Por ora, é isso. Em breve, novos posts, novos materiais, novas atividades... Aguardem!
sábado, 22 de maio de 2010
Seminário de Alfabetização e Letramento
Por ora, é isso. Em breve, novos posts, novos materiais, novas atividades... Aguardem!
sábado, 24 de abril de 2010
Trava-língua
Digo Maria
Não digo João
Quando digo João
Digo João
Não digo Maria
Além de brincar de pronunciar cada vez melhor e mais rápido, pode ser proposta uma ordenação coletiva, ou em pequenos grupos, duplas, do texto fatiado em palavras ou versos. Além de se constituir em uma boa situação de leitura e de reflexão sobre a escrita, também ajuda na memorização.
digo claro
não digo escuro
quando digo escuro
digo escuro não
digo claro
Ah! E quando digo brincar, digo brincar, não digo estudar!Beijão,
Lica
comprido/curto
mais/menos
perto/longe
bonito/feio
alto/baixo
forte/fraco
Muito/pouco
duro/mole
fino/grosso
triste/alegre
fundo/raso
grande/pequeno
cedo/tarde
leve/pesado
cheio/vazio
dentro/fora
aberto/fechado
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Kit filmes
sábado, 10 de abril de 2010
Narrativas Audiovisuais

Filmes, filmes de animação, desenhos animados etc
Filmes, desenhos, videogames são, hoje, fonte de narrativas que constituem o repertório da cultura infantil contemporânea. Muito da experiência narrativa de hoje não vem exclusivamente das narrativas do repertório escrito, literário, nem do repertório oral, mas também, e muito, das narrativas midiáticas, audiovisuais. Os formatos audiovisuais se incluem no rol dos gêneros discursivos. É preciso, assim, pensarmos em conceitos ampliados de texto, leitura e letramento, que possam abarcar esses gêneros da comunicação mediada e considerá-los parte do repertório de práticas sociais que se articulam ao letramento da sociedade e dos indivíduos que nela se inserem. O surgimento do cinema, da TV, da internet e outras mídias trouxeram novos modos de relacionar-se com a leitura e a escrita, deslocando as práticas antes próprias ao livro. As práticas de leitura que formaram outras gerações são diversas das práticas que estão formando as novas gerações de leitores. Gerações socializadas na cultura oral e na cultura letrada veem hoje as gerações mais novas socializando-se no âmbito das tecnologias de comunicação e informação audiovisual. Muitos dos gêneros audiovisuais são atravessados, de algum modo, também pela linguagem verbal, constituindo-se em textos híbridos, em que a cultura oral, escrita e audiovisual se imbricam. Na verdade, a classificação dos textos em verbais ou visuais tende a se esmaecer e a nos fazer conviver com textos e linguagens híbridas. O movimento dos gêneros na cultura contemporânea, e da expansão da escrita, exigem que se conceba a textualidade para além da organização verbal. O conceito de “texto” não pode se esgotar no oral e na escrita da mesma forma que as linguagens não se esgotam no oral e no escrito. O texto, muito frequentemente, apresenta-se como uma combinatória de diferentes linguagens: um produto híbrido, um conjunto articulado de signos podendo fazer uso de linguagens verbais e visuais. É preciso, assim, pensar em um conceito ampliado de letramento, ou letramentos, que abarque as práticas sociais letradas que circulam na sociedade, não restritas à escrita, mas que impliquem uma pluralidade de escritas, textos, linguagens. Inclui-se, assim, no saber ler, “saber ler” e fazer usos de uma diversidade de gêneros: livros e jornais impressos, mas também jornais televisivos, filmes, desenhos animados, videoclipes, games, hipertextos. Do mesmo modo, é preciso conceber um conceito ampliado de texto e de leitura. Ler, nesse sentido, é mais do que a capacidade de ler textos verbais, é um processo de compreensão de expressões formais e simbólicas, por meio de qualquer linguagem. Textos, nesse sentido, são materializações de discursos sejam eles verbais, verbo-visuais ou visuais. A ampliação dos conceitos de texto, leitura, letramento e gêneros discursivos permite, assim, abranger, na reflexão sobre o aprendizado da escrita, os gêneros da comunicação mediada e permite-nos pensar numa perspectiva de letramentos múltiplos. A escola precisa implicar-se na reorganização que atravessa o mundo da leitura, da escrita, dos relatos, da constituição do universo de narrativas no mundo contemporâneo. Assim, é interessante incorporar tais “textos” no letramento e alfabetização das crianças, afinal, constituem-se em narrativas do repertório da cultura infantil contemporânea e, como tal, devem poder circular também na escola. Mesmo considerando que é preciso formar sujeitos críticos – inclusive das produções culturais midiáticas e sua natureza marcadamente mercadológica – e mesmo que tenhamos também que considerar as diferenças entre as linguagens verbal e visual no aprendizado da escrita e suas particularidades, a escola não pode furtar-se a considerar o hibridismo das linguagens, a heterogeneidade dos textos, a multiplicidade de letramentos. As narrativas provenientes de mídias audiovisuais a que as crianças estão expostas contemporaneamente, constituem-se em produtos culturais que elas consomem, nos quais se reconhecem e que constituem seus modos de ser, agir, dizer e dizer-se. Sem desconsiderar o discutível valor de muitos produtos da mídia, é preciso poder considerar a sua recepção a partir dos sentidos que os sujeitos produzem sobre os produtos que consomem. É muito importante que o campo da educação se aproxime da visão que as crianças e jovens têm desses produtos, e os reconheçam como expressão de sua subjetividade, identidade e cultura. Desse modo, a abordagem das narrativas audiovisuais na perspectiva do letramento precisa considerar essas questões. Na perspectiva da alfabetização, as narrativas audiovisuais são fontes de textos privilegiados para refletir sobre o sistema – como títulos, nomes, listas – tanto quanto os textos da tradição oral e da cultura escrita. Títulos de filmes, personagens de desenhos animados, de filmes, listas de seus nomes, podem gerar materiais para alfabetizar e render boas atividades de reflexão sobre o sistema alfabético. Desde a exploração da leitura visual que podem fazer, e a consideração do tamanho da palavra, até a reflexão sobre letras e seus valores sonoros, bem como o uso de estratégias de leitura, do conhecimento de partes de palavras e comparação com outros nomes próprios, etc. É interessante ressaltar que, entre títulos e nomes de personagens, há aqueles em inglês, sendo que, frequentemente, apresentam relações fonográficas ou grafemas não presentes na língua portuguesa. De fato, esse aspecto pode gerar alguma dificuldade para crianças que estão ainda começando a se apropriar das relações fonográficas e grafemas possíveis na sua língua materna. Entretanto, parece também interessante poder discutir, a partir dos questionamentos que surgirem, do conhecimento de palavras em inglês do repertório das crianças, sobre as letras, em inglês, terem outros sons, como o U de UP e o E de Wall-E; sobre encontros de letras que não existem em português, como shr, em SHREK, e sh, como em SHERI de Sheri Khan (Mogli) etc. Um desafio interessante. Muitas palavras em inglês circulam no universo de palavras de crianças e adultos na contemporaneidade. Embora não seja o caso de sistematizar com elas as correspondências fonográficas de outras línguas quando estão se ocupando disso na sua própria língua materna, não podemos desconsiderar essa enorme presença de vocabulário em inglês e de usos de sons e grafias que não são próprios ao português no cotidiano das crianças. Isso também se relaciona com o letramento, já que muitas práticas sociais de leitura e escrita que circulam socialmente (incluindo-se o conceito de “leitura” de modo ampliado), exigem conhecimentos básicos dos valores sonoros de letras, em inglês. De todo modo, cabe lembrar também que, sendo esses “textos” muito apreciados pelas crianças, podem constituir-se em materiais muito atrativos. Os kits propostos são apenas uma base para o trabalho. Muitos outros poderão ser confeccionados, a partir do interesse dos alunos, de seu repertório próprio de filmes e animações. Para as crianças que não tiveram a oportunidade de assisti-los, um bom começo é propondo fazê-lo. Evidentemente, é preciso refletirmos sobre a discussão – não pouco polêmica – relativa ao valor, à qualidade dessas narrativas e o papel da escola diante da formação ética e estética das crianças. Uma citação de Sarmento parece-me apropriada para fechar, brevemente, essa discussão: “A colonização do imaginário infantil pelo mercado é um dado da sociedade contemporânea que não se pode ignorar. Mas, do mesmo modo, não se pode também ignorar a resistência a essa colonização, através das interpretações singulares, criativas e frequentemente críticas que as crianças fazem (...), reinvestindo essas interpretações nos seus cotidianos, nos seus jogos e brincadeiras e nas suas interações com os outros. Afinal, todas as colonizações são imperfeitas...”
[1] Reflexões retiradas do meu Projeto de Tese: “Clic!...E Era uma vez. Marcas de narrativas visuais na escrita de crianças em contexto escolar”. Perspectivas de autores diversos, citados no referido projeto, são referidas nesse texto.
[2] SARMENTO, Manoel J. Imaginário e culturas da infância. Cad. Educ. Fae/UFPel, Pelotas (21):51-59, jul./dez. 2003. Disponível em:
quarta-feira, 24 de março de 2010
Brincando com as Palavras
Adivinha dos Peixes
José Paulo Paes
Quem tem cama no mar? O camarão.
Quem é sardenta? Adivinha. A sardinha.
Quem não paga o robalo? Quem roubá-lo.
Quem é o barão no mar? Só tubarão.
Gosta a lagosta do lago? Ela gosta.
Quanto pés cada pescada tem? Hem?
Quem pesca alegria? O pescador?
Quem pôs o polvo em polvorosa? A Rosa.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Kit Adivinhas
Como o desafio é reconhecer palavras sem ainda saber ler, decodificar termo a termo, antes de propor a atividade, é preciso conhecer as respostas das adivinhas em questão. Como ainda não leem e a tarefa é justamente tentar ler sem saber, as respostas já devem ser conhecidas, oralmente, de antemão, para que os alunos possam ajustar o escrito ao que sabem oralmente e, assim, encontrar a palavra que procuram, usando estratégias e conhecimentos diversos para se chegar ao reconhecimento da palavra que responde à adivinha.
Para tal, todo um trabalho inicial de exploração desses textos é preciso ser feito. A adivinha é um gênero cujo objetivo é desafiar, brincar, tentar descobrir...essa é a graça...
É meu, mas meus amigos
usam mais do que eu?
Para uma turma que ainda não tem o domínio da leitura pode-se retomar a atividade outros dias, fazendo uma lista das respostas, e relendo as perguntas, pedir que encontrem as respostas na lista. Eles usarão, para esta tarefa, os indícios gráficos, as estratégias de leitura, os conhecimentos que têm sobre o sistema de escrita, a relação com nomes próprios e até mesmo o reconhecimento global, quando a palavra começar a fazer parte do repertório conhecido de palavras convencionalmente escritas.
É isso, esse é um jogo do qual gosto muito... e as crianças também. Como as adivinhas são também parte do repertório cultural de muitas comunidades, também é bastante interessante para a alfabetização de jovens e adultos.
Algumas sugestões de adivinhas:
Que as crianças fazem,
mas a gente não vê?
barulho baralho bagunça aluno
O que é, o que é?
Tem coroa
mas não é rei?
abacaxi abacate avião ave
O que é o que é?
Quando parte uma, partem as duas,
quando chega uma, chegam as duas?
pernas penas emas perto
O que é, o Que é?
É meu, mas meus amigos
usam mais do que eu?
nome nove homem ovo
quanto mais se perde,
mais se tem?
O que é, o que é?
feito pra comer,
mas não come?
garfo girafa garra aro
O que é, o que é?
Tem linha, mas não é carretel,
fala, mas não tem boca,
ouve, mas não tem ouvido?
telefone tela televisão elefante
Que sobe e desce
e não sai do lugar?
escada sacada escola ela
O que é que salta,
dá um espirro
e vira pelo avesso?
pipoca poca oca patota
O que é que
por mais que seja cortado
fica do mesmo tamanho?
baralho ralo barulho balaio
O que fica molhado
na hora que seca?
toalha tomada tala olha
quarta-feira, 17 de março de 2010
Oficina de Materiais: Diálogos com as Novas Tecnologias
Pois é, da idéia do software, até gostei, ficaria interessada em me juntar a uns jovens entendidos dessas coisas de programação e recriar o material que produzo com papel, duplex, cola e tesoura, para a tela de um computador. Tenho até umas ideias do que eu precisaria que o programa fizesse, só não sei concretizar. Aliás, nem sei se é exequível... E eu precisaria também de um fera em artes gráficas, design, quiçá um bom ilustrador. Pois eu seria exigente, e queria um software esteticamente bem feito, sem cores saturadas e desenhos toscos, infantilizados, que vi, muitas vezes, em material como esse. Queria que fosse belo, bem ilustrado, bom de se ver. E o queria também considerando as perspectivas de ensino e aprendizagem que defendo, e que embasam os materiais que confecciono – bonitinhos, mas antiguinhos. Essa parte do comentário, evidentemente, não gostei. Nem bonitinho – pois bonitinho é consolo de feio, e sei que o que faço é esteticamente muito bem apresentável, embora artesanal – nem antiguinho, pois para muitos é uma boa nova, já que a “nova” das Novas Tecnologias é uma coisa que ainda não chega a se anunciar, nem de longe muitas vezes, em muitos contextos escolares do nosso país.
Em tempos de tecnologias da informação e comunicação, muito se discute e se propõe em termos de materiais didáticos interativos, softwares educativos, games, ambientes on-line, CD-Rom ou o uso da web como fonte de aprendizagem*. Muitas coisas interessantes são criadas e possibilitadas pelo mundo digital, outras nem tanto. Não questiono isso, nem acho que não se deva lutar para mudar a situação, para que as escolas tenham os equipamentos e a formação para usar as TICs - e usá-las não apenas de modo instrumental, mas como cultura. Sem desconsiderar a importância dessas discussões e propostas, cabe refletir sobre a realidade da nossa escola pública, que pouco tem, efetivamente, se beneficiado em termos de acesso a tais ferramentas. E, cá para nós, muitos já estão defendendo esse pedaço, posso eu cá defender um outro, não? Pois... Os materiais artesanais podem, sim, fazer a festa de muitas turmas e de muitas crianças e de muitos professores, e ser aliados interessantes da prática pedagógica.
Dispondo ao menos de editor de texto e até da ferramenta da internet – especialmente para a pesquisa de imagens – muito podemos pensar em termos de produção de material de alfabetização para uso imediato, hoje, em nossas salas de aula. E mesmo sem tudo isso! Meus primeiros materiais eram produzidos na “mão grande” mesmo. Um salto estético pode ser dado quando dispomos de recursos capazes de fazer com que simples materiais “saltem aos olhos” e seduzam alunos e professores, contribuindo para o enriquecimento de seu acervo de materiais e de atividades a partir deles.
Os materiais que produzo e ensino a produzir e a usar não saltaram aos olhos da professora de TICs (mas ela até achou bonitinho!), mas é que ela, como muitos, está no pedaço que costuma não validar o que não lhes parece condizente com a utopia – por ora, e bem intencionada – da democratização do acesso às tecnologias, a cultura digital e a suas ferramentas. Nós, professores do Ensino Básico, no entanto, sabemos que “o buraco é mais embaixo”, e enquanto o computador não chega ou não passa de um elefante branco numa sala, sem acesso ou acesso limitado, devemos arregaçar as mangas e fazer o melhor de nós para apresentar iguarias de outra natureza para nossos alunos. E mesmo quando cheguem. Competem? Será? Eu, particularmente, acho a interação que favorecem, que é de outra natureza em relação à tal interatividade do digital, muito valorosa e insubstituível.
Bom, antes que me rebatam, é bom dizer: depois de algum tempo desse episódio, uma outra professora da área das TICs, pelo contrário, achou os materiais bem legais e a ideia do software também, mas sem desvalorizar meus joguinhos de papel. Quem sabe ela não me ajuda, né, se um dia eu decidir investir nisso. Mas acho que não...apesar das críticas que tenho ao que há no mercado nesse sentido.
Embora também já tenha estado em projeto de projeto, demorado a nascer, a certeza que eu sempre tive é que, caso eu investisse nisso e tivesse condições para tal, a sua concepção dependeria inteiramente do que temos aprendido e do uso que temos feito - e que continuaremos fazendo - desses outros materiais da idade do papel, cola, tesoura, duplex...
Assim, mãos à obra, professores!!!
* Oito anos depois do post e já não falaríamos mais em software, mas em aplicativos...para tablets, celulares... É tudo muito rápido...Mas eu...eu continuo cortando papel...rsrsrsrsrs... e muito distante de querer mudar isso. (15/05/2018)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Bingo de Sons
Em resposta ao comentário de Leila, do post do dia 27/02, sobre o Bingo de Sons (jogos):
O jogo, tal como está estruturado é um jogo de reflexão fonológica, produtivo para crianças que produzem escritas sob qualquer hipótese descrita pela psicogênese, justamente por ser sem a presença da escrita. A reflexão fonológica apresenta desafios diversos para todos e é, ao mesmo tempo, possível para quem ainda não se apropriou da natureza e funcionamento do sistema de escrita.
Par Mínimo
José Paulo Paes
tão deselegante
ficar elegante?
Ora, troque o F por G.
Mas se trocar, no rato,
o R por G
transforma-o você
(veja que perigo!)
no seu pior inimigo:
O gato.
Esse jogo - que é um jogo pra se jogar sozinho ou em dupla, cada um na sua vez fazendo as trocas - usa o princípio dos pares mínimos, embora, por ser um jogo escrito, contenha apenas comutações de fonemas que correspondam a comutações gráficas de uma só letra. Não vale por exemplo, trocas como XALE - CHAVE, que é um par mínimo genuíno, pois apenas o fonema /l/ foi trocado por /v/. Notem que CH e X (/xali/ - /xavi/) têm o mesmo som /x/, é o mesmo fonema. Não valem no jogo, pois uma das regras é manter o número de letras do começo ao fim, sendo, nesse caso, na verdade, um jogo gráfico, de comutação de letras.
Podemos sair de uma palavra e voltar depois de muitas para a mesma palavra do início. Ex:
LUASUA
NUA
RUA
RIA
RIO
FIO
TIO
TIA
PIA
LIA
LUA
Podemos sair de uma palavra para chegar em outra, como é no jogo original.
Ex. Transforme PATO em SAPO:
MATO
MATA
MAPA
SAPA
SAPO
Ah! Lógico que não há um único caminho possível de chegar a uma mesma palavra. Por exemplo, para PATO virar SAPO, podemos também fazer: PATO - MATO - MOTO - FOTO - FOCO - SOCO - SACO - SAPO
ou ainda outras formas...
Esse jogo de palavras é chamado doublets, e foi inventado por Lewis Carroll, autor de Alice no Pais das Maravilhas. Foi publicado em uma revista, a Vanity Fair, em 1879, tornando-se muito popular desde então. Carroll propôs em seus livros muitos outros jogos lógicos e linguísticos.
Agora, não é que fazer esse tipo de operação de par mínimo oralmente é também uma ótima situação de consciência fonêmica? E pode, depois ser analisada na escrita também, resultando numa situação de reflexão grafo-fonêmica, muito importante para a alfabetização, pois o fonema, em especial, por ser uma unidade muito abstrata, se torna observável justamente na escrita das palavras. Mas veja que interessante explorar a supressão e substituição de fonemas iniciais em trava-línguas por exemplo: "o ato oeu a oupa do rei de oma", ou "o pato poeu a poupa do pei de poma"...Eu brinquei muito disso com meu filho!
A Ciça tem uma travatrova assim:

Errata
O ato oeu a oupa do ei de oma.
O rato roeu a letra do meu poema!
O rato inventou outro idioma?
Ê, rato,
pra que tanta
errata?
Nesse caso, a composição de pares mínimos aqui é mais complexa também, como a brincadeira que abriu esse post, pois não há comutação apenas de fonemas/letras iniciais. Mas acho mais bacana, com as crianças, jogar Boggle Slam sem isso de correr, cada um fazendo sua troca de letra na sua vez. Só com aquelas já alfabetizadas, dá para brincar com o fator rapidez valendo.
É isso, gente!
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Jogos
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Jogos
"Começa como...” ou “começa igual a...” (dar uma palavra)
“Começa com...” (dar o som: silábico /ma/, fonêmico /R/ ou de unidade menor que a sílaba /tr/)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Poema para brincar...
Mário Quintana
Na porta
a varredeira varre o cisco
varre o cisco
varre o cisco Na pia
a menininha escova os dentes
escova os dentes
escova os dentes No arroio
a lavadeira bate roupa
bate roupa
bate roupa
até que enfim
a corda toda
e o mundo gira imóvel como um pião!
Muito se já se disse e muito se analisa sobre esse poema de Quintana. Ele realmente “dá pano pra manga”. É um poema aparentemente simples, mas garimpando aqui e ali, podem ser achados muitos vieses de por onde olhar. Por vezes vêem tanta coisa que até apagam o poema, a possibilidade de sua fruição. Por vezes, no entanto, aprender a ver alguns aspectos, ajuda a apreciá-lo melhor. Essa é uma discussão complexa!
Reparem que em sua estrutura, o poema traz repetições que ressaltam o tal ritmo de que fala o título. No conteúdo, repetem-se ações, na forma, repetem-se palavras, versos, estruturas sintáticas, sons. A repetição dos fonemas consonantais (aliterações) no interior de cada estrofe, em versos que se repetem também, é bem importante para reforçar o sentido e a graça do poema. E vejam que as três primeiras estrofes são idênticas na estrutura, criando o que chamam de “paralelismo sintático”:
A varredeira... A menininha... A lavadeira...
Varre o cisco... Escova os dentes... Bate a roupa... e mais a repetição da segunda parte do último verso duas vezes.
a professora apaga o quadro
Na sacada
a secretária bate a tecla
bate a tecla
bate a tecla
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Sobre as Oficinas
Aos que solicitaram que eu desse mais informações sobre as Oficinas que tenho organizado, lá vai:
As Oficinas se apresentam, geralmente, em três Módulos, organizados por blocos de materiais. Os Módulos podem ser oferecidos separadamente ou sucessivamente:
· Módulo I: Materiais a partir de textos da tradição oral como parlendas, trava-línguas, quadras, cantigas, ditados populares, frases feitas, adivinhas.
· Módulo II: Materiais confeccionados a partir de textos de vários gêneros literários e audiovisuais, como fábulas, contos, lendas indígenas e africanas, histórias infantis, quadrinhos, desenhos animados, filmes de animação.
· Módulo III: Jogos diversos, com diferentes objetivos relativos à aprendizagem da escrita e leitura, como o aprendizado de letras, a apropriação do sistema alfabético, a consciência fonológica e a ortografia.
As Oficinas acontecem em dois formatos básicos: Oficina de Jogos e Atividades de Alfabetização e Oficina de Produção de Material para Alfabetização.
A Oficina de Jogos e Atividades de Alfabetização tem como objetivo conhecer, discutir, manusear, brincar e jogar com jogos e materiais próprios para o processo de alfabetização, confeccionados artesanalmente, discutindo sobre as bases teórico-metodológicas das atividades propostas a partir desse material.
A Oficina de Produção de Material para Alfabetização*, por sua vez, visa à confecção, pelos professores, dos kits de materiais e jogos de alfabetização, acompanhada de discussões sobre as possíveis atividades que podem ser planejadas com a sua utilização, considerando os níveis de leitura e escrita dos alunos. O material produzido servirá de apoio à prática do professor em sua tarefa de alfabetizar alunos em diferentes níveis de leitura e escrita, considerando diversos aspectos dessa aquisição.
O alcance e potencial de cada kit e jogo são discutidos em sua natureza de material pedagógico, bem como são explicitadas suas bases teórico-metodológicas, durante as Oficinas, a partir de discussões que dão consistência aos materiais produzidos. Além de confeccionados, os materiais são, na medida do possível, também utilizados para que os participantes possam melhor apreender suas potencialidades. O cuidado estético com a confecção dos materiais, as diversas possibilidades de composição e apresentação, assim como sua conservação e organização visando à funcionalidade no dia-a-dia da sala de aula, também são pontos de atenção durante as Oficinas.
Ao final da Oficina, os participantes terão seu kit próprio para o uso em sala de aula, familiaridade com um grande acervo de ideias de atividades, devidamente embasadas, e terão, sem dúvida, constituído um “know-how” para continuar a ampliar seus kits e adaptar os materiais aos alunos que têm ou terão diante de si. Geralmente as trocas multiplicam as ideias e todos ganham com a construção coletiva e compartilhada. É o que sinto... é o que dizem...
A primeira Oficina, de certo modo, prepara a segunda, mas elas podem ser independentes uma da outra. A Oficina de Produção funciona nos três Módulos descritos acima e também pode ter certa independência, tendo uma maior carga horária quando não segue a Oficina de Jogos e Atividades.
Também podem ter outras configurações quando são oferecidas em contextos específicos, como, por exemplo, como seguimento de aulas de Alfabetização, em cursos de Pedagogia; em escolas nas quais as concepções sobre alfabetização já vêm sendo discutidas; para grupos de especialistas; dentre outras situações. Posso organizar uma Oficina para grupos específicos que a solicitam ou abrir turmas para o público em geral. Posso fazer uma proposta sob medida, a partir do contexto e da carga horária indicada, ou mandar uma proposta para análise da instituição. Podemos, ainda, pensar junto em um formato, considerando as possibilidades. Sempre podemos tentar achar um jeito.
Para os que não dispõem de tempo ou possibilidade de acompanhar uma Oficina de Produção, que sempre demanda um tempo maior, a de Jogos e Atividades pode atender a diversos aspectos. Entretanto, é importante saber que fazer sozinhos os materiais não tem o mesmo brilho e a riqueza de confeccioná-los juntos, em grupos - sejam grupos formados por professores conhecidos, sejam grupos formados por interessados provenientes de diversos segmentos – e sob minha orientação. Fazer junto é realmente muito mais legal!
Para os que moram muito longe ou que, mesmo perto, não têm disponibilidade de tempo, e que não podem fazer nem uma nem outra, espero poder contribuir com alguma coisa através desse blog. Apareçam!
Um abraço,
Lica
* Os arquivos com o material a ser produzido é fornecido digitalmente para impressão ou em papel, para fotocópia, sendo a impressão ou cópia de responsabilidade do inscrito. Também é de sua responsabilidade o material utilizado para a confecção dos seus kits - cuja lista é fornecida - como papéis de vários tipos, cola, tesoura etc.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Letras, palavras, poemas...
o bicho alfabeto
tem vinte e três patas
ou quase
por onde ele passa
nascem palavras e
frases
com frases
se fazem asas
palavras
o vento leva
o bicho alfabeto
passa
fica o que não se escreve
(La vie em close, 1991, ed. Brasiliense)
Planos de Atividades
Os planos de atividades de alfabetização postados aqui se referem a planos criados a partir dos materiais e jogos do acervo. Eles podem ser modificados, ajustados, mexidos, para atender às diferentes turmas, reais, singulares, que cada professor tem diante de si. Como o nome já diz, plano é “plano”, não abarca as sinuosidades próprias ao real, aos sujeitos, aos grupos, às singularidades, ao imponderável. O mapa, como diz Borges, não é o território. Assim, são apenas pontos de partida, possibilidades, que serão precipitadas singularmente em cada contexto específico por sujeitos únicos, em interações singulares.
Na medida do possível, os planos foram pensados para atender a crianças em diferentes níveis de domínio da leitura e de conceitualização da escrita, e exigem, para serem adaptados e bem desenvolvidos, o conhecimento da turma, a partir de diagnósticos, sondagens ou do acompanhamento do processo das crianças. Muitos dos planos podem também ser adaptados para turmas de alfabetização de jovens e adultos, desde que os textos utilizados sejam interessantes para essa faixa.
Outro aspecto que vale sublinhar é que o diagnóstico das hipóteses de escrita das crianças - que vão guiar a proposta, a adaptação das variantes da mesma proposta, de acordo com os desafios que apresentam para cada nível, bem como a organização dos agrupamentos e parcerias, - deve ser realmente apenas uma referência. É preciso estar ciente de que, primeiro, em cada hipótese de escrita descrita por Emilia Ferreiro há inúmeras possibilidades de produção e de formas de pensar, portanto, é preciso estar bem atento para propor desafios e parcerias realmente pertinentes a cada um, cada dupla, cada subgrupo, para que realmente tenham bons problemas a resolver para avançar. Em segundo lugar, é preciso lembrar que o desempenho das crianças na escrita não recobre necessariamente, ou não corresponde sempre e igualmente, a seu desempenho na leitura. Para organizar as atividades que envolvem a leitura (quando ainda não se sabe ler convencionalmente, decodificar), é preciso conhecer o modo como as crianças lêem, que hipóteses fazem ao tentar ler, que domíno têm de decodificação e de leitura visual. As hipóteses de escrita diagnosticadas nas produções infantis dão uma dica, inclusive porque pedimos a elas que leiam suas produções para nos certificar de suas hipóteses, mas não é um dado suficiente para determinar o domínio de leitura das crianças.
Os planos explicitam objetivos e conteúdos básicos do processo de alfabetização, embora outros objetivos e conteúdos possam estar em jogo, implicitamente, na proposta, relativos ao letramento, ao convívio, ao aprendizado de valores e atitudes. Incluem-se no plano também os objetivos e conteúdos dos diferentes níveis de escrita e leitura previstos na atividade, embora a proposta possa estar mais focada ou ser mais produtiva para um nível específico, e apenas sugeridas as adaptações e variantes. Cada professor ou professora deve julgar se e como as atividades propostas podem favorecer a reflexão de seus alunos, o avanço de suas hipóteses e estratégias, a aprendizagem.
Feitas essas observações e apresentações, segue o primeiro plano.
PLANO DE ATIVIDADE
Texto: Adivinhas
Objetivos:
Usar as adivinhas para brincar;
Identificar palavras;
Relacionar oral e escrita para reconhecer palavras ou parte de palavras;
Usar estratégias de leitura para ler sem saber ler;
Usar os conhecimentos que têm sobre o sistema de escrita, letras iniciais, finais, partes de palavras, valores sonoros de letras, tamanho etc;
Identificar letras;
Refletir sobre ortografia.
Conteúdos:
Gênero de texto de origem oral;
Identificação e reconhecimento de palavras;
Relação oral/escrito;
Estratégias de Leitura;
Funcionamento do sistema de escrita alfabética;
Identificação de letras;
Ortografia.
Desenvolvimento:
Relembrar as adivinhas da cultura popular que foram previamente lançadas na turma, numa outra ocasião, para brincar de adivinhar, oralmente. Relembrar coletivamente suas respostas, que foram adivinhadas com ou sem dicas dadas pela professora. Selecionar algumas adivinhas que as crianças saibam as respostas de cor, para, assim, proceder à atividade em grupos.
Utilizar os materiais estruturados da seguinte forma: a professora tem as cartelas com as adivinhas escritas e as crianças as fichas com as respostas. Distribuir nas mesas as fichas com as respostas de todas as adivinhas que serão lidas/ditas para a turma. O número de adivinhas depende do nível da turma, o ideal é começar com um número menor, como 4 ou 5, e ir experimentando aumentar na própria dinâmica da atividade, repetida em outras ocasiões. É preciso ter um kit de fichas para cada mesa, que recebem as mesmas palavras. As possibilidades e dificuldades de cada criança devem ser consideradas ao agrupá-los nas mesas, para possibilitar boas trocas, interações produtivas e um equilíbrio entre as mesas.
Cada mesa deve tentar achar a resposta da adivinha lida/dita pelo professor. As mesas que acharem primeiro podem sinalizar que já encontraram, mas não ainda mostrar a ficha para as outras mesas. Quando todos encontrarem as respostas, mostram suas fichas. A professora pode provocar a discussão, perguntando como encontraram a resposta, que estratégias usaram, que indícios consideraram. Essa argumentação é um trabalho metacognitivo interessante, que favorece explicitarem procedimentos e, para os que não encontraram a resposta, constitui-se em uma forma de irem se apropriando, gradativamente, de um repertório de indícios que podem passar a considerar.
Essa é uma atividade para uma turma na qual os alunos ainda não sabem ler convencionalmente e precisam usar todo o conhecimento que têm sobre letras, seus valores sonoros, letra inicial, final, partes de palavras que já reconhecem e que podem usar como modelo, enfim, todo o conhecimento que já dispõem. Para tal desafio é imprescindível que as crianças já conheçam as respostas oralmente, para que saibam o que estão procurando (que palavra procuram entre aquelas fornecidas). Trata-se de ajustar o oral, o que sabem oralmente da palavra, ao que vêm escrito, para tentar reconhecer a palavra, ainda que não a decodifiquem termo a termo. Para ser desafiante, de qualquer modo, não podem ser respostas que já memorizaram visualmente, globalmente, não completamente, em atividades prévias. Não se trata de avaliar o que memorizaram e que podem reproduzir.
No caso de haver alguns poucos alunos que já lêem convencionalmente, uma possibilidade é agrupá-los em uma mesa e eles terem que escrever as respostas das adivinhas lidas/ditas pela professora ou as montarem com as letras móveis disponíveis. Podem ainda lerem eles mesmos as adivinhas de outro kit e escreverem/montarem as respostas. Esses devem checar sua escrita/montagem ao final ou a cada resposta.
Para finalizar a atividade as crianças poderão escrever as respostas numa folha com as adivinhas (individual), ou no caderno, mesmo que olhando as fichas. Os que sabem escrever podem fazê-lo, também em relação à pergunta.
Crianças com hipótese pré-silábica ainda não relacionam o oral e a escrita em suas produções escritas. Se, na leitura, ainda não estabelecem essa relação, não podem fazer, sozinhas, esse tipo de atividade. Havendo crianças com essa hipótese, podem ser agrupadas com as outras. Caso haja um grupo maior, podem ser agrupadas em uma mesa e a professora procede do mesmo modo, mas dá dicas como: “começa com a letra x...”, “Tem x letras...”, “termina igual ao nome de fulana” (se os nomes estão disponíveis na sala ou a criança está na mesa), “é a maior palavra entre todas”, “tem três ‘a’ nessa palavra” etc. São esses os conhecimentos que constituem desafios para elas.
Recursos:
· Kit de Advinhas com respostas (palavras) repetidas (de acordo com o número de mesas);
· Alfabeto móvel ou respostas fatiadas em letras (é interessante, pois ao final, não podem faltar ou sobrar letras, caso aconteça, devem observar onde erraram)
