quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Arquivo Alfabético Poético

Oi, minha gente,

Hoje eu vou postar sobre um material muito especial. Especial porque é um material que vem sendo feito há tempos. Porque é cheio de possibilidades.... nada está pronto de antemão..... Especial também porque é um material meio trabalhoso e dispendioso (mas pensaremos em adaptações). Mas, especialmente, porque foi o primeiro material todo pensado a quatro mãos. É o Arquivo Alfabético Poético. Esse é um dos kits de Arquivos Poéticos, junto com outros que venho pensando, como o de Sergio Capparelli, já postado aqui.

Tive essa ideia do Arquivo Alfabético desde que fiz um post sobre os abecedários poéticos, lembram? Está no link Abecedários Poéticos.  A ideia era fazer um arquivo, um fichário mesmo, com fichas separadoras, indicando as letras de A a Z. Só que seria um arquivo a partir de livros que trazem o alfabeto com poemas ou jogos de linguagem. Em cada parte, colocaríamos os poemas, de cada livro, dedicados àquela letra do alfabeto indicada na linguetinha do fichário. 

Veja na figura uma ideia do que é.

O Arquivo Alfabético não apresenta, nesse caso, atividades para esses textos/livros – ao menos não ainda, mas já temos planos de pensar em incluir sugestões – mas sim os próprios textos, com suas ilustrações. Vocês podem se perguntar “sim, mas se temos os livros, para que o arquivo?” – pergunta bem pertinente. Os livros são fundamentais. Mas pensamos que ter esse material em forma de fichas seria bem interessante, pois podemos manipulá-las independentemente, trabalhando com todos os textos de uma determinada letra, por exemplo, ou todos os textos de um mesmo autor/livro.  A ideia do fichário com esse tipo de texto de alfabeto vinha me perseguindo faz tempo...

Pois bem, quando compartilhei essa ideia, ainda um esboço, com Ana Lúcia Antunes, minha amiga de longe e já parceira naquela essa altura, ela logo comprou a ideia e passamos a desenvolver juntas o projeto. Da ideia inicial foram surgindo outras, e também pequenas questões foram aparecendo. Primeiro selecionamos os livros – há muitos! – cada uma de nós conhecia um tanto, cada uma ia descobrindo novos, que cabiam no arquivo. Foi uma pesquisa muito bacana. 


Assim, nessa primeira versão do Arquivo, que pode crescer ainda, entraram 16  livros, de vários autores e editoras (ver lista dos livros abaixo, na nota do post). Temos ainda o ABC Doido, de Ângela Lago, que estamos avaliando se entrará nesse arquivo ou constituirá um kit próprio. No fichário, de cada livro, tem as fichas correspondentes a cada letra e a capa.

Exemplo da parte correspondente à letra A do Arquivo:


Tomamos conhecimento, em nossas pesquisas, de uns livros desse tipo muito legais, de Portugal, mas apenas um deles consta no arquivo, pois Ana conseguiu encontrá-lo. Os outros conseguiremos em outra oportunidade.

O projeto foi todo pensado e elaborado junto com Ana, desde a escolha e a digitalização (escaner) dos livros até a concepção do material – como seriam as fichas, o tamanho delas, como resolveríamos a inclusão das imagens em alguns livros, o jeitão das fichas separadoras, o aumento da fonte dos textos em alguns casos etc. Nos complementamos muito bem em todas essas etapas, Ana sempre experimentava tudo rapidinho e trazia ótimas ideias e soluções. Uma decisão muito importante, que vislumbrei desde o início, foi a de colocar cada livro/autor em fichas de uma mesma cor, assim poderíamos tanto usar o material pela letra que o texto homenageia (tipo todos os textos que falam da letra A), como usar todos os textos de um mesmo autor/livro, indicado pela cor da ficha em que esses textos são colados. Mais tarde veio a ideia do “flex”... Volto a ela, já já.

Com todo o material digitalizado, pronto para imprimir, Ana, no entanto, saiu na frente na produção efetiva do Arquivo – impressão, montagem, plastificação, confecção da caixa. Como estou muito ocupada e com as vistas meio comprometidas, adiei um pouco a confecção do meu. Assim, o que mostro aqui nas fotos para vocês é o Arquivo de Ana, que já está prontinho, pois ela queria começar o ano já usando com sua turma. Nada como uma boa motivação para pormos a mão na massa, né? 

Essa iniciativa de Ana foi muito importante para irmos testando e revendo algumas coisas do Arquivo, pois no fazer mesmo, com a mão na massa, apareceram muitas outras questões a serem resolvidas. Íamos discutindo as saídas, as possibilidades, experimentando e achando as soluções. Assim, Ana tem muitas dicas a dar sobre a confecção, e vai contribuir com isso num próximo post. Esse aqui é só para apresentar o material.

Para fazer a caixa do Arquivo mesmo, foi uma novela. Á medida que as fichas iam ficando prontas, é que íamos tendo a dimensão do tamanho da caixa que precisaríamos para guardá-las. E essa tal caixa ia aumentando, aumentando. Ana ia de lá mandando dizer quantos centímetros já mediam tantas fichas de livros prontas, e eu de cá tomando susto! Não tínhamos essa noção. Mas foi divertido nos surpreender com um tamanho jamais imaginado. Ou seja, íamos descobrindo como fazer o kit, fazendo-o. E descobrimos que era preciso mandar fazer a caixa sob medida, para ser forte e grande o suficiente, sem folgas desnecessárias nem apertos, pois o material era pesado também, quando plastificado na gráfica. Só foi possível descobrir isso com as fichas ficando prontas. Além disso, precisaria ficar esteticamente bem arrumadinho na caixa e com folga para manusear as fichas, procurar fichas pelo meio do arquivo, mexer os separadores para lá e para cá. O jeito que Ana pensou para a caixa é fantástico, bem como um arquivo mesmo, que ao abrir vemos as linguetinhas de fora. Mas demorou um pouco de acertarem fazer isso onde ela encomendou. A primeira caixa que ela mandou fazer ficou apertadinha, embora linda, vejam:



Ela ainda está buscando a caixa perfeita, pesquisando daqui, medindo dali, tomando susto se eu descubro mais um livro que pode virar ficha. A ideia é que fique mais folgadinha, como essa, ao lado, provisória. Ou seja, em breve, Ana nos dará a dica da caixa ideal e a novela terá, enfim, um fim. 

Os vendedores de lojas, bem como nossos maridos, nos acham meio doidinhas... Rsrsrs!!! 

Com o material já sendo confeccionado por Ana, pensamos também em fazer as fichas separadoras “flex”. “Como é isso?” – perguntou Ana, achando que eu estava inventando coisa. Ah, nada mais é do que ter a ficha separadora de um lado com as letras do alfabeto, para separar no fichário o material por letras (todos os textos de cada letra do alfabeto) e, virando a ficha separadora, para separar por autor/livro, ter a linguetinha com a cor correspondente ao livro, a cor das fichas daquele autor. 


Vejam que, assim, podemos arrumar o fichário de dois jeitos diferentes, por letra ou por cor, a depender de como vamos usá-los com as crianças. E Ana deu corpo a essa ideia fazendo com muito esmero suas fichas separadoras. Plastificadas, as linguetinhas com as letras de um lado e a cor do outro ficaram um show!

Como eu disse no início, o Arquivo Alfabético Poético não indica, em si, as possibilidades de uso do material, mas elas são infinitas. Ana pretende postar, em algum momento, algumas sugestões ou atividades que desenvolver em sua turma. Eu também prometo fazê-lo de tempos em tempos. Mas cada um pode – e deve – explorar o Arquivo, bem como os livros a partir do qual é feito, de muitos jeitos. Só ler os textos já é bem bacana. Trabalhar as letras assim, no contexto de textos poéticos, certamente será uma delícia! Por outro lado, cada livro/kit de fichas poderá apresentar possibilidades diversas, por sua própria natureza, assim como cada textinho pode dar atividades interessantes independentemente de seu conjunto, como fiz uma sugestão no post que está no link O que se vê no R, a partir do poeminha de Elias José para a letra R, ou no link  O que se vê no Q, para a letra Q.

Bom, minha gente, por ora é isso, apenas para apresentar o material, o Arquivo... Ele está lindo assim, não acham? Mas é possível fazer adaptações para simplificar e baratear a confecção, para mais pessoas poderem experimentar fazer um Arquivo para o seu grupo, mesmo que não entrem todos os livros. Em breve postaremos mais sobre ele, com essas dicas.

Agradeço a Ana por compartilhar as fotos de seu Arquivo pronto com a gente, além, claro, pela parceria nesse projeto que agora é totalmente nosso, totalmente compartilhado. Vejam mais fotos no post de Ana, no link Álbum Arquivo Alfabético Poético. Não está lindo, colorido,  maravilhoso?!!!! Pois é... A gente chega lá! Eu chego lá!!!

Para ver uma das propostas que Ana fez a partir do Arquivo, veja no blog dela, aqui.

Ah, lembrem que, de qualquer modo, apenas a indicação dos livros usados no arquivo já é também uma boa sugestão para trabalhar com as crianças, heim? E, como sempre digo, ter os livros, manuseá-los, lê-los, é fundamental.

Espero que gostem,
Um abraço,
Lica

Lista dos Livros do Arquivo Alfabético Poético:
  1. Uma letra puxa a outra (José Paulo Paes). Companhia das Letrinhas 
  2. O que se vê no abecê (Elias José). Ed. Paulus
  3. As Letras (Lalau e Laurabeatriz). Ed. Amarilys
  4. Palavras, muitas palavras (Ruth Rocha)
  5. No Balancê do Abecê (Elias José). Ed. Paulus
  6. O Batalhão das Letras (Mario Quintana). Ed. Globo
  7. Bichodário (Telma Guimarães). Ed. Escala
  8. De Letra em Letra (Bartolomeu Campos de Queiroz). Ed. Moderna
  9. Alfabetário (José de Nicola). Ed. Moderna
  10. ABC quer brincar com você (José Santos). Ed. Companhia Editora Nacional
  11. ABC das Rimas (César Obeid). Ed. Salesiana
  12. Bichionário (Nilson José Machado). Ed. Escrituras
  13. Quem lê com pressa tropeça (O ABC do trava-língua). (Elias José). Ed. Lê/Casa de Livros.
  14. ABC e Numerais: pra brincar é bom demais. (Tatiana Belinky). Ed. Cortez
  15. Alfabeto dos bichos (José Jorge Letria). Ed. Oficina do Livro
  16. ABC (Tatiana Belinky). Ed. Elementar

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Bichos Malucos

Oi, gente! 

Quando eu era professora do segundo ano, há muuuuuito tempo (era ainda primeira série que se dizia), eu fazia uma atividade bem divertida com os meus alunos, e chamávamos de Bichionário.

Era assim: cada um criava um bicho maluco, misturando um bicho com outro. Separa, junta, funde, confunde, cria, recria, inventa, e eis que surgia um bicho esquisito, formado de dois outros. Era preciso criar os seus nomes, desmontando e remontando as palavras, para escolher um nome para cada bicho inventado, a partir dos dois nomes que lhe deram origem. Às vezes começávamos pelo desenho, às vezes pelos nomes, rindo com as experimentações linguísticas. A brincadeira chamava-se Bichionário, pois depois de criados os nomes e desenhados os bichos, cada criança deveria descrever o seu animal, oralmente, para eu escrever, ou por escrito. E assim fazíamos nosso Dicionário de novos bichos: Bichionário! Lembro de um deles, muito simpático que se chamava BORBOFANTE! Adivinhem como ele era!!!???

Outros nomes legais: minhogato, tartanhoca, botucano, araranta, patopótamo, quatigre, lebelula (sem acento, libélula + lula), girafoca, hipopato, porcoruja, cavaca, pulgato, cobraleia, sapavão, maripeixe, gorilatixa, camelontra, ovelhama, abelhama, tubaranha, camundoninha, emacaco, rinocoelho, rinocegonha, cigarrato, jacabelha... e por aí vai...

Certa vez eu tentei fazer um material que eram metades de bichos estilizados que se encaixavam uns com os outros, e assim, surgiam as várias possibilidades. Mas nunca terminei. De todo modo, dando de antemão as características que serão usadas de cada bicho (ou a parte de cima de um e a parte de baixo de outro; ou a parte da frente de um e a parte de trás de outro), eliminam-se muitas outras possibilidades de fusão, como o elefante com asas de borboleta ou a borboleta de tromba e asas-orelhas, como eram as borbofantes. Prefiro que as próprias crianças criem seus bichos. Saem misturas bem legais! Misturanças, bichos bem malucos mesmo...

Muitas são as possibilidades de combinação nos desenhos e também nos nomes. Podemos usar todo o nome e juntar, podemos usar parte de um e de outro, podemos inclusive, quando as palavras permitem, criar palavras que compartilham letras, vogais ou consoantes, e não sílabas, como P em mariposa e peixe formando MARIPEIXE ou o A em ARARANTA. O importante é que ambos sejam, de algum modo, reconhecido no novo nome. Para ter graça. 

Esse tipo de criação chama-se "mot-valise", ou palavra-valise. O mot-valise, ou portmanteau-word, é uma palavra inventada, que se forma pela fusão de outras (duas ou mais) existentes no léxico de uma língua. Encaixa-se uma na outra, formando um sentido também fundido, misturado. Geralmente a nova palavra se forma perdendo o início de uma e o final da outra, implicando em supressão de sílabas (mas não necessariamente). Há mot-valises em que a sílaba final da primeira palavra é igual à primeira sílaba da segunda palavra, como em MACACOBRA. Por vezes, assim como em MACACOBRA, usa-se toda a palavra. Quer um exemplo? ARARANTA e MORANGOTANGO. Morantogotango é bem interessante, pois bastou acrescentar o M inicial e formou-se uma valise com duas palavras grandes. E o que caracteriza a palavra-valise é justamente compartilhar o sentido. Quer ver? Isso dá até piada: 

 – O que é um pontinho vermelho pulando de galho em galho?
 – É um morangotango!

O escritor Lewis Carroll, que inventou a expressão portmanteau word,  as usou e as explicou no livro Alice no País dos Espelhos, quando Humpty Dumpty explica a Alice um trecho do poema Jaguadarte: "Veja bem, é uma palavra-valise - dois significados embrulhados (empacotados) numa  palavra só". As palavras-valises carregam, como uma mala, mais de um significado. A própria palavra portmanteau designa um tipo de valise com dois compartimentos.  

Carroll utilizou palavras-valise em outros textos, como em um poema que fala do Snak, que é um monstro ao mesmo tempo tubarão (shark) e serpente (snake). O mot-valise pode tornar-se, então, um recurso de criação literária, e foi/é usado por muitos autores. Mas ele ocorre na vida de todo dia também. Quem já não viu os nomes combinados do nome da mãe e do pai ou dos avós, como Dagoberto (Dagmar e Roberto), Florisvaldo (Florisbela e Osvaldo), Francineide (Francisco e Neide)... Como bem ressalta Leminski, o tal smog londrino, terra de Carroll, é um misto de smoke (fumaça) e fog (neblina): uma fublina? Rsrsrsss...

A liberdade lúdica da língua e seu movimento constante possibilitam a criação de inúmeros vocábulos novos - seja por necessidades expressivas, práticas, científicas, poéticas ou lúdicas - e mot-valise é um desses recursos.  Certamente tem esse ingrediente cômico. A condensação de palavras implica, muita vezes, em um jogo, que conduz ao humor, ao riso, ao lúdico. O que permite esse jogo é justamente a invencionice da e com a linguagem, articulando a imaginação, a riqueza e vitalidade da língua a seus próprios mecanismos restritivos.  

Bom, voltando para os bichos... Existem vários livros que trazem essa ideia de brincar de formar animais esquisitos a partir de outros, como O Livro da Confusão, de Ilan Brenman e Fê, da Melhoramentos, e o de Valéria Belém, chamado O Livro dos Bichos Malucos, da Editora Nacional. 

Ei-los:




No Livro dos Bichos Malucos há uma história de um menino que cria o livro dos bichos malucos. 

No Livro da Confusão - em que ressoam as palavras confundir (com- fundir), fundir, fusão, confusão - aparecem a balenta, a galonça, o elefato,  o hipocaré, dentre outras misturas não exclusivas a animais. Todos eles muito bem apresentados nos desenhos de Fê.

Recentemente descobri um livro de Arnaldo Antunes e Zaba Moreau que também brinca com essa ideia e que nos presenteia com bichos bem interessantes. Chama-se Animais, e é da Editora 34. Como no livro de Brenman,  não há aí apenas misturas de animais com outros animais, mas também com outras coisas/palavras. Algumas misturas são verdadeiras pérolas, misturas elaboradas em que uma palavra só vira poesia: MARIPOUSA!

Mas vamos por ora falar das misturas de animais.


Os autores nos apresentam o papagalo, o vacavalo, o cangorila, o camalo ou cavelo, a leonça, a jabutirica, o porcodilo, a baleoa e o largato (lagarto com gato, vejam só!). Todos muito bem ilustrados. 

Esse recurso pode aparecer também em outros livros, em algum momento do enredo, como é o caso do livro "Ajidar, O Dragão da Terra", de Marjane Satrapi, da Editora Biruta, que em certo momento da trama apresenta a confusão que foi feita um dia em que a Terra começou a tremer. Eis algumas dessas confusões, usando a estratégia do mot valise:



Bom, gente, acho que já deu para ver que se trata de uma brincadeira bem interessante, divertida e cheia de bons desafios para refletir sobre as palavras, sílabas, letras. Esse é um recurso interessante para trabalhar com as crianças na alfabetização, pois favorece reflexões sobre diferentes aspectos da linguagem, desde aspectos semânticos, aos aspectos fonográficos, passando pelos morfológicos. 

O nome dos animais representa uma unidade de sentido (palavra) que, desmontada e remontada, cria uma nova unidade de sentido. Trabalha-se aí a noção de palavra, a formação de palavras e a segmentação e montagem de palavras (análise e síntese) a partir de unidades diversas, silábicas ou não. 

Podemos sugerir que cada um faça os seus, podemos dar dois bichos e ver as propostas diferentes de recombinações que aparecem, podemos dar os nomes dos bichos esquisitos e eles tentarem descobrir e desenhar. Uma criança pode criar o nome e o outro desenhar e vice-versa. Descobrir os dois animais que deram origem ao bicho inventado apresentado e depois escrever seus nomes, observando o que se mantém do nome original e o que saiu, pode ser também uma ótima situação de reflexão. Quando se tratam de nomes que compartilham mesmas unidades sonoras, silábicas ou não, refletir sobre as diferenças e semelhanças é também bem interessante. Para inventar os nomes, muitas reflexões sobre os sons e as grafias têm que ser feitas. Se a brincadeira é feita oralmente, reflexões sobre os sons, se for feita por escrito, reflexões sobre as relações entre unidades sonoras e gráficas.  

O Projeto TRILHAS, uma parceria do Instituto Natura, CE Cedac e MEC, cujos materiais estão chegando às escolas de muitos municípios do Brasil inteiro, traz em seu acervo de jogos um jogo que se chama justamente "Bichos Malucos", baseado nesses princípios que estamos aqui discutindo. São cartelas de bichos cortados ao meio para serem compostos, e cada jogador deve dar, oralmente, um nome para o bicho que ele formar, a partir de decomposições e recomposições orais dos nomes dos bichos que lhe deram origem. É bem legal! Veja mais aqui.

Uma dica de minha amiga Ana Antunes é o livro "E agora Zezé, que bicho que é?", da editora Lê, que ela disse que seus alunos adoram! É desses livros cujas páginas cartonadas são cortadas ao meio e cada metade de cada animal representado na página pode ser combinada com as metades de outros bichos, basta virar as páginas... 

Cada bicho é acompanhado por um pequeno texto e todos são relacionados a uma letra do alfabeto. Assim, temos bichos de A a Z... Outras possibilidades de brincar ainda com isso também...




Vejam como ficam, virando as páginas:


 

E muito interessante, como já sugeri antes, é sugerir que as crianças inventem os nomes dos animais formados a cada vez, considerando os nomes dos dois bichos que o originaram: que tal a obelha ou avelha? Que tal jacazebra? E elefoca? É muito divertido inventar, desmontar e remontar as palavras, ver que nomes ficam mais bacanas... 

Depois desse post, ainda encontrei um livro que é o que mais se parece com a brincadeira do Bichionário que eu fazia com meus alunos, relatada no início desse texto. Trata-se de Misturichos, de Renata Bueno e Beatriz Carvalho, da Martins Fontes. Com o procedimento de mot valise relatado acima, as autoras vão misturando um bicho com outro e formando novos bichos...Assim, desfilam a tucananta, a borbolonça, a vacalinha, a camelha, a hipopotaleia, o macacol, dentre outros... 



Se assemelha ao Bichionário tanto pelo tipo de mistura proposta nos desenhos, que é uma misturança livre e não uma parte toda de um animal e outra de outro, quanto pelo acompanhamento de um pequeno texto falando do novo bicho formado. 
Cada uma das autoras desenhou um animal e depois elas foram compondo os misturichos... E a Renata Bueno escreveu um textinho poético que fala algo sobre cada novo ser. 

O da vacalinha, que aparece aí na capa, é assim: 

"A vacalinha não gosta muito de pastar. 
Cisca, cisca, cisca... 
e de sua teta 
sai gemada para o jantar!"

Acho que por ora é isso! Essas dicas de atividades são brincadeiras garantidas e, além disso, muito produtivas como trabalho com a linguagem, pesquisa inteligente das crianças sobre as palavras, bem como com a expressão plástica. As dicas de livros e brincadeiras, como viram, ora implicam em inventar nomes, ora em inventar o jeito dos bichos serem, ora já trazem os nomes malucos e as misturas, ora as crianças é que devem combinar e criar. Ora por escrito, ora oralmente, ora desenhando, ora apreciando... Mas sempre sempre, provocando a criatividade e o sentido lúdico, e propondo brincadeiras com a linguagem! Brincadeiras que se constituem em construções linguísticas imprescindíveis para o processo de alfabetização... 

Experimentem! 
Até breve,
Lica

P.S. Depois desse post conheci um livro, espécie de bestiário - agora também um aplicativo para ipad - muito interessante nesse sentido. É o Animalário Universal do Professor Revillod, da Orfeu Mini. Olha isso:


Os animais são comuns, mas quando passamos as partes das páginas separadamente, eis que surgem criaturas fantásticas, estranhas. O gesto de decomposição e recomposição que fazemos, ao manipular o livro, cria e recria a linguagem e as imagens.  O aplicativo para ipad você pode conferir aqui e, para o vídeo do livro, aqui. 

Como esse, tem outro aplicativo para ipad que se chama Chamboule tout, com o mesmo princípio. Ei-lo:



Tem esse outro App bacana, pena que é em inglês, pois justamente, ele não só propõe a composição de bichos malucos formados por três partes diferentes, como também a recomposição de seus nomes, numa brincadeira bem bacana de ler os nomes malucos! Se bem que, pode ser bem interessante para aprender os bichos em inglês! Chama-se Miximal:



Tem um livro alemão que é isso aí também:




E pesquisando mais achei esse outro livro indiano, de imagens lindas, That's how I see things, com alguns animais compostos de outros. 
 




Bonito, né?
Vejam outras propostas aqui.
Inté outros bichos malucos!!!

Voltei! 
E agora com essa dica deliciosa também, de André Letria e José Jorge Letria, da editora portuguesa Pato-Lógico. É o livro Estrambólicos. O livro é desses que permitem diversas composições. Combinando diferentemente os 1/3 de páginas, podemos formar vários monstros malucos (mas eles já são malucos mesmo compostos por suas próprias partes, imagine!), As várias combinações tanto formam o corpo deles quanto seus nomes e suas características - como nas dicas acima do Animalário, livro e App, do App Maximal, e do livro alemão. Só que aqui são monstros mesmo... Muito divertido!



Agora, bem depois do post, achei esse livro-jogo da Estrela Cultural, Brincabichos, que vem  com um livro com textinhos poéticos e um baralho de cartas para montar os bichos em três partes, bem amalucados. Eles indicam 3 modos de jogar, nós podemos inventar outros!

Livro:
Cartas:

É isso aí!!!
Vamos amalucar os bichos e monstros!!! 
Lica

Algumas referências:

CARROLL, Lewis. Alice: Edição comentada. Introdução e Notas: GARDNER, Martin. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no pais das maravilhas/Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Tradução e organização: LEITE, Sebastião Uchoa. São Paulo: Fontana/Summus, 1977.
LEMINSKI, Paulo. Anseios Crípticos 2. Curitiba: Criar, 2001. Disponível em: http://www.slideshare.net/Letrasuni/paulo-leminski-anseios-crpticos-2-pdfrev

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Brochura


Oi, gente!
Esse post é só para fazer uma notinha sobre a brochura “Quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será: textos da tradição oral na alfabetização”. Além de ter sido distribuída em diversos contextos, especialmente no curso de Especialização em Educação Infantil da Faced/UFBa, que abrange os municípios de Salvador, Feira de Santana, Camaçari, Senhor do Bonfim, Itaberaba e Serrinha, a brochura foi também adotada pelo projeto Educação Cidadã nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), que é uma parceria entre a UNEB, a SECULT e a ONG Pierre Bourdieu. Nesse  contexto, as brochuras foram distribuídas aos 350 professores participantes, como material do Módulo 5, de Letramento e Alfabetização.

É isso, gente! Fico feliz de ter minha pequena publicação circulando entre tantos professores e queria compartilhar isso aqui com vocês.

Para quem não viu, a brochura está disponível para download aqui no blog, em um post mais abaixo ou na coluna do lado direito da página, clicando na capa. 

Beijos,
Lica

sábado, 15 de outubro de 2011

Dica de Livros

Recentemente compramos dois livros aqui pra casa... Não sei são meus, de Zé ou de Joaquim. Oras são dele, oras meus, oras do papi mesmo... Todos nós gostamos e estamos pensando em coisinhas para eles... Joaquim em pedir para lê-los sempre, Zé em fazê-los presentes em suas patacoadas e contações e eu...bem, eu adoro lê-los, achar o modo mais legal de ler, experimentar leituras... e eles já me deram mil ideias de mil coisinhas, desdobramentos, inclusive das caixinhas de livros. Com um pensei de fazer um jogo de trilha, com o outro estou ainda matutando...

Certo é que quero indicar esses dois livros aqui hoje, para quem não os conhece ainda. Vale a pena! O primeiro chama-se "Qual o sabor da lua?", de  Michael Grejniec, da Brinque-Book. Ouvi essa história uma vez em um sarau; uma contadora de histórias a contou de um jeito tão lindo, com caixas de tudo quanto é tamanho e cor... Depois, esqueci... Adorei ter agora encontrado o livro. Joaquim a-do-ra!


Trata-se de uma história em que os animais querem saber que sabor a lua tem e, numa tentativa de cooperarem para alcançá-la, vão subindo uns em cima dos outros...mas a lua sempre sobe mais um pouquinho... até que...
          ...e o sabor que a lua tem depende do ponto de vista de cada um... Nessa hora é legal, pois podemos inclusive brincar de completar a história, imaginando o sabor que a lua teria para cada animal. 
Trata-se de uma história com estrutura de repetição, muito interessante para os pequenos e para a alfabetização também. A estrutura favorece a recomposição da narrativa, o reconto, a memorização. 

O outro livro é "O que tirou o sono dos animais?", de Maranke Rinck, uma autora holandesa. Também é da Brinque-Book.  Os bichos querem descobrir o que os acordou com um barulho no meio da noite. Também nessa história o que acham que tirou o sono deles depende do ponto de vista de cada um, já que veem apenas uma parte, de sua perspectiva, e nunca o todo. Quando o "todo" se apresenta: uma surpresa!!!


As ilustrações do livro são lindas, um show! O ilustrador, também holandês, chama-se Martijn van der Linden. Maravilhoso, parece tecido. Vejam!


É isso, minha gente! Atendendo a pedidos, volto a indicar livros... Espero que gostem desses.

E aguardem que esses terão suas caixinhas! A do Qual o sabor da lua? já está sendo produzida...

Lica

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Faltando Vogais

FALTANDO VOGAIS



O jogo Faltando Vogais é, em sua forma, uma variante do material Faltando Letras, pois se apresenta como fichas com uma figura e quadradinhos para cada letra da palavra que corresponde à figura. Entretanto, na ficha aparecem apenas as consoantes da palavra, os jogadores terão que preencher as vogais de acordo com o lance no dado de vogais. O jogo compõe-se das fichas de palavras, do dado de vogais (contendo as cinco vogais gráficas e uma face neutra, com uma figura ou sem nada) e fichinhas com as letras móveis (vogais) para preencher as lacunas. 



 Esse jogo visa promover a reflexão sobre a escrita de palavras, valendo-se, sobretudo, de uma análise fonológica das vogais que aparecem em suas sílabas. Cada jogador terá que refletir sobre os sons das palavras que ele retirar para si, para poder encaixar as letras nas lacunas das fichas. Para tal, deverá se concentrar nos sons orais, vocálicos, analisar o som das vogais nas sílabas das palavras. O jogo trabalha, assim, a consciência de fonemas vocálicos (pois foca a atenção nas vogais que são o núcleo dessas sílabas), mas não deixa também de chamar a atenção para essas sílabas. 
O jogo, claro, não se destina a quem já sabe escrever alfabeticamente, ou está perto disso, pois para esses não se constituiria em um desafio. O jogo é especialmente produtivo para aquelas que, no intermediário entre o pré-fonético (pré-silábico) e o silábico, estão começando a considerar a escrita como notação da pauta sonora da língua, ou seja, para o iniciozinho da fonetização da escrita - o jogo ajuda nisso. Mas é muito interessante também para crianças que estão pensando a escrita a partir de uma hipótese silábica quantitativa, para que avancem e considerem as vogais pertinentes às sílabas das palavras, ou seja, o valor sonoro das vogais em cada sílaba. Mas pode ainda ajudar crianças com hipótese silábica qualitativa, seja grafando prioritariamente as vogais ou também as consoantes de uma sílaba, pois tem lá as letras todas das palavras, desafiando-as a considerar que essas palavras têm mais de duas letras. Ao fazerem o esforço para pensar os sons orais que compõem a palavra, as crianças vão observando ali na ficha as outras letras que compõem a palavra, o que os provoca a todo o momento a refletirem sobre os outras unidades (os fonemas consonantais) presentes naquela pronúncia, sendo desafiados em suas hipóteses.
A finalidade do jogo é completar um número dado de cartelas de palavras; quem o fizer primeiro, ganha o jogo. Para jogar, é preciso combinar de antemão o que a face em branco do dado (ou com algum desenho ou símbolo) vai valer. Quando essa face cai para um jogador, ou ele perde a vez de jogar ou pode escolher a fichinha de letra que precisa na mesa. É só definir de antemão a regra e essa passa a valer naquela partida.  


 REGRAS DO JOGO: 

Estipular a quantidade de fichas a serem preenchidas para ganhar o jogo (ex. 5 fichas), bem como o valor da face vazia do dado (perder a vez, repetir ou pegar a letra que precisa).
Viram-se as fichas de palavras de cabeça para baixo e as fichinhas de letras devem ser espalhadas na mesa, viradas para cima.
Os jogadores pegam aleatoriamente uma ficha, sem ver, sem escolher. Escolhe-se, então, por qualquer método, o jogador que iniciará e o sentido do jogo. O jogador da vez joga o dado e pega na mesa uma das fichas de letras com a vogal que foi indicada na face do dado. O jogador deverá confirmar se a letra preenche a lacuna vazia ou não. Os outros jogadores podem ajudar a avaliar se está correto ou a encontrar a correta, numa variante colaborativa do jogo.
O objetivo de cada rodada é completar uma das lacunas da palavra com a letra que for indicada no lance do dado. O dado deve ser lançado apenas uma vez por cada jogador, em cada rodada. Se a letra indicada no dado aparece mais de uma vez na palavra de sua ficha, ainda assim o jogador só poderá pegar uma ficha de vogal naquela rodada.
Se a vogal indicada no dado não servir para a palavra de sua ficha, o jogador deve pegá-la, mesmo assim, na mesa. Não a utilizando, o jogador a retém, podendo utilizá-la em outras rodadas, para preencher outras cartelas de palavras. Se a vogal retida serve para a palavra de sua próxima cartela, ele a preenche tão logo retirar a nova cartela, começando, assim, já em vantagem.
O jogador só poderá pegar outra ficha de palavras quando completar a que está em suas mãos. Quando completar uma, pega outra, até preencher corretamente (segundo o julgamento da mesa) o número de fichas estipulado de antemão (ex. 6 cartelas), ganhando o jogo aquele que completar essa meto primeiro. O jogo pode continuar e constituir o segundo, terceiro lugares...
Os jogadores podem ajudar uns aos outros na reflexão sobre as vogais que compõem a palavra da ficha de cada um. 

O número de fichas a preencher para ganhar o jogo pode ser adaptado à quantidade de fichas do kit e a quantidade de jogadores. O Faltando Vogais mostrado aqui é o de 4 letras, mas é bacana também o de 6 letras (com palavras com três sílabas canônicas: CV, consoante + vogal). Para o jogo de 4 letras, cinco ou seis fichas é um bom número, para o de 6 letras, deve ser estipuladas menos fichas como limite, mas isso é muito relativo. Cada professor pode avaliar e experimentar o número de fichas que é bom para sua proposta, pois depende do nível das crianças, do ritmo do jogo, do número de jogadores. O número ideal de jogadores é de quatro, mas, pode ser menos ou mais, dependendo do número de cartelas disponíveis e do dinamismo do jogo.

Errar ou acertar as vogais pode ser uma variável importante no resultado: cada um tem que preencher sua cartela e o professor tem que estar atento, por perto, para legitimar as discussões dos jogadores sobre estarem ou não corretas as palavras. Mas, por outro lado, o erro ou acerto pode não ser uma variável importante no resultado, mas sim a sorte do dado, os jogadores podendo então ajudar uns aos outros na reflexão sobre as vogais que compõem a palavra da cartela de cada um. Essa variante colaborativa pode ser interessante e produtiva, a outra versão implica em competição em relação ao saber de cada um.
Durante o jogo, os jogadores podem tirar dúvidas com a professora - que é diferente de ela dar as respostas. O professor não precisa corrigir casos de escrita de I e U no lugar de E e O quando essas as letras têm o som /i/ e /u/, a não ser que as crianças levantem essa questão ou que seja natural explicar, sem que se perca a dinâmica do jogo. O uso das letras I e U no lugar de E e O átonas no final de palavras (Ex.: RATU para RATO ou BULI para BULE) não deve, de início, ser considerado erro e, caso o grupo não questione, pode ser aceito, já que, nesse momento inicial o importante é garantir a observação e consideração do som, e de fato, o O e o E podem fazer som de U e I. A questão da ortografia virá num momento posterior. Como no momento o que importa é considerarem os sons que aparecem nas palavras, não é ainda um problema se usam a letra que representa foneticamente aquele som e não a letra que ortograficamente corresponde àquela grafia. É importante observar que o jogo é para trabalhar a relação entre sons e letras, ainda não sendo o foco, no nível de reflexão das crianças nesse momento, pensar sobre as dificuldades ortográficas de modo mais sistemático. Mas não é impeditivo que se explique que o E e O podem ter som de I e U, desde que a situação seja propícia.

Entretanto, como existem algumas palavras de uso frequente no jogo, pode ocorrer de questionarem a escrita de RATU, por exemplo, e aí sim, o som de /u/ da letra O (ou de /i/ da letra E) pode ser problematizado, explicado e considerado no jogo. Nesse momento, os jogadores podem ser informados que apesar do som de /u/ (ou/i/), essa palavra se escreve com O (ou E). O que, de início, de todo modo, não assegura que generalizem esse uso para outras palavras terminadas em O átono (ou E). Aos poucos a professor pode ir ajudando-os a generalizar e a corrigir eventuais situações de hipercorreção (Ex.: achar que caju se escreve com O), trazendo, aos poucos, informações relativas à tonicidade das palavras.
O mesmo ocorre para o uso dessas letras, I e U, em outras posições nas palavras, como CO de coruja, por exemplo, ou ME de menino. Não se deve enfatizar o som /co/ da sílaba (ou /me/) ao pronunciar a palavra, para explicar sua grafia, ou informar erroneamente que o certo é falar /koruja/ em vez de /kuruja/ (ou /menino/ em vez de /mininu/, pois essa pronúncia depende da variedade linguística, todas legítimas. Não devemos confundir escrita correta com a fala, que pode ser expressa de modo diverso. A escrita não é espelho da fala. Se não, pronunciaríamos /Rato/ e não /Ratu/, como é o caso. Essa é uma questão muito importante de se considerar, quando trabalhamos com a reflexão fonológica em presença da escrita.
                                                                    
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FALTANDO CONSOANTES: variante do jogo
Como o seu grupo estava mais adiantando na reflexão sobre os sons presentes nas palavras, a professora Lilian Evaristo, de São Paulo – que sempre está por aqui no blog e confeccionando e usando muitos materiais – adaptou o jogo Faltando Vogais e propôs a seu grupo o Faltando Consoantes. Usando as mesmas fichas de palavras e a mesma lógica, colocou as vogais nas fichas, em vez das consoantes, aumentando bastante o desafio. 

O desafio aí é tentar perceber os sons consonantais presentes nas palavras para preencher as lacunas. Muito interessante como proposta para desafiar mais aqueles que já operam bem com sons vocálicos das palavras, os relacionando às vogais-letras. Os fonemas consonantais são mais difíceis de serem delimitados e isolados na fala, especialmente alguns (como os oclusivos), e é na presença das palavras - em suas junções com as vogais, nas palavras diferentes que as trocas entre eles produzem - que se tornam mais observáveis. Assim, é uma variante muito interessante de reflexão fonológica sobre sílabas e fonemas, em presença da escrita. 
Para jogar o Faltando Consoantes, o dado não seria possível, então, Lilian teve uma ideia muito bacana e fez uma roleta com as consoantes.
O jogo funciona do mesmo jeito, só que cada jogador roda a roleta e vê se a letra lhe serve. Lógico que aí há uma demora maior para preencher a ficha, pois em vez de 6 possibilidades, ele terá 18 (não considerando o K, W e o Y). Nesse caso, eu sugiro que cada um pegue, por vez, mais de uma ficha de palavras: duas, de início, ou até três.
          

Obrigada a Lilian pela sugestão muito interessante. Sendo assim, temos duas possibilidades de jogo (jogo mesmo), com a estrutura do material Faltando Letras, que, como vocês já viram nos posts e fotos, está presente em várias situações, apenas para serem preenchidos, não necessariamente como jogo.
É isso, gente. Esse é um jogo aparentemente bem simples, capaz até de passar meio despercebido por alguns, mas que todas as professoras que o utilizam em suas salas relatam que é muito bom para a reflexão das crianças sobre a escrita e seus avanços. Experimentem!
Lica