Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

sexta-feira, 12 de março de 2010

Bingo de Sons

Mais sobre o Bingo de Sons

Em resposta ao comentário de Leila, do post do dia 27/02, sobre o Bingo de Sons (jogos):

O jogo, tal como está estruturado é um jogo de reflexão fonológica, produtivo para crianças que produzem escritas sob qualquer hipótese descrita pela psicogênese, justamente por ser sem a presença da escrita. A reflexão fonológica apresenta desafios diversos para todos e é, ao mesmo tempo, possível para quem ainda não se apropriou da natureza e funcionamento do sistema de escrita.
A etapa de exploração de similaridades sonoras entre palavras, antes do jogo, também cumpre esse papel, mas essa exploração pode também, aos poucos, ir incluindo reflexões que articulam o oral e a escrita.
Após o jogo, dependendo do grupo, o professor pode também conduzir reflexões acerca das similaridades sonoras e gráficas das palavras, levando as crianças em processo de alfabetização a perceberem como se escrevem esses sons que se repetem nas cartelas, a discutir se essas unidades se escrevem do mesmo jeito nessas diferentes palavras ou não, identificar esses sons em diversas palavras, listar palavras com unidades sonoras semelhantes e observar como se escrevem, etc. Isso permite uma maior apropriação da natureza dessa relação.
E atenção! Como eu disse no texto postado sobre o Bingo, nesse tipo de atividade é importante notar que, em alguns casos (ex. cinto/sino/sapato/sapo), a similaridade fonológica não corresponde necessariamente a uma similaridade gráfica, devido ao fato de, por exemplo, a letra C ter também o som de /s/. Com crianças que escrevem sob uma hipótese alfabética ou silábico-alfabética, são reflexões ricas para avançarem para uma escrita ortográfica. Pode-se fazer essa reflexão buscando situações e palavras já conhecidas deles, como nomes próprios, por exemplo, Cíntia/Sandra, Selma/Celso.
Para os que já descobriram a relação entre fala e escrita, mas não ainda sua natureza alfabética (hipóteses silábicas), a comparação entre a forma sonora que se repete em diferentes palavras e a escrita (ex. ão em chão, feijão; PA em pato e em paca), permite tornar observável unidades sonoras como sílabas, fonemas, unidades maiores e menores que a sílaba, e que compreendam, aos poucos, como essas unidades sonoras correspondem às unidades gráficas. Percebem, por exemplo, que as letras representam algo menor que a sílaba, que as sílabas são formadas por uma ou mais letras, que a ordem das letras corresponde à ordem da emissão sonora dos sons das palavras.
No caso dos que ainda não relacionam fala e escrita – os alunos com hipóteses pré-silábicas – com jogos e situações como essas, poderão, aos poucos, ir descobrindo o que nossa escrita representa (a fala) e que as palavras orais são unidades que podem ser divididas em unidades menores.
Penso que essas são boas reflexões que o jogo pode propiciar. Mas na hora de jogar, o que vale é a reflexão fonológica em si. Se em vez de figuras nas cartelas, colocarmos as palavras escritas, o jogo já será outro, já se torna uma atividade de leitura, de identificação de uma determinada unidade fonológica (sílaba, fonema etc) em uma palavra escrita. É uma variante possível do jogo, bem interessante, por sinal, mas já não é tão adequada para todos. Os que ainda não descobriram a relação entre fala e escrita não poderão fazer sozinhos a identificação. Os que concebem a escrita silabicamente, considerando o valor sonoro das letras, também poderão aí encontrar bons desafios, mas para os que não consideram o valor sonoro das letras, também é mais difícil.
Espero ter ajudado você – e todos que nos leem – a pensar sobre modos interessantes de propor atividades de reflexão fonológica em presença da escrita.
Lica

5 comentários:

  1. Oi, Pró,
    Obrigada pela resposta, com certeza me esclareceu dúvidas. Fiquei com mais vontade ainda de fazer meu kit bem bonito.
    Bjs,
    Leila

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  2. Minha querida pró!

    Que maravilha esse blog! A-do-rei!!!!
    Fiquei aqui lembrando das oficinas do Projeto Salvador. ô tempinho bom!!! Saudades...
    E os jogos estão nos auxiliando na prática em sala de aula. As crianças adoram!
    bjs
    Angela Carmina

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  3. Oi, Ângela!
    Que bom ter você por aqui! Sinto saudades também do que fizemos naquele tempo...
    Sabe, é muito bom ouvir que as crianças gostam dos jogos, afinal, de outro modo, não teria sentido. E é vocês quem podem me dar mesmo esse feedback. Mas certamente tem também o jeito de brincar que é de cada uma de vocês.
    Amei vê-la por aqui. Volte sempre!
    Saudades de você, menina!
    Beijos,
    Lica

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  4. Pro Lica, finalmente consegui descobrir como fazer um comentario! UFA! estou encantada com tudo que vi em seu blog, aumenta ainda mais a vontade de trabalhar na area e colocar em pratica, poder dessa maneira acompanhar e ajudar no desenvolvimento dos pithuquinhos. Sei que vou contar com sua ajuda no momento certo. Bjs que Deus te abençoe. Sua fiel escudeira rsrsrs.

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  5. Oi, moça! Finalmente mesmo, né? Estava sentindo falta de minhas fieis escudeiras...
    Mas elas começaram a aparecer...
    Se ajudo a manter acessa essa vontade e ajudo a futucar a criatividade de vocês, já fico bem realizada.
    Beijo grande, querida, seja bem vindíssima!
    Lica

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