Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mais "O que tem nesta venda?"

Mais rimas, mais jogos, mais venda...

O livro de Elias José, O que tem nesta venda?, rendeu algumas possibilidades de material, além do Lince, como já insinuei em um post anterior. Não é preciso fazer TODAS as opções de jogos para uma mesma turma, mas vou mostrá-las, pois assim vocês ficam com uma ideia do leque de possibilidades, tanto para esse livro especificamente, quanto para outros livros, outros poemas... Afinal, são propostas que podem ser adaptadas para outros textos.

Esses foram os jogos que fiz desse poema: Bingo e Baralho de Rimas,  já citados quando postei sobre o Lince; Trilha de Rimas e Dominós de Rimas. Fiz jogos de exploração de rimas e de reconhecimento de palavras. 

O Bingo de Rimas funciona exatamente como o Bingo Fonológico já mostrado aqui em detalhes (ver posts anteriores sobre isso), só que, nesse caso aqui, ele é específico de rimas e não misturado com outros tipos unidades sonoras, como é o Bingo que mostrei antes. 


O kit é composto de 15 cartelas de Bingo, com as figuras representantes dos pares de rimas do livro, distribuídas de modo a não serem repetidas na mesma cartela (ex. sabonete e rabanete não aparecem na mesma cartela e assim por diante...).

As indicações são de outras palavras que não constam no poema, como: "Rima com sorvete" ou "Termina como chocolate".



O Baralho de Rimas é composto de cartas com as figuras que representam as palavras rimadas do poema e cartas com as próprias palavras, assim, pode tanto ser usado como baralho fonológico quanto como baralho de reconhecimento de palavras, da mesma forma que o Lince. 


Ele pode ser usado de várias formas:


Pode ser usado apenas para associar as figuras representantes dos pares de rimas do texto (jogo fonológico). Nesse caso tem que ser retirada a carta do caqui, que não tem par (que rima com "aqui", no texto).


Como jogo de reconhecimento de palavras, pode-se pedir que associem as figuras às palavras correspondentes. As cartas da figura e da palavra "caqui" podem entrar nesse jogo. 


Nessas opções de associação em que há palavras escritas, não é preciso usar todas as cartas. A depender do domínio de leitura do grupo ou de parte dele, pode-se pensar em diferentes modos de distribuir as cartas. Em uma mesa podem ser colocados apenas poucos pares embaralhados, para as crianças formarem os pares. Em outra, podem ser colocados mais.

Podemos ainda propor a associação de pares de palavras escritas que rimam (cartas com as palavras), analisando as palavras rimadas, suas diferenças e semelhanças, em especial aquelas referentes às rimas que trazem grafias diferentes (ex: cadarço/compasso). Também a carta com a palavra "caqui" deve ser excluída nesse caso, por não ter par.


Por fim, podemos propor um jogo de quartetos, cujo desafio é associar os dois pares de figuras e os dois de palavras, formando os conjuntos de rimas do jogo (duas figuras e duas palavras (sobra a carta do caqui). 


Veja ao lado o exemplo de um quarteto:


Quando falo "associar" significa embaralhar e procurar as cartas que vão juntas, juntando os pares. Mas essas mesmas propostas - pelo menos as de formar pares, seja de figura-figura, de figura-palavra ou de palavra-palavra - podem ser feitas a partir de um jogo como o Mico Preto e a Memória. 


Para o jogo do MICO, pode-se ter uma carta que corresponde ao Mico, que é a carta que sobra, que não forma par, que quem fica com ela no final do jogo, perde. A carta do caqui pode ser o Mico.  Mas pode jogar também sem Mico, apenas formando os pares e vence quem primeiro terminar as cartas. Lembrem que, no Mico, as cartas são distribuídas, formam-se os pares e, depois, um jogador vai puxando uma carta do outro para tentar formar novos pares. 


Para o jogo da MEMÓRIA de figuras e de palavras deve-se excluir a carta do caqui. Mas podemos deixá-las (a figura e a palavra) no jogo de associação de figura com a palavra.

Podemos ainda utilizar as cartas com as figuras de outros modos, como para fazer o jogo do intruso, colocando duas coisas que rimam e uma que não para indicarem o intruso, ou para comparar o tamanho dos nomes. Tira-se duas cartas com figuras de um monte, sem ver e tem que dizer qual a palavra maior. Ou seja, o baralho pode ser usado de várias maneiras diferentes.


O jogo Trilha de Rimas, por sua vez, é semelhante à Trilha que fiz para o poema Amanhã de Capparelli. 
 

Em cada casa do tabuleiro há as figuras de uma das rimas do livro. Joga-se com pinos de cores diferentes e um dado normal. Cada jogador, na sua vez, lança o dado e anda o número de casas indicadas pelo número na sua face. O jogador deverá dizer uma palavra que rime com a figura da casa em que parar seu pino. Não precisa ser a mesma rima do livro. Se não conseguir ou passa a vez ou volta ao começo. As casas com a venda indicam passar a vez ou voltar, na rodada seguinte, as casas indicadas pelo dado. Antes de começar o jogo, os jogadores devem decidir as regras. Vence o jogador que chegar primeiro ao final da trilha.

É interessante combinar que vale, na primeira rodada, ter que dizer a rima do livro e, a partir da segunda, ter que dizer uma outra, que não a do livro. Isso porque o rico do jogo é buscar novas rimas, não apenas as já previstas, aprendidas na leitura do poema.

Quanto ao dominó, fiz dois tipos de Dominó de Rimas, o dominó de figuras e o dominó de palavras que rimam. No primeiro caso, o jogo é fonológico, pois é preciso considerar as rimas das palavras representadas pelas figuras e associar, por exemplo, as figuras do rabanete e do sabonete, que são rimas do livro. É preciso enfatizar a natureza sonora do jogo para que não joguem associando apenas as figuras semelhantes (sabonete com sabonete, rabanete com rabanete).

O dominó de palavras exige, por sua vez, a comparação das escritas das palavras, observando-se, principalmente, a sua terminação. Para as crianças que já leem, a observação da rima se dá pela própria leitura das palavras; para os que ainda leem com certa dificuldade, podem comparar as grafias finais das palavras. De qualquer modo, é mais difícil jogar o jogo com as palavras escritas  do que com as figuras, principalmente quando ainda não se reconhece as palavras com rapidez.

É bom ressaltar que, para fazer um dominó que funcione, é preciso confeccioná-lo na estrutura de dominó mesmo, que envolve análise combinatória, progressão aritmética. O mais fácil é atribuir um número a cada par de rima (ex. 0 a sabonete/rabanete; 1 a ricota/torta; 2 a borracha/bolacha e assim por diante) e depois fazer todas as combinações, inclusive as "buchas". Assim, temos: 0 com 0, 0 com 1, 0 com 2, 0-3, 0-4...., depois, 1-1, 1-2... Lembrem que o par 1-2, por exemplo, no caso do dominó, é o mesmo que 2-1 e, portanto, não precisa repetir. Para compor as peças do jogo, é preciso considerar que cada número pode aparecer como uma ou outra rima. O ideal é equilibrar entre as duas rimas, por exemplo, o 1 sendo ora ricota, ora torta


De qualquer modo, para o jogo de fato fechar, seria preciso jogar valendo também juntar a palavra/figura com ela mesma (ex. rabanete com rabanete) e não apenas com sua rima (ex. rabanete com sabonete). Para ficar mais interessante, no entanto, pode-se propor juntar só as rimas e, quando não houver mais jeito, valer também juntar as palavras com elas mesmas. O que não pode é valer apenas juntar as palavras iguais, senão não é dominó de rimas. Outra alternativa interessante, que sana um pouco essa questão, é fazer o dominó com outras rimas (outras palavras/figuras com terminação em /ete/, /axa/, /ola/ etc) - que não as do livro, mas derivadas de atividades com ele - e, assim, não repetir uma mesma palavra/figura nas peças, apenas repetir as rimas. Complicado? É que dominó parece simples, mas tem uma estrutura...


Bom, gente. É isso. Acho que exploramos bastante o livro de Elias José, não é? E para além do poema, ficam propostas que podem caber para outros tantos textos rimados. 
Lica

15 comentários:

  1. Nossa! Quantas ideias! Se pensar mais ainda deve sair mais coisas. O melhor de tudo é que dá pra adaptar todas essas ideias em outros livros...

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  2. Pois é, Ana... A ideia é essa mesmo, poder variar as propostas para diferentes textos. Por isso iniciei e fechei o post dizendo justo isso. Não é preciso fazer para uma mesma turma todas as propostas para um mesmo texto, o legal é ter um leque de possibilidades para adaptar a outros textos semelhantes e outras situações.
    No meu caso, tem sido bem bacana nas oficinas com os professores, trabalhar com o bingo coletivamente e fazer um circuito de diferentes jogos em diferentes mesas com os outros jogos para esse texto.
    Sim, se pensar, muitas outras propostas poderiam aparecer, com certeza!
    Bjs,
    Lica

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  3. De fato, quando aprendemos a perceber as inúmeras possibilidades, começamos a ver mais e mais atividades, jogos, materiais, propostas, opções...
    Obrigada, Lica, por nos ajudar a "ver".
    Bjs,
    Leila

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  4. Oi, Leiloca,
    A ideia é bem essa de poder "ver" mais, você falou bem. Estica dali, estica daqui, vamos aprendendo a inventar, adaptar, explorar, ampliar... a esticar mais e mais o leque de possibilidades.
    Na hora H, na sala de aula, selecionamos o que pode ir melhor com aquele grupo, aquelas crianças, aquele texto escolhido, aquela dinâmica, os objetivos pretendidos...
    Se estou ajudando a "ver" isso, já fico bem feliz!
    Beijo,
    Lica

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  5. Bom dia Lica!
    Gostei bastante do blog. Assumi no meu município a formação de professores e professoras alfabetizadores do programa 'Todos Pela Escola Pacto com Municípios' do estado da Bahia com orientação das formadoras do Ceará, e o material e oficinas propostos no seu blog vai contribuir muito conosco, divulgarei entre as professoras, que inicialmente são dezessete.
    Onde encontro as informações sobre LINCE.
    Parabéns!

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  6. Oi,
    Espero que o blog possa contribuir sim. Qualquer coisa, pode escrever.
    Que outras informações - além do que já está explicado no post - você queria sobre o Lince?
    Um abraço,
    Lica

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  7. Lica seu blog é maravilhoso amei as sugestões.É muito bom ter pessoas que partilham o que sabem com os outros.Parabéns!!!!!!!!!!!!!

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  8. Nusa,
    Obrigada e seja bem vinda!
    Lica

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  9. Olá, Lica.
    Trabalho com literatura nas minhas turmas de alfabetização e os jogos estão sempre presente.
    Adorei suas dicas e atividades .
    Se quiser conhecer meu blog ficarei muito feliz.
    Bjs
    Mari

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  10. Oi, Mari,
    Bom ter notícia de mais e mais professores que se preocupam em fazer bem essa articulação de alfabetização e literatura.
    Vou olhar seu blog sim,
    Um abraço,
    Lica

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  11. Amiga, gostaria de adquirir as oficinas para aplicar com meus professores , pois amei todas, considero uma ótima sugestão.

    e-mail: alessandrakelly.leaoalves@yahoo.com.br

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  12. Oi, Alessandra,
    As oficinas são cursos, não tem como adquiri-las. Ainda não trabalho com apostilas, essas coisas, ta?
    Mas é possível produzir muitos dos materiais vendo pelas fotos e com as explicações e dicas que dou no blog. Tem mta gente fazendo seus acervos...
    Lica

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  13. Oi, professora Liane!
    Estou encantada com tantas ideias criativas para serem desenvolvidas em sala de aula. Está de parabéns! Continue abrilhantando esse espaço que é de suma importância para nós educadores. Os jogos quando desenvolvido de maneira lúdica irá propiciar às crianças momentos prazerosos em sala de aula com ênfase significativa no processo de letramento como recurso alavancador para o domínio e uso do código da escrita. Em outras palavras, o papel do jogo como facilitador para o letramento.

    JANICLEIDE SILVA SANTOS
    CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO-UFBA
    JEREMOABO-BA

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    Respostas
    1. Oi, Janicleide!
      A ideia dessa tarefa foi dar esse empurrãozinho para vocês começarem a futucar as coisas por aqui!
      Faça bom proveito!
      Os jogos são muito propícios para os abordar aspectos linguísticos da apropriação da língua (foco na alfabetização, portanto). Mas dependendo do material, pode também ser articulado mais explicitamente ao letramento, como vimos os kits de materiais a partir dos livros literários e textos da tradição oral.
      O importante, no fim, é que mesmo focando os aspectos linguísticos, o jogo - que é em si mesmo uma prática social - trabalham em favor da ampliação das crianças nas práticas de letradas, pela autonomia de leitura e escrita que a apropriação da notação alfabética permite.
      Mas é isso mesmo que você diz - só vale a pena jogar, se for sem perder a função lúdica...ou nada vale a pena!
      Abraço,
      Liane

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