos, sondagens ou do acompanhamento do processo das crianças. Muitos dos planos podem também ser adaptados para turmas de alfabetização de jovens e adultos, desde que os textos utilizados sejam interessantes para essa faixa.
Outro aspecto que vale sublinhar é que o diagnóstico das hipóteses de escrita das crianças - que vão guiar a proposta, a adaptação das variantes da mesma proposta, de acordo com os desafios que apresentam para cada nível, bem como a organização dos agrupamentos e parcerias, - deve ser realmente apenas uma referência. É preciso estar ciente de que, primeiro, em cada hipótese de escrita descrita por Emilia Ferreiro há inúmeras possibilidades de produção e de formas de pensar, portanto, é preciso estar bem atento para propor desafios e parcerias realmente pertinentes a cada um, cada dupla, cada subgrupo, para que realmente tenham bons problemas a resolver para avançar. Em segundo lugar, é preciso lembrar que o desempenho das crianças na escrita não recobre necessariamente, ou não corresponde sempre e igualmente, a seu desempenho na leitura. Para organizar as atividades que envolvem a leitura (quando ainda não se sabe ler convencionalmente, decodificar), é preciso conhecer o modo como as crianças lêem, que hipóteses fazem ao tentar ler, que domíno têm de decodificação e de leitura visual. As hipóteses de escrita diagnosticadas nas produções infantis dão uma dica, inclusive porque pedimos a elas que leiam suas produções para nos certificar de suas hipóteses, mas não é um dado suficiente para determinar o domínio de leitura das crianças.
Os planos explicitam objetivos e conteúdos básicos do processo de alfabetização, embora outros objetivos e conteúdos possam estar em jogo, implicitamente, na proposta, relativos ao letramento, ao convívio, ao aprendizado de valores e atitudes. Incluem-se no plano também os objetivos e conteúdos dos diferentes níveis de escrita e leitura previstos na atividade, embora a proposta possa estar mais focada ou ser mais produtiva para um nível específico, e apenas sugeridas as adaptações e variantes. Cada professor ou professora deve julgar se e como as atividades propostas podem favorecer a reflexão de seus alunos, o avanço de suas hipóteses e estratégias, a aprendizagem.
Feitas essas observações e apresentações, segue o primeiro plano.
PLANO DE ATIVIDADE
Texto: Adivinhas
Objetivos:
Usar as adivinhas para brincar;
Identificar palavras;
Relacionar oral e escrita para reconhecer palavras ou parte de palavras;
Usar estratégias de leitura para ler sem saber ler;
Usar os conhecimentos que têm sobre o sistema de escrita, letras iniciais, finais, partes de palavras, valores sonoros de letras, tamanho etc;
Identificar letras;
Refletir sobre ortografia.
Conteúdos:
Gênero de texto de origem oral;
Identificação e reconhecimento de palavras;
Relação oral/escrito;
Estratégias de Leitura;
Funcionamento do sistema de escrita alfabética;
Identificação de letras;
Ortografia.
Desenvolvimento:
Relembrar as adivinhas da cultura popular que foram previamente lançadas na turma, numa outra ocasião, para brincar de adivinhar, oralmente. Relembrar coletivamente suas respostas, que foram adivinhadas com ou sem dicas dadas pela professora. Selecionar algumas adivinhas que as crianças saibam as respostas de cor, para, assim, proceder à atividade em grupos.
Utilizar os materiais estruturados da seguinte forma: a professora tem as cartelas com as adivinhas escritas e as crianças as fichas com as respostas. Distribuir nas mesas as fichas com as respostas de todas as adivinhas que serão lidas/ditas para a turma. O número de adivinhas depende do nível da turma, o ideal é começar com um número menor, como 4 ou 5, e ir experimentando aumentar na própria dinâmica da atividade, repetida em outras ocasiões. É preciso ter um kit de fichas para cada mesa, que recebem as mesmas palavras. As possibilidades e dificuldades de cada criança devem ser consideradas ao agrupá-los nas mesas, para possibilitar boas trocas, interações produtivas e um equilíbrio entre as mesas.
Cada mesa deve tentar achar a resposta da adivinha lida/dita pelo professor. As mesas que acharem primeiro podem sinalizar que já encontraram, mas não ainda mostrar a ficha para as outras mesas. Quando todos encontrarem as respostas, mostram suas fichas. A professora pode provocar a discussão, perguntando como encontraram a resposta, que estratégias usaram, que indícios consideraram. Essa argumentação é um trabalho metacognitivo interessante, que favorece explicitarem procedimentos e, para os que não encontraram a resposta, constitui-se em uma forma de irem se apropriando, gradativamente, de um repertório de indícios que podem passar a considerar.
Essa é uma atividade para uma turma na qual os alunos ainda não sabem ler convencionalmente e precisam usar todo o conhecimento que têm sobre letras, seus valores sonoros, letra inicial, final, partes de palavras que já reconhecem e que podem usar como modelo, enfim, todo o conhecimento que já dispõem. Para tal desafio é imprescindível que as crianças já conheçam as respostas oralmente, para que saibam o que estão procurando (que palavra procuram entre aquelas fornecidas). Trata-se de ajustar o oral, o que sabem oralmente da palavra, ao que vêm escrito, para tentar reconhecer a palavra, ainda que não a decodifiquem termo a termo. Para ser desafiante, de qualquer modo, não podem ser respostas que já memorizaram visualmente, globalmente, não completamente, em atividades prévias. Não se trata de avaliar o que memorizaram e que podem reproduzir.
No caso de haver alguns poucos alunos que já lêem convencionalmente, uma possibilidade é agrupá-los em uma mesa e eles terem que escrever as respostas das adivinhas lidas/ditas pela professora ou as montarem com as letras móveis disponíveis. Podem ainda lerem eles mesmos as adivinhas de outro kit e escreverem/montarem as respostas. Esses devem checar sua escrita/montagem ao final ou a cada resposta.
Para finalizar a atividade as crianças poderão escrever as respostas numa folha com as adivinhas (individual), ou no caderno, mesmo que olhando as fichas. Os que sabem escrever podem fazê-lo, também em relação à pergunta.
Crianças com hipótese pré-silábica ainda não relacionam o oral e a escrita em suas produções escritas. Se, na leitura, ainda não estabelecem essa relação, não podem fazer, sozinhas, esse tipo de atividade. Havendo crianças com essa hipótese, podem ser agrupadas com as outras. Caso haja um grupo maior, podem ser agrupadas em uma mesa e a professora procede do mesmo modo, mas dá dicas como: “começa com a letra x...”, “Tem x letras...”, “termina igual ao nome de fulana” (se os nomes estão disponíveis na sala ou a criança está na mesa), “é a maior palavra entre todas”, “tem três ‘a’ nessa palavra” etc. São esses os conhecimentos que constituem desafios para elas.
Recursos:
· Kit de Advinhas com respostas (palavras) repetidas (de acordo com o número de mesas);
· Alfabeto móvel ou respostas fatiadas em letras (é interessante, pois ao final, não podem faltar ou sobrar letras, caso aconteça, devem observar onde erraram)
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Brincando com as palavras
Poemas brincam com sons e sentidos, com imagens poéticas e jogos sonoros. Brincam com palavras, desemboloram palavras gastas, criam asas para as conhecidas, atiçam a curiosidade para as desconhecidas, inventam novas... Vejam esse...
Nada se Perde
Sergio Capparelli
Um globo
De óculos
Vira glóbulos
Um lobo
De óculos
Vira lóbulos
Um óculos
De óculos
Vira binóculos
In: CAPPARELLI, Ségio. Um Elefante no Nariz, Porto Alegre: L&PM, 2008
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Mafalda

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Sobre os diferentes tipos de material
No terceiro bloco, incluem-se jogos diversos, com diferentes objetivos relativos à aprendizagem da escrita e leitura, como o aprendizado de letras, a apro
Por vezes, evidentemente, essas categorias se imbricam e outras categorias ou novos aspectos em cada categoria podem surgir, já que a invenção, adaptação, inclusão de novos materiais ao acervo é constante, a partir do próprio desenvolvimento das oficinas e das trocas com outros educadores. Em cada Oficina que promovi, houve sempre quem inventasse, partindo dos materiais e atividades propostas, novos materiais ou novas atividades, variantes, adaptações, considerando as classes singulares que cada professor tem.
Espero que aqui possam ser ampliadas essas trocas e multiplicadas as possibilidades. O blog pode funcionar como um registro, um testemunho desse processo de ampliação de repertório, tanto para mim e minhas(meus) alunas (os), quanto para quem vier visitar essa página. Portanto, opine, interaja, discorde, pergunte, oferte... Esse é o meu convite...
Sobre os materiais
A partir da constatação de que temos, atualmente, um vasto repertório de conhecimentos sobre a alfabetização e os diversos aspectos envolvidos nesse processo, mas poucos materiais desenvolvidos a partir das novas concepções de ensino e aprendizagem da língua escrita, comecei a pesquisar e a desenvolver materiais para utilizar nas minhas aulas de metodologia de alfabetização. São materiais e jogos confeccionados artesanalmente, mas com muito cuidado estético e funcional, alguns inventados, alguns adaptados de jogos conhecidos, outros criados a partir de propostas de atividades diversas e, ainda, outros confeccionados a partir de ideias advindas de outras pessoas. Devo a Mary Arapiraca, professora e orientadora querida, o gosto pela alfabetização, pelo riso na escola, pelo incentivo a essa iniciativa.
Devido à boa aceitação desses materiais pelos alunos e pela comunidade acadêmica, venho, atualmente, desenvolvendo oficinas para estudantes de Pedagogia, professores em atividade e coordenadores pedagógicos, com o intuito de divulgar os materiais, sua base teórico-metodológica e de propor a produção de kits desses materiais didáticos pelos interessados.
Esse blog foi criado para apresentar esses materiais, as reflexões e produções em torno deles, bem como para trocar informações e divulgar as Oficinas de produção que venho desenvolvendo ao longo desses anos, fruto de pesquisa constante.
Espero que essa ferramenta que passo a utilizar a partir de agora - esse blog - possa favorecer novas trocas e boas discussões.
Lica