Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Travadinhas

Olhem que legal!!!
Postei recentemente a indicação de livros para alfabetização, lembram? Pois bem, a Ana, lá de Petrópolis, já se inspirou no livro Travadinhas, de Eva Furnari, e confeccionou seu material com algumas opções interessantes de uso.

Vejam como ficou bem feito, colorido e bonito. Que crianças não vão encher os olhos!?! Agradeço a ela pelas fotos e por concordar em compartilhar seu material aqui com vocês.
Pois bem, o livro de Eva Furnari traz travalínguas engraçados e ilustrados, bons para rir, tentar dizer desenrolando a língua, brincar, memorizar. Tem uns com palavras bem difíceis, que podemos ajudar a pronunciar e a montar.
O material é composto das ilustrações com o texto, das ilustrações sem o texto, dos travalínguas fatiados em palavras e os mesmos fatiados em letras móveis.
Ana fez envelopinhos coloridos com as ilustrações sem o texto, assim, põe dentro dele os fatiados e as crianças têm que montá-los a partir do texto correpondente àquela imagem. Se memorizaram o travalíngua, montam ajustando o oral ao escrito. Se não, o(a) professor(a) deve ir lendo e relendo-o para que as crianças possam ir montando.
As ilustrações com o texto - como essa do guarda-chuva ao lado - servem para atividades de leitura, pseudoleitura, identificação de palavras, além de base para o(a) professor(a) ir lendo os travalínguas para ajudar as crianças a montarem os textos.
Evidentemente, para montarem os fatiados, não devemos entregar a ilustração com o texto, pois senão as crianças tomarão o texto pronto como referência para sua montagem, sem fazer o esforço de ajustar texto e escrita, de refletir sobre quantas e quais letras precisam para montar determinada palavra.
Isso pode ser proposto, eventualmente, apenas para crianças que escrevem a partir da hipótese silábica, especialmente aquelas que não levam em consideração o valor sonoro das letras, pois o esforço de ir e vir ao texto, para remontá-lo com as letras móveis, pode se constituir, em si, em um desafio para ela.
Bom, então, os envelopes podem ser entregues com as letras móveis ou com os fatiados em palavras, a depender do domínio de leitura e escrita das crianças.
Para as crianças com hipóteses alfabéticas e silábico alfabéticas será mais produtivo entregar as letras móveis, pois se já leem, montar as palavras será muito fácil.
Alguns dos travalínguas oferecem desafios consideráveis, mesmo para crianças já alfabetizadas, pois trazem palavras grandes, pouco comuns - como problemática, ventríloco, peripatética, trambolhos, magnética -, bem como dificuldades ortográficas interessantes, bem frequentes em travalínguas, como o uso do x/ch, do j/g, do v/f, s/z, encontros consonantais, e é preciso prestar bem atenção a sua ortografia. Isso é bom quando temos aqueles alunos já mais adiantados na sala, que precisam de desafios maiores.
Para as crianças com hipótese silábica com valor sonoro, ordenar as palavras e montar os travalínguas será bem desafiante.


Ana colocou o ponto final dos textos. Não precisa, mas é interessante também para começarem a prestar atenção nisso.
É isso, gente. Se animem!


Nas minhas Oficinas, sempre aparece alguém assim inventadeira que, mesclando ideias que circulam na Oficina com outras referências, com suas necessidades específicas e suas próprias invencionices, criam ótimos materiais.
Foi assim com as parlendas e travalínguas fatiadas em inglês, inventadas por uma professora de língua estrangeira, foi assim com os jogos e kits literários das meninas da Faced, foi assim com as adaptações para os pequenininhos da Educação Infantil no Projeto Salvador, bem como com outras tantas situações e desdobramentos que vi acontecer esses anos todos.
Essa, entretanto, é a primeira vez que vejo uma moça inventadeira, tão longe daqui, rapidinho pegar o espírito da coisa e já materializar tantos kits tão legais. Esse foi um deles.
Por isso, compartilho com vocês o kit de Travadinhas, feito por Ana Lúcia Antunes e deixo o meu agradecimento por seu compartilhamento, sua participação no blog, sua dedicação a uma educação mais lúdica, gostosa e muito consistente, reflexiva, atual.
Valeu, Ana! Fica a dica aqui para a galera que anda por aqui. Vamos, gente, vamos inventar!
Beijos,
Lica