sábado, 20 de agosto de 2011
PROLER
11° Proler em Araxá/MG
Gente,Fui convidada a propor uma Oficina de Jogos e Materiais para Alfabetização no Proler de Araxá, em Minas, evento que acontece de 22 a 26/08, semana que vem. O tema do evento esse ano é "Leitura Literárias: sujeitos, linguagens e diversidade".
Essa participação no Proler, evento ligado ao fomento da leitura e da literatura, caiu bem nesse momento em que estou ocupada em produzir mais materiais a partir de livros de literatura infantil e, mais recentemente, a partir da poesia, com os Arquivos Poéticos.
Fico feliz de poder fazer parte da discussão sobre a importância da leitura literária e sobre as nuances de seus modos de acontecer na escola.
Vejam o cartaz:
Bom, esse post foi para dar notícia sobre as Oficinas e mostrar que não estou parada, apesar de estar dando um tempo nas oficinas mais longas, devido ao doutorado.
Para quem mora aqui por perto, aguardem, estou elaborando um projetinho para oferecer, quando possível, uma Oficina de Literatura e Alfabetização, com muita fruição de textos, contações de história, provocações poéticas e produção de materiais.
Enquanto não acontece, fiquem ligados(as) na programação do ELEGE, II Encontro de Leitura e Escrita do Geling, evento do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação e Linguagem (GELING/CNPq), no qual devo propor uma oficina também. O evento acontecerá no final de setembro na Faced/UFBA e as inscrições já estão abertas, gratuitas (http://www.elege.ufba.br).
É isso...
Inté,
Lica
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Arquivo Poético
Novidades!
Vou mostrar para vocês um tiquinho de um novo projeto que estou desenvolvendo, que são os Arquivos Poéticos. Os arquivos são kits de poemas organizados como um fichário, no qual são apresentados poemas e algumas atividades e materiais a partir deles. Consta também no arquivo informações sobre o(s) autor(es) ou o(s) livro(s) , um sumário dos poemas do arquivo, dentre outras coisas. Os Arquivos Poéticos estão para a poesia como as Caixinhas de Livro, que vocês já conhecem, estão para as narrativas.
O que vou mostrar hoje são os materiais que previ como sugestão para o poema Amanhã, de Sérgio Capparelli, que faz parte do Arquivo Poético Capparelli. Estou desenvolvendo esse arquivo, pois gosto muito desse autor. Já há, no arquivo, cerca de dez poemas dele, com atividades e materiais. E vai crescendo...
Mas há também outros arquivos sendo desenvolvidos, além desse, a exemplo do Arquivo Médico Poético, o Arquivo Alfabético Poético, dentre outros. Surpresa!!! Em breve darei notícia deles.
Bom, o poema de Capparelli em questão, Amanhã, diz assim:
Amanhã
O gato queria
Agarrar a lua,
Pensando que fosse
Um novelo de lã.
Mas a lua
Nem ligava,
Tricotando
A manhã.
O rato queria
Agarrar a lua,
Pensando que fosse
De queijo parmesão.
Mas a lua
Nem ligava,
Derramando-se
Pelo chão.
Mas a lua
Nem sabia,
Pois bebia
Em um poço.
O urso queria
Agarrar a lua,
Pensando que fosse
Colmeia com mel.
Mas a lua
Nem sabia,
Cochilando
Pelo céu.
Eu queria
Agarrar a lua,
Pensando que fosse
De diamante.
Ela disse:
Sou apenas
Uma lua
Minguante!
A leitura do poema para as crianças pode em si ser bem divertida, pode ser, pela própria entonação solicitando que pensem nas rimas que vão aparecer, por exemplo. Assim, ao ler "O cachorro queria/Agarrar a lua,/Pensando que fosse/Um pedaço de.... (paradinha para que tentem responder)... osso". Outras rimas podem ir aparecendo...
Desse poema, fiz algumas coisinhas pro Arquivo. Outras poderiam também ser propostas, como poema lacunado ou poema enigmático, mas, considerando que essas sugestões aparecem nas propostas de outros poemas do arquivo, essas aqui me pareceram mais bacanas por ora. Especialmente por causa do tipo e da quantidade de rimas do poema.
Desse poema, fiz algumas coisinhas pro Arquivo. Outras poderiam também ser propostas, como poema lacunado ou poema enigmático, mas, considerando que essas sugestões aparecem nas propostas de outros poemas do arquivo, essas aqui me pareceram mais bacanas por ora. Especialmente por causa do tipo e da quantidade de rimas do poema.
Vamos às propostas!
As rimas do poema, por sua vez, me sugeriram fazer alguns jogos: um jogo de trilha de rimas, um jogo de dados e um mini Bingo, todos esses jogos fonológicos sem presença da escrita, apenas para trabalhar a sonoridade das rimas. Todos eles são bons para crianças ainda sem muito domínio da leitura e escrita. Essa exploração das rimas pode, no entanto, depois, para os que têm já um domínio maior, facilitar atividades de leitura e escrita com a observação da terminação parecida de diversas palavras escritas que terminam, oralmente, de forma também parecida.
Cada jogador joga o dado (dado normal) e anda com o seu pino o número de casas indicado. Onde parar, deve dizer uma palavra que rime com o nome da figura representada na casa. Se conseguir, joga na rodada seguinte, se não, fica uma vez sem jogar. Mas uns podem ajudar os outros a dizer a sua rima, não há problema. As casas com a lua (protagonista da história, mas que não é rimada no poema) indicam ficar uma vez sem jogar ou, ainda melhor (para o jogo demorar mais um pouco), indicam na rodada seguinte andar para trás o número que tirar no dado. As rimas que devem ser ditas não são apenas as do poema, mas todas que vierem à cabeça dos jogadores, assim a exploração das sonoridades pode ser enriquecida. Ganha quem chegar primeiro ao fim da trilha. Como é uma trilha curta, pode também jogar com dois dados e subtrair o menor valor do maior (ex. se tirar 6 e 4, anda apenas 2 casas), incluindo um pouquinho de contas no jogo.
Com as cartas do Jogo do Dado de Rimas podemos também propor o Jogo do Intruso, que consiste em apresentar algumas cartas com figuras representando palavras rimadas e uma que não rima (Ex: figuras do gigante, do elefante, do diamante, da lua minguante e de um pescoço), para as crianças indicarem o intruso. É interessante que, se não explicarmos nada, elas tendem a tentar encontrar elementos semânticos como critério para excluir alguma das figuras. Aos poucos, levando-as a perceberem que o critério é sonoro, vão aprendendo a prestar atenção não apenas aos significados das palavras (representadas aí por figuras), mas a seus significantes sonoros (ou gráficos, no caso das palavras escritas). E isso é fundamental para a alfabetização!
Bom, o Mini Bingo é um bingo fonológico "rapidinho", que contém apenas duas casas na cartela e apenas cinco indicações. É bom para os que estão iniciando nessa possibilidade de percepção de sonoridades e que se prendem ainda ao significado das palavras e não o seu significante (e associam, assim, as palavras ditas a algum atributo semântico dos objetos de sua cartela e não atributos sonoros). É um mini jogo que prepara os bingos fonológicos mais elaborados, mas pode também dar mais de uma cartela para cada jogador. Ei-lo:
Também podemos fazer um jogo de cartas, um mini Baralho, para associar figura-figura rimadas (jogo fonológico), figura-palavra a que corresponde (reconhecimento de palavra), palavra-palavra rimadas (observando as semelhanças e diferenças entre elas) ou para jogar como Mico Preto ou Memória, formando esses pares ou até os quartetos. Para jogar como Mico Preto, incluí uma carta da lua, que não rima com outra carta e faz as vezes de Mico.
Um outro jogo que fiz com esse poema foi o Jogo das Duas Palavras, adaptado de um jogo criado por alunas ligadas ao CEEL, da Universidade Federal de Pernambuco. É um jogo de reconhecimento de palavras entre duas palavras dadas (as que rimam) para corresponder a cada figura. Diante da carta de palavras que abrem no jogo, os jogadores devem dizer qual das duas palavras corresponde à carta de figura que têm em mãos. O do CEEL é confeccionado a partir das rimas do poema de Vinicius, O Pato, da Arca de Noé, musicado por Toquinho, e pode ser conferido no livro que se encontra no site do CEEL: http://www.ceelufpe.com.br/e-books/Alfabetizacao_Livro.pdf , no capítulo sobre jogos.
É isso, gente. Essas são as sugestões que pensei para explorar o poema Amanhã, sempre lembrando que isso tudo só vale depois de explorar bem o texto, fruir simplesmente de suas sonoridades e sentidos, brincar com ele. A exploração das rimas, no caso desses jogos aqui propostos, permitem ampliar a fruição do poema, se apropriar mais dele, lembrar por mais tempo dele e do prazer que proporcionou sua leitura - suas tantas leituras. Relê-lo depois de brincar certamente dará outra graça às rimas, a esse jogo de sonoridades e sentidos.
Minha ideia de material a partir da literatura é que ele seja para ampliar a leitura - no caso aqui, leitura dos poemas - não para empobrecê-la, despi-la de sua natureza artística, estética, literária. Sim, defendo um trabalho pedagógico com a literatura não apenas de letramento literário, mas também de reflexão sobre o sistema de escrita alfabética, mas defendo igualmente que essa apropriação pedagógica da poesia, como da literatura em geral, não deve se dar ao preço de empobrecer sua natureza estética. Como nos ensina Magda Soares (1999), é preciso pensarmos em uma escolarização adequada da literatura, na qual se estabeleça um diálogo entre o discurso pedagógico e o discurso literário. Acredito estar experimentando, com esses materiais, formas de fazê-lo. Na alfabetização, a literatura é fonte de deleite estético, de letramento literário, mas também matéria de reflexão sobre a linguagem, a língua, a língua escrita. A questão é como fazer isso.
Assim, dito isto tudo, vale, então, voltar ao poema sempre, reler, brincar mais uma vez; adivinhar, ao ler, as rimas que, depois de tanto explorar já ficam conhecidas; reler de outros jeitos, conhecê-lo por dentro, fazê-lo durar na memória. É o que eu espero, para que se configurem de fato como materiais que favorecem a alfabetização em contexto de letramento literário. Conhecer as propriedades formais de poemas - que são isso, formas, articulação de sons e sentidos - é ampliar a leitura dos poemas, sua fruição estética. Fazer isso brincando, ainda melhor!
Outra coisinha que eu queria lembrar é que, embora a rima seja um aspecto importante da poesia, muito frequentemente associado ao próprio conceito de poema (embora haja poemas sem rimas!!!), as sonoridades que podem estar em jogo na poesia são muito mais ricas, não se reduzindo a rimas, muito menos a rimas apenas no final de versos. Muitos jeitos de rimar são possíveis, rimas toantes e rimas "dançantes", rimas no final ou pelo meio dos versos, rimas em versos alternados, rimas mais próximas, rimas mais distantes... E ainda temos aliterações, assonâncias, paralelismos, repetições, trocadilhos, dentre muitos outros aspectos fazem a festa do ritmo, sons, sentidos... e explorá-los faz bem à poesia e também à alfabetização, faz bem ao leitor de poemas que aponta e à reflexão fonológica, faz bem à apropriação da escrita por este que se inicia na leitura e escrita autônomas. E se fizermos bem, tudo ao mesmo tempo! Falaremos mais sobre isso em outras oportunidades, tá?
Aguardem mais sugestões de atividades e materiais do Arquivo Capparelli. Há vários outros poemas, que trazem consigo outros materiais: Longe de Casa, A Chuva está Chorando, A Semana Inteira, A Árvore que dava Sorvete, De Volta, Sons, Cores, Esquisitices, As Sardas de Dora, Minha Cama, dentre outros, compõem o Arquivo, com vários joguinhos e propostas diferentes.
Ah, e leiam Capparelli, é maravilhoso! Sugiro, em especial, o livro "111 poemas para crianças", da LP&M, com uma seleção do próprio autor de diversos livros seus. Uma delícia!
Inté,
Lica
SOARES, Magda. A escolarização da literatura infantil e juvenil. In: MARTINS, A.A.; BRANDÃO, H.M.B.; MACHADO, M.Z.V. (orgs.). A escolarização da leitura literária: o jogo do livro infantil e juvenil. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Outro lance de Lince
Oi, aqui estou para postar uma novidade.
E tem tanto a opção Lince Fonológico, com as cartelas indicativas das rimas, em azul, quanto a opção Lince reconhecimento de palavras, com as palavras em fichas amarelas.
A Ana já fez seu Lince (rapidinha, você, heim?) e ficou lindo! Vejam:
Faço questão de postar aqui, pelo empenho dessa moça que, além de estar montando o seu acervo, está inventando outros tantos materiais, sempre com muita criatividade. Ela pegou o jeito e o gosto, ninguém segura mais...
Agora ela está explorando o livro com sua turma de alfabetização e vai, inclusive, testar o Lince com as crianças e está promovida a testadora oficial dos novos jogos! Ela tem construído uma boa parceria comigo nas invencionices, né, Ana?
O post é também para incentivar outros a tentarem fazer seus acervos, mostrar que é possível fazer os materiais, mesmo longe (Ana mora no Rio, eu em Salvador!).
Agora ela está explorando o livro com sua turma de alfabetização e vai, inclusive, testar o Lince com as crianças e está promovida a testadora oficial dos novos jogos! Ela tem construído uma boa parceria comigo nas invencionices, né, Ana?
O post é também para incentivar outros a tentarem fazer seus acervos, mostrar que é possível fazer os materiais, mesmo longe (Ana mora no Rio, eu em Salvador!).
Olha como ela fez bonito! Fez o tabuleiro com um vinil (lembram de disco de vinil, LP, né, gente? Eu não me esqueço, meu maridão os coleciona e minha casa é cheia deles!!!), veja que interessante que ficou. E ficou bem legal o tabuleiro redondo e com fundo preto (aliás essa é uma boa dica: o fundo escuro é melhor para ressaltar as figuras).
Confiram essas e outras fotos do Lince de Ana no seu álbum no Picasa: https://picasaweb.google.com/ana.lucia.pinto.antunes/Lince?feat=email
E vejam lá também outros materiais e projetos seus. O Bingo Fonológico dela ficou colorido, vistoso...
Espero que a produção de Ana - no capricho, como diz meu filho - incentive outros a fazerem seus materiais também. Valeu Ana!!!
Fico bem contente de poder postar algo assim, fruto do meu trabalho, mas que ganha asas...
Fico bem contente de poder postar algo assim, fruto do meu trabalho, mas que ganha asas...
Mãos à obra, gente!
Lica
domingo, 31 de julho de 2011
Lince O que tem nesta venda?
Oi, oi,
Como prometido, eis o post do Lince “O que tem nesta venda?”. Esse é um post continuação do anterior, portanto, quem não o leu, é bom ler, tá? Gostaria principalmente de relembrar que os jogos e materiais propostos aqui a partir de livros de literatura são possibilidades de exploração de aspectos trazidos por eles – no caso deste, as rimas – que se propõem a ampliar a leitura dos livros e não sobressair-se a eles, ou empobrecê-los de sua natureza literária. Essa é uma compreensão fundamental dessa proposta metodológica. Os jogos favorecem durar na poesia, apropriar-se dela, expandir seus elementos, voltar a ela...
Mas vamos ao Lince.
Há duas possibilidades de organizar o Lince. Ou fazemos um tabuleiro com as pequenas figuras correspondentes às rimas coladas nele ou apresentamos essas pequenas figuras soltas, para que possam mudar de lugar a cada partida. Com as figuras coladas não há possibilidade de variação da posição das figuras de jogo para jogo, mas é um formato interessante, bonito, mais fácil de confeccionar e de manter. Com as cartelas separadas, não fixas no tabuleiro, permite-se que a cada partida estas sejam embaralhadas e não se memorize as posições onde se encontram. Entretanto, as cartelinhas dão mais trabalho de confeccionar e perdem com mais facilidade.
| Kit Lince com as duas formas de jogo |
| Cartelinhas soltas |
Com as figuras soltas, o jogo contém várias pequenas cartelas, com as figuras correspondentes às rimas do texto “O que tem nesta venda?” (fiz as minhas redondas, bem chatinhas de recortar, mas forma um todo mais interessante que quadradinhas). Essas cartelinhas devem ser embaralhadas, espalhadas, mas não muito separadas. O conjunto delas constitui o tabuleiro.
Seja com figuras fixas ou soltas, há duas possibilidades de jogo: Lince Fonológico ou Lince de Reconhecimento de palavras. Antes de jogar, no entanto, é preciso que os jogadores se familiarizem com as figuras do jogo, como saber o que as figuras representam, como compasso, cadarço, caqui, torrada (e não pão), bolacha (e não biscoito), ricota (e não queijo), sabonete (e não sabão), chá mate (e não chá ou xícara, para a figura da xícara de chá) e assim por diante. Para ajudar nisso podem ser usadas as cartas do Bingo ou do Baralho fonológico “O que tem nessa venda?”, que são maiores, notando, no entanto, que há no Lince, por vezes figuras diferentes, como dois tipos de bola, dois tipos de torta etc. Essa exploração é fundamental para que as chances de encontrar as figuras com rapidez sejam maiores. Retomar o livro também é importante nessa familiarização com as palavras presentes no jogo. Talvez seja interessante também jogar esses outros jogos, como o Bingo e o Baralho Fonológico, antes do Lince, para ajudar nessa familiarização (serão mostrados em breve!).
Lince Fonológico:
Joga-se entre dois a quatro jogadores, e mais um adulto ou criança que lê com autonomia, para sortear e ler as cartas indicando as rimas. Nesse formato, o jogo é de reflexão fonológica sobre a rima, unidade que está presente no livro fonte desse material.
No tabuleiro com as peças soltas, ao ouvirem a indicação lida sobre a rima (ex. “rima com anel”), todos os jogadores devem procurar as figuras correspondentes àquela rima no tabuleiro (todos buscam as figuras do “papel” e do “pastel” no tabuleiro, que são figuras do livro que rimam com anel).
Com as figuras coladas no tabuleiro, é preciso organizar um modo de registrar a contagem das figuras encontradas, por isso, nesse caso, o jogo com as cartelas soltas termina sendo mais simples em termos da contagem dos pontos.
Entretanto, ter marcadores como grãos de feijão ou botões, ou algo do gênero, resolve, ao se jogar com o tabuleiro fixo. Cada um que achar uma das cartelas, nesse caso, pega para si um marcador ou registra. Ganha quem tiver mais marcadores ou marcas ao final do jogo, já que a quantidade deles representa a quantidade de figuras que cada um encontrou. O Lince fonológico funciona de modo mais simples com as figuras soltas, não coladas, por isso mesmo. Mas nada impede de jogar registrando os pontos.
Lince de Reconhecimento das palavras:
O Lince aqui não é mais de consciência fonológica, mas de reconhecimento de palavras, ou seja, de leitura. Usam-se, em vez das cartelas com indicação de rimas, fichas com palavras escritas: as palavras correspondentes às figuras do jogo (os pares de rimas referidos no livro).
O primeiro que a ler e encontrar uma figura correspondente no tabuleiro do Lince, ganha para si a cartela (ou ganha para si a ficha com a palavra, caso o tabuleiro seja com as figuras coladas). Pelo fato de a ficha de palavras funcionar como controle de quem encontrou uma figura primeiro, o jogo do Lince de Reconhecimento de palavras serve bem para ser jogado com as figuras fixas no tabuleiro. Melhor até que com as cartelas soltas.
No segundo modo de jogar, cada jogador recebe (retira de um saquinho ou monte, sem ver) duas fichas com as palavras escritas correspondentes às figuras do tabuleiro. Depois de um sinal, devem tentar localizá-las rapidamente e pegar a cartela com a figura encontrada para si (ou pegar a palavra para si, caso as figuras sejam coladas no tabuleiro e devolver a que não encontrar). Quando o primeiro jogador localizar uma figura correspondente a cada uma de suas duas fichas de palavras (tem mais que uma figura de cada rima, mas basta encontrar uma), a rodada, então, deve parar, e os outros não mais podem procurar as figuras, devolvendo as palavras ao monte (ou saquinho), e embaralhando-as.
Cada jogador fica com as fichas das palavras (ou com as cartelas com as figuras) que conseguiu localizar e, então, retira duas novas fichas de palavras. E assim por diante...
Quando não mais houver palavras suficientes para distribuir duas para todos os jogadores, distribui-se uma. Quando não mais tiver para todos, termina-se o jogo. Ganha quem, no final da partida, estiver com mais cartelas ou fichas de palavras. Pelo fato de implicar o domínio de leitura das crianças, é preciso pensar nos agrupamentos para jogar, formando grupos com domínio semelhante de leitura, para uns não estarem sempre em desvantagem.
Observação: o número de palavras entregues pode variar a depender do domínio de leitura do grupo e do número de figuras do tabuleiro, pode ser três, em vez de duas, se houverem muitas, como no caso da turma ter feito uma atividade de produção de texto, ampliando os produtos da venda. Essas rimas advindas de atividades de produção textual e ampliação do texto poético podem ser incluídas no jogo, aumentando-se as figuras do tabuleiro e as fichas. Essa atividade de produção (indicada no post anterior) é bem interessante, não só para ampliar o trabalho com a sonoridade, com as rimas, mas para aumentar o desafio no jogo do Lince, seja o fonológico ou o de reconhecimento de palavras, já que o universo de figuras aumenta exigindo mais atenção e acuidade.
É isso, gente! Essa é a minha proposta de jogo a partir desse livro de Elias José. Como ele tem muitas rimas, dá margem também a outros jogos, que postarei em breve: o Bingo e o Baralho “O que tem nesta venda?” são uns deles. Assim, vocês podem ter algumas possibilidades de jogo para escolher as que lhes agradam mais ou para variar. Fica também a dica de estrutura de jogo, que pode ser adaptados a outros textos rimados.
Aguardem!
Lica
terça-feira, 26 de julho de 2011
O que tem nessa venda?
Lince
O que tem nesta venda?
.
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Oi, gente,
Vou mostrar para vocês em breve um jogo que fiz a partir do livro “O que tem nesta venda?”, de Elias José. É da Editora Paulus, Coleção Ler Brincando (antigamente coleção Patati Patatá), e tem ilustrações de Rogério Coelho. Mas antes, vamos falar um pouco do livro e de suas possíveis explorações. Trata-se de um texto poético que propõe brincar com as rimas, com as palavras. Segue o texto abaixo, só para a compreensão do material proposto. Mas indico a leitura com as crianças no próprio livro, mostrando as ilustrações. Além de ser importante o contato com o próprio livro, é legal depois ele poder ser folheado, “relido”, retomado.
Vou mostrar para vocês em breve um jogo que fiz a partir do livro “O que tem nesta venda?”, de Elias José. É da Editora Paulus, Coleção Ler Brincando (antigamente coleção Patati Patatá), e tem ilustrações de Rogério Coelho. Mas antes, vamos falar um pouco do livro e de suas possíveis explorações. Trata-se de um texto poético que propõe brincar com as rimas, com as palavras. Segue o texto abaixo, só para a compreensão do material proposto. Mas indico a leitura com as crianças no próprio livro, mostrando as ilustrações. Além de ser importante o contato com o próprio livro, é legal depois ele poder ser folheado, “relido”, retomado.
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O que tem nesta venda?
Elias José
Fui à venda comprar ricota.
Como não tinha, comprei torta.
Fui à venda comprar rabanete.
Como não tinha, comprei sabonete.
Fui à venda comprar leque.
Como não tinha, comprei pé-de-moleque.
Fui à venda comprar chá-mate.
Como não tinha, comprei tomate.
Fui à venda comprar mola.
Como não tinha, comprei cola.
Fui à venda comprar disquete.
Como não tinha, comprei chiclete.
Fui à venda comprar uma bola.
Como não tinha, comprei carambola.
Fui à venda comprar papel.
Como não tinha, comprei pastel.
Fui à venda comprar alho.
Como não tinha, comprei baralho.
Fui à venda comprar repolho.
Como não tinha, comprei molho.
Fui à venda comprar sapato.
Como não tinha, comprei pato.
Fui à venda comprar borracha.
Como não tinha, comprei bolacha.
Fui à venda comprar marmelada.
Como não tinha, comprei torrada.
Fui à venda comprar compasso.
Como não tinha, comprei cadarço.
Fui à venda comprar mala.
Como não tinha, comprei bala.
Fui à venda comprar pandeiro.
Como não tinha, guardei o dinheiro.
Fui à venda comprar apontador.
Como não tinha, comprei grampeador.
Fui à venda comprar caqui.
Como tinha, comprei e comi.
Fui à venda comprar amendoim.
Já está na hora de pôr um fim.
Que a rima não o prenda
Ao falar das compras na venda.
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O Lince, por sua vez, é um jogo conhecido, da Grow, cujo tabuleiro tem um monte de figuras pequenas espalhadas, que devem ser encontradas pelos jogadores, no caso do jogo original, a partir de pequenas fichas sorteadas, com as mesmas figuras. Há algumas adaptações no mercado, mas todos mais ou menos nessa mesma linha.
Originalmente, é um jogo de acuidade e percepção visual, atenção e agilidade. Entretanto, aqui, no contexto da alfabetização, ele foi adaptado para favorecer, além desses desafios, a reflexão fonológica e o reconhecimento de palavras (leitura).
Entretanto, antes de jogar o jogo do Lince “O que tem nesta venda”, é preciso ter lido o livro, brincado com ele e, por isso, nesse primeiro post vou dar algumas sugestões de exploração do livro e, em seguida, vou fazer o post sobre o jogo Lince “O que tem nesta venda”? com fotos do jogo e a apresentação de suas formas de jogar, certo?
Sugerimos, então, após apresentar o livro, fazer uma primeira lida com boa entonação, levando as crianças a perceberem as sonoridades, e depois uma lida parando na segunda rima, para os alunos completarem oralmente, com a rima que o livro propõe, ou com outras, como palhaço, braço, abraço, para rimar com compasso e cadarço. Assim vão surgindo novas rimas...
Brincar de falar outras rimas, além das do livro é bem interessante, pois, em si, já é uma atividade de reflexão fonológica sobre rimas, como a brincadeira de “lá vai a barca carregadinha de ______ (feijão): agrião, avião, caminhão, sabão, melão, mamão, pão...”. Pode-se fazer isso apenas oralmente e, depois, dependendo do nível do grupo, listar essas palavras sugeridas por escrito, para fazer atividades diversas de reconhecimento de palavras, como reconhecer uma palavra indicada entre todas, agrupar as palavras que rimam, analisar semelhanças e diferenças, dentre outras propostas.
A rima é uma unidade sonora à qual as crianças são muito sensíveis, desde pequenas. Nessas atividades a criança precisa prestar uma atenção mais deliberada às rimas, constituindo-se em boas atividades de consciência fonológica. A consciência fonológica pode incidir sobre diferentes unidades, rimas, palavras, partes de palavras, sílabas, unidades inter e intrasilábicas e fonemas, quando é então chamada de consciência fonêmica. A rima é a forma mais elementar de consciência fonológica, mas muito interessante para favorecer a familiaridade com a reflexão sobre os sons da língua e, posteriormente, suas representações por escrito. Além disso a rima é matéria da poesia e da linguagem em geral.
A reflexão fonológica favorece a apropriação da leitura na medida em que o nosso sistema de escrita é de base fonológica e as descobertas das sonoridades podem ajudar, em outros contextos, as associações entre sons da língua e os signos da escrita. Através de atividades com poemas, trava-línguas e jogos fonológicos, as crianças vão sendo convidadas a ampliarem suas possibilidades de reflexão fonológica ludicamente, desde rimas a fonemas.
Quanto ao livro de Elias José, sugiro também a ampliação do texto, oralmente de início, com propostas de outros produtos para a venda. O texto permite essa criação livre, apoiada na estrutura repetitiva dos versos. Dependendo do grupo, pode-se propor depois também a produção escrita (coletiva, com o professor escrevendo no quadro ou individual e em duplas). Assim, poderíamos ter o professor iniciando: “Fui à venda comprar feijão. Como não tinha, comprei _______”. (os alunos completam oralmente com algo que rime com feijão: /ão/). O professor pode listar para si mesmo uma série de rimas que não aparecem no texto para sugerir ao grupo. Por exemplo: /igo/: trigo, umbigo, amigo...; /orte/: sorte, morte, corte, serrote...; /ia/: melancia, pia, alegria; /ento/: cimento, vento, assento, coentro (as rimas podem ser perfeitas ou não, vale também as rimas toantes, em que só se repetem os sons das vogais, não das consoantes, como em “ricota” e “torta”, no livro).
Pode propor também os próprios alunos sugerirem ambas as palavras: “Fui à venda comprar _______. Como não tinha, comprei _______”. Não importa se o “produto” for imaterial, como amor, morte, saúde... Afinal, é poesia, né? Nesse caso, para constarem no Lince, esses produtos têm que ser representados por algum símbolo, combinado no grupo – o que em si é uma boa atividade – como, por exemplo, usar um coração para representar a palavra amor, uma cruz para a morte, um sorriso para a alegria...
A partir das rimas surgidas nessas atividades de produção textual, oral e/ou escrita, pode-se montar outro tabuleiro de Lince – além do original, só com as rimas do livro –, mais amplo, com mais figuras, mais cartas de indicação e mais fichas de palavras, tornando o desafio ainda maior. Desse modo, o texto lúdico-poético do livro, as atividades propostas e os jogos de alfabetização articulam-se ainda mais, ampliando a leitura do livro, sua apreciação, sua fruição estética e literária, o jogo das sonoridades, ao mesmo tempo em que se trabalha a reflexão sobre aspectos do sistema de escrita alfabética. Oralidade, alfabetização, letramento literário... tudo articulado. Não é esse o caminho metodológico que queremos?
É isso, gente!
Aguardem o post do Lince, o jogo ficou bem legal!
Lica
P.S. Como já escrevi os outros posts sobre materiais com esse livro, eis aqui o Lince e aqui outros joguinhos.
P.S. Gente, olhem o livrinho bacana que Ana fez com sua turma, a partir do livro de Elias José e com os nomes das crianças: http://www.slideshare.net/AnaLuciaAntunes/livro-o-que-tem-na-venda-do-1-ano
P.S. Como já escrevi os outros posts sobre materiais com esse livro, eis aqui o Lince e aqui outros joguinhos.
P.S. Gente, olhem o livrinho bacana que Ana fez com sua turma, a partir do livro de Elias José e com os nomes das crianças: http://www.slideshare.net/AnaLuciaAntunes/livro-o-que-tem-na-venda-do-1-ano
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